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12/12/2013 08:19

Tornar-se humano

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Aos seres humanos foi ofertada a Terra como morada transitória para o fortalecimento e o desenvolvimento espiritual, com direitos iguais para todos os povos. Aqui, neste planeta, deveria prevalecer o esforço de cada indivíduo para se tornar um verdadeiro ser humano. A cultura africana tinha consciência disso, enquanto os povos em geral enveredavam pela alienação da vida real, agarrando-se ao materialismo e ao poder terreno. Isso explica o comportamento moderado de Nelson Mandela, privado de sua liberdade por 27 anos para que não causasse prejuízos àqueles que auferiam vantagens econômicas na região. Mandela não tinha obsessão pelo poder, por isso os líderes insensíveis, que não vacilavam em causar sofrimentos a outros para satisfazer suas cobiças, não o compreendiam. Eleito para a presidência da África do Sul em 1994, recusou-se a ser reeleito em 1999.

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Pobre população fragilizada. Não era o bastante a precariedade da mobilidade, das moradias, na falta de saneamento, no declínio na qualidade das famílias e na educação. Agora eles e praticamente as pessoas de todas as nações enfrentam a civilização do medo e insegurança, que aumenta a inquietação e leva ao engodo de alguma melhora ao adquirir bens como meio de alívio da tensão, sem compreender que se trata de um paliativo que logo perde o efeito, pois falta uma perspectiva de futuro melhor e duradouro. Nosso mundo poderia e deveria ser bem melhor.

Nas novas gerações percebe-se inquietação da mesma espécie, com outra aparência. Devido às rápidas mudanças em andamento, os jovens se apegam a outros valores, querem se permitir aproveitar os momentos sem se comprometer, mas também não conseguem aplacar a inquietação que os domina, pois da mesma forma não percebem a essência do problema íntimo, próprio do ser humano que é inconscientemente impelido para a busca de sentido.

Os jovens não querem ficar presos a um local, a uma atividade específica. A inquietação os impele para algo desconhecido. Não sabem o que querem porque não conseguem ouvir o íntimo exortador que quer o despertar da essência, do eu interior. O homem se tornou o parasita imediatista que não respeita as leis naturais e, com isso, vai sugando a energia da natureza até exauri-la. Agora o planeta está no limite e a natureza mostra a sua revolta contra essa irresponsabilidade. Há um sério problema na Educação. Muitas coisas mudaram. Há grande instabilidade. Os jovens querem aproveitar a vida, mas não a compreendem.

A tecnologia está contribuindo para o enrijecimento das rotinas e as pessoas vão se distanciando do sentido da vida. Uma possibilidade de fazer um contraponto seria despertar nas crianças o interesse pela lógica da natureza, suas causas, seus efeitos, a naturalidade dos animais e plantas, tudo no intuito de abrir a mente com amplitude e profundidade para que elas aprendessem a se situar num mundo interdependente no qual todos podem contribuir para a melhora de todos.

Segundo Mandela, a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo. No Brasil enfrentamos um descuido muito grave, que vem desde o Império, agravado com a desagregação familiar, influência da TV, mudanças bruscas na forma de viver e trabalhar. Como poderemos motivar tantos jovens a estudar? Como dar um sentido mais sério à sua existência? Uma tarefa para todos nós, para as empresas, governo e universidades, ou estaremos diante de uma inevitável decadência e retrocesso.

Na atual fase de medos e consumismo, poucas são as almas que buscam a compreensão dos problemas que afligem a humanidade, e as soluções reais para resolvê-los. Poucos buscam conhecer os mistérios da vida e da Criação. Todos nós nascemos como humanos, mas por incrível que pareça, temos de nos humanizar, isto é, nos tornamos seres humanos de fato. Ao escrever a Mensagem do Graal, Abdruschin queria chamar a atenção para esse fato visando elevar o ser humano e a cultura, mostrando as consequências de a humanidade não ter olhado para isso mais atentamente. Quando houver consciência de que não somos donos do planeta, o qual habitamos transitoriamente, a paz surgirá através do servir.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, e associado ao Rotary Club São Paulo. Realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros “Conversando com o homem sábio”, “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”, e “2012...e depois?”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

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Parabéns, Benedicto pela matéria que bem expressa a sua consciência da realidade. O mundo está mesmo caminhando para um retrocesso humanário e de valores verdadeiros. Estamos carentes de líderes sensíveis de de boa vontade, como o grande Nelson Mandela.
 
Plinio Rubert Gardin em 12/12/2013 17:48:15
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