A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

24/11/2012 20:11

O paradoxo da repressão penal

Por Valmir Moura Fé*

Na sociedade tida como moderna ou hipermoderna (Gilles Lipovetsky), em que todos os labirintos estão sendo preenchidos por máquinas consumistas e individualizados, a vida caminha cada vez mais para o prazer efêmero, rápido, contundente e cheio de emoções passageiras; a moral, perigosamente, está sendo rebaixada a níveis nunca antes vistos, gerando uma fragmentação dos controles sociais informais, num tortuoso caminho da delinquência desenfreada. Padrões éticos e posturas estruturais na sociedade, como família, Estado, religião e respeito mútuo estão sendo
dilacerados pela ideia do prazer a todo custo, aliado à fantasia da liberdade sem limites. Nada pode ser reprimido, já que o importante é o “direito à felicidade”.

Esvaziados os controles informais da sociedade e, somando-se à sociedade individualizada (Sygmunt Bauman), estamos em tempos incertos, nos quais a criminalidade tem um amplo espaço para iniquidades, na sociedade do desvalor, de conceitos fluídos, na qual “tudo pode”.

A repressão penal do nosso tempo encontrará uma nova dimensão de conceitos, que deverão se ater à realidade vivida pela comunidade, mormente, pela criminalidade incentivada num contexto das “liberdades perigosas”, visto o incentivo a uma ideia de vida sem limites, sem regras sociais a serem obedecidas.

Aliás, a repressão policial encontra sérios problemas conceituais diante da fabricação de ideologias contra o Estado, este que, agora, é buscado por todos, para proteção e paz social no combate aos crimes que se tornaram incômodos demais para a sobrevivência humana.

Na sociedade do consumo, do individualismo e dos valores morais, éticos e comunitários em franco declínio, aumentam crimes banais, com desprezo dos laços sociais e cívicos, destruídos pela noção equivocada de que “nada deve ser reprimido”, levando o homem a um estágio de conturbação social e abrindo portas para o caos penal. O resultado da ragilização dos conceitos morais, religiosos, familiares e cívicos, é a demanda por mais controle social; busca desenfreada por mais ações policias de combate e neutralização de pessoas ditas como inimigas do Estado. Estas, rapidamente identificadas como traficantes de drogas, assaltantes de bancos,homicidas e membros de organizações delinquentes, com certa preponderância nos presídios do país.

Mais liberdade e mais direitos é a vertente do Estado Democrático de Direito. Ocorre que o dilema de viver em sociedade, com seus pares, não é, de longa data, tarefa fácil. Entretanto, uma coisa é certa, o Estado deve ser forte o bastante para dissuadir a marginalidade e a bandidagem, com força exata para consecução da paz social.

*Delegado de polícia.

Sobre o mercado e o governo
O homem primitivo acordava de manhã, saía para coletar frutas, abater animais e pescar peixes, e assim ele se alimentava. Ao fim do dia, cobria-se co...
Logística reversa: pensamento sustentável pelas gerações futuras
Incertezas são o que mais temos, porém ideias norteadoras e essenciais para a construção de um futuro mais sustentável já existem. Não podemos ignora...
Quando, também na escola, se dialoga sobre as religiões
Temos percebido uma crescente preocupação acerca do papel social da escola e da educação que acontece neste espaçotempo. Numa perspectiva de sociedad...
19 anos de Código de Trânsito Brasileiro
No dia 22/01/17, o atual Código de Trânsito Brasileiro completa 19 anos de vigência. Após 31 Leis que o alteraram, com o complemento de 655 Resoluçõe...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions