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Campo Grande, Domingo, 22 de Janeiro de 2017

07/04/2014 14:01

Índios e trabalho escravo: a quem aproveita?

Por Helio Brambilla (*)

Retornemos à sede da fazenda produtora de chá. A 10 km da sede, no meio da mata e às margens de um lago, há uma construção confortável, toda ela revestida de costaneiras para as famílias e os funcionários fazerem piquenique. A pequena distância da “Casa do Tarzan” – como é chamada – se encontra o alojamento para os funcionários da fazenda, os cortadores de erva mate e os protetores da floresta.

Certa manhã, com a fúria de uma KGB ou de uma Gestapo, fiscais do Ministério do Trabalho lá chegaram para fazer uma devassa à procura de trabalhadores escravos, e encontraram “provas mais que suficientes” que de fato eles existiam. Eis um elenco delas:

1) Num chuveiro havia dois centímetros do fio desencapado. Não se sabe se foi falha do eletricista ou sabotagem de alguém mal intencionado... Mas para o Ministério do Trabalho aquilo representava um crime, pois colocava em risco a vida dos funcionários! “Prova” de trabalho escravo.

2) Foi constatado também que as lâmpadas eram de filamento e não as de LED, portanto outra “prova” de que os funcionários se encontravam em condições análogas à de escravos. Pobre Thomas Edison...

3) Outro crime descoberto – pasmem – foi a existência de um fogão de lenha para aquecer água para o chimarrão ou para um cafezinho. Olhe que fogão a lenha vem sendo utilizado pelos homens desde que o mundo é mundo. Mas agora, os fiscais veem nele um grande perigo, a poluição ambiental! A propósito, os “escravos” prestes a ser alforriados protestaram, alegando que a região no inverno é muito fria, e que ano passado chegou a cair 10 cm de neve, com sensação térmica de -10°... Alegaram ainda que só conseguiram tomar banho em razão da água ser aquecida no fogão de lenha. Ademais, o fogão lhes servia de lareira... Mas nenhum argumento demoveu a empáfia dos fiscais do governo! Quanto aos médicos cubanos...

4) Outro grave “crime” encontrado e que caracterizava “trabalho escravo” foi o fato de os colchões medirem apenas sete centímetros de espessura, quando o Ministério exige colchão a partir de 10 centímetros...

Na divisa com o Paraná, um grande produtor de grãos e também transportador teve sua fazenda invadida por índios há algum anos. Cheio de boa vontade – e talvez com outro tanto de ingenuidade – foi ao local dialogar com eles, pois segundo se comenta, tinha disposição de deixar parte de suas terras para os invasores. Tinha, pois foi alvejado por tiros e morreu no local. Para as autoridades, o crime não passou de notícia de jornal. Mas o grupo liderado pelo empreendedor morto que gerava centenas de empregos se encontra agora em situação pré-falimentar...

Ali próximo se encontra a antiga cidade de Palmas, já no Paraná. Houve em outros tempos redutos de escravos libertos que, à maneira tribal, passaram a viver às margens de um rio, semelhante à vida que levavam na África. Lá eles faziam o que queriam e queriam o que faziam. Encontravam-se livres!

Mas agora a Fundação Palmares e o INCRA os induziram, como de costume, a se autodeclarar quilombolas! Apesar de os laudos antropológicos comprovarem o contrário, as instituições oficiais passaram a reivindicar por eles e para eles uma terça parte das terras do município!

Ressalto mais uma vez que tanto em Santa Catarina como no Paraná as rodovias federais se acham em péssimas condições, o provoca filas intermináveis de caminhões, acidentes fatais, apesar das infindáveis placas “Obras do PAC”!

São mais algumas ocorrências que a título de amostragem consigno para que o leitor faça ideia do que vem ocorrendo entre nós.

(*) Helio Brambilla é jornalista e colaborador da ABIM.

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