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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

06/04/2011 13:12

Moradores têm até dia 24 para desocupar Edifício Anache em Corumbá

Jorge Almoas
Laudos dos bombeiros, Crea-MS e Defesa Civil apontam situação de risco para moradores e população do entorno do edifício (Foto: Diário Online)Laudos dos bombeiros, Crea-MS e Defesa Civil apontam situação de risco para moradores e população do entorno do edifício (Foto: Diário Online)

A Justiça determinou que os moradores do Edifício Anache, em Corumbá, desocupem o prédio até o dia 24 de abril, domingo de Páscoa. Após o prazo, o prédio será lacrado, para reforma, além de laudos que comprovem a segurança do local.

Caso a saída não seja espontânea, a justiça poderá fazer a remoção por meio de oficial de justiça, com apoio de força policial. Os próprios moradores que deverão realizar a reforma do local, fixou a decisão judicial.

O Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de MS) emitiram laudos detalhando a estrutura comprometida do edifício, que faz parte da história arquitetônica de Mato Grosso do Sul.

“A situação é muito grave e os riscos são muitos. Existe risco de cair janela, de incêndio; de desabamento parcial ou total do prédio. Esses riscos não são apenas dos moradores, mas para a coletividade como um todo”, disse Eduardo Eugênio Siravegna Júnior, juiz da Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos.

Em 2009, o Crea-MS realizou verificação no prédio e constatou que a evacuação do Edifício Anache e a reforma eram medidas imediatas, de modo a garantir a segurança dos moradores e de toda a área de entorno.

Segundo o conselho, a estrutura do prédio está boa, mas a reforma abrangeria as partes elétrica, hidráulica, incêndio e acessibilidade. Todas as adequações levariam cerca de um ano.

O prédio data de 1959 e faz parte do patrimônio histórico.

Com informações do Diário Corumbaense

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Com relação à notícia sobre o "Edifício Anache", gostaria de fornecer alguns dados históricos sobre o mesmo, sem entrar no mérito da questão, pois desconheço detalhes do processo judicial citado na reportagem.
O Edifício em questão não foi inaugurado em 1959, mas em 1970 ou 1971, segundo informação do meu pai, Armando Anache, que foi o empresário responsável pela obra, juntamente com o supervisor e arquiteto e ex-prefeito José Sebastião Cândia, que fazia a fiscalização pela Prefeitura de Corumbá. O projeto é do engenheiro Anees Salim Saad. O mestre-de-obras foi o competente José Ferreira de Farias, o saudoso "Zé Paraguai", que já havia participado das construções de dois edifícios da família, em anos anteriores. Também o meu avô, Daniel Joaquim d'Amorim, construtor português, participou das obras, ao lado dos seus irmãos.
O nome correto é Edifício Zahran Anache, mulher de Farjalla Anache que, ao seu lado e dos filhos Mansur, Zaquias e Ângela, chegou a Corumbá em 1924, pelo rio Paraguai e a bordo do navio Iguatemy, depois da travessia do Atlântico. Fugiam da guerra no Oriente Médio.
O Edifício Farjalla Anache, este sim, foi inaugurado em 1959. Situado na rua De Lamare 1254, seus primeiros moradores foram Armando Anache e Neuza de Amorim Anache, que haviam casado recentemente, em 4 de julho de 1959. Outros irmãos da família Anache também foram morar no edifício.
Em 1957, o empresário Armando Anache, juntamente com o seu pai Farjalla Anache (que morreria de infarto, no Rio de Janeiro, em 1961) e irmãos, inaugurou o edifício ao lado do Farjalla Anache, mais baixo, com apenas um andar, além do térreo, na mesma rua De Lamare 1274 (Existem dois salões no térreo, dois apartamentos no número 1274 - onde foi instalada a rádio Clube, depois do incêndio de 1977 - e quatro apartamentos no 1º andar).
Conforme o colega Marcelo Fernandes escreve, baseado em entrevista do presidente do CREA-MS, engenheiro Jary de Carvalho e Castro, "a parte estrutural está boa...". Também o colega Jorge Almoas, no penúltimo parágrafo da notícia publicada no Campo Grande News, destaca: "Segundo o conselho [CREA-MS], a estrutura do prédio está boa..."
Lembro, ainda, que o Edifício Zahran Anache foi construído de acordo com as normas técnicas de Engenharia vigentes naquele período de fim dos anos 1960 e início da década de 1970.
No térreo, o Cine Anache foi inaugurado em 1964. Portanto, a construção do Edifício Zahran Anache durou seis ou sete anos. Cada andar, de um total de 12, mais duas sobrelojas, era levantado conforme a disponibilidade de dinheiro ganho de forma honesta e com origem legalmente comprovada, no caixa das empresas que formavam a Organização Farjalla Anache.
A foto exibida pelo Campo Grande News - fornecida pelo Diário Online, de Corumbá - mostra a lateral oeste, original do Edifício Zahran Anache. Com a reforma e nova pintura, ambas as laterais ficarão novas. Quanto a frente do edifício, permanece nova como na época da inauguração, pois foi coberta com pastilhas, conforme o projeto original de Anees Salim Saad.
Pelo conjunto das obras realizadas pela família Anache em Corumbá, a Câmara de Vereadores resolveu, em 13 de junho de 1970, por meio do Decreto Legislativo Nº 1, de 19 de maio de 1970, proposto pelo vereador Renato dos Santos e aprovado pelos demais pares, conceder ao empresário Armando Anache, o título de "Cidadão Benfeitor Corumbaense", cujo diploma tem as assinaturas do presidente Carlos Ronald Albaneze e da primeira-secretária Aurélia de Figueiredo.
Até hoje, aos 80 anos de idade, o meu pai, Armando Anache, repete: "Meu filho, construir os três edifícios e o cinema, na rua De Lamare, constituiu uma luta árdua, envolvendo todos os sonhos de uma família de pais imigrantes. Por isso, gostaria que as pessoas pudessem contar quantos tijolos, aos longo de todos esses anos, levantamos em nome do progresso e do desenvolvimento de Corumbá. Atirar pedras para destruir é muito fácil; difícil é construir ou reformar, com muito esforço e dedicação e contando apenas – e não poderia ser de outra forma – com dinheiro obtido licitamente e com muito suor, nesta fronteira do Brasil com a Bolívia."
Sendo o que tinha para o momento, e certo da correção de fatos e datas históricas pelos caros colegas, aproveito para agradecer, antecipadamente, a sua atenção, ao mesmo tempo em que renovo meus protestos de alta estima às equipes do "Campo Grande News" e "Diário Online".
 
Armando de Amorim Anache em 06/04/2011 05:27:00
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