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07/06/2016 08:36

A educação e a ilusão do pré-sal

Mário Sérgio Lorenzetto
A educação e a ilusão do pré-sal

O Brasil investe aproximadamente 5,2% do seu PIB em educação. Seriam os investimentos atuais suficientes? A resposta é não pelo menos por dois motivos fundamentais: o atraso educacional que precisaria ser superado e o tamanho da população a ser escolarizada. Nenhum país do mundo conseguiu escolarizar sua população com tão pouco.

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E o pior, o atraso educacional é crescente e não decrescente - hoje, uma em cada quatro crianças abandona a escola antes de completar o ensino fundamental e quase a metade dos jovens já estará excluída do sistema antes de completar o ensino médio. A cada ano quase 1,5 milhão de pessoas tem entrado na idade adulta e no mundo do trabalho sem completar o ensino médio, das quais perto de 900 mil nem sequer completaram o ensino fundamental. A necessidade é de aportarmos 10% do PIB nacional para a educação.

O pré-sal educacional não passou de uma amarga ilusão. Mais um blefe do governo Dilma. Todos engoliram a propaganda e não fizeram as contas. Os recursos que o pré-sal poderia aportar na educação seriam ínfimos. Façamos a estimativa. Se fosse produzido o equivalente a um milhão de barris de petróleo por dia, a um preço da ordem de US$50 o barril e com 10% do valor da produção convertido em recursos para a educação, o total gerado corresponderia a 0,1% do PIB nacional.

Esse é um valor irrisório perante os cerca de 5% do PIB que faltam ao setor. Poderiam argumentar que um pouco é melhor que nada. Nesse caso, um pouco é pior que nada, e não melhor. Esse 0,1% criou a ilusão, como consequência do discurso eufórico dos recursos do pré-sal, de que o problema estava sendo enfrentado. Em verdade estava camuflado, adiado e agravado.

A educação e a ilusão do pré-sal

A pena de morte usada no combate às drogas no Irã.

O Irã deixou de ser o "eixo do mal", como os norte-americanos o denominavam. O país "respira" alguma democracia. Vinte anos se passaram quando os "Heyât" - comitês de bairro - organizavam seguidas marchas contra a "arrogância ocidental". Por outro lado, os partidos de esquerda - aliados dos "revolucionários islâmicos - foram proibidos e seus militantes passaram muitos anos encarcerados. Sindicatos e associações tiveram o mesmo destino.

Para contornar a proibição de bebidas alcoólicas, produzem vinhos nas residências. Os mais abastados, compram uísque no mercado negro. Mas as bebidas alcoólicas não são um problema importante para a megalópole que é Teerã, a capital do Irã. Ela conta com mais de 13 milhões de habitantes, construída segundo o modelo urbano de Los Angeles (USA), está desfigurada por centenas de quilômetros de engarrafamento e perigosa por causa dos traficantes de drogas pesadas. Pode-se afirmar que o sonho dos iranianos é ter um problema como o da maconha.

O uso de drogas tornou-se maciço. Quase três mil mortes por anos estão diretamente ligadas às drogas. O Irã representa 74% das apreensões mundiais de ópio e 25% das de heroína e morfina. Os dois mil quilômetros de fronteira comum com o Afeganistão, maior produtor de papoula do planeta, favorecem as importações e o trânsito das drogas. Mas o Irão também se tornou um importante produtor de drogas químicas, em particular os "cristais" de metanfetamina. Aos olhos das autoridades, metade constituída por religiosos muçulmanos, a luta contra o tráfico justifica uma repressão feroz. Uma das mais ferozes do mundo. A quase totalidade dos 977 condenados à morte executados no ano passado foi presa por causa das drogas.

E vários milhares de presidiários aguardam o enforcamento em 2016, também por causa do tráfico de drogas. Inclusive menores. O número de usuários e de traficantes cresce exponencialmente, especialmente daqueles que saem da zona rural para as cidades. O Irã é uma sociedade conservadora, onde tudo é proibido, as leis tem penas elevadíssimas que só fazem crescer o consumo e tráfico. Lá, como no Brasil, o usuário de drogas que deseja abandonar o vício tem de se virar sozinho, o Estado finge que não vê o problema, só combate o tráfico.

A educação e a ilusão do pré-sal

Vestindo maconha.

A China é a maior produtora, consumidora e importadora de algodão do planeta. A China´s Hemp Research Centre, instituto do governo chinês, estuda o uso do cânhamo, fibra produzida com a mesma planta que dá origem à maconha, para substituir o algodão. De acordo com esse órgão, pouco mais de 1 milhão de hectares de maconha plantada substituiriam 5 milhões de hectares destinados ao algodão. A ideia é sobrar mais terra para o plantio de alimentos. O consumo e a posse de maconha para fins recreativos são proibidos na China. Vestir maconha é liberado.

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Lugar de criança é no trabalho?

Policiais e crianças bolivianas entraram em enfrentamento. As crianças protestavam pelo direito de trabalhar. Evo Morales, Presidente da Bolívia, celebrado e entronizado pelos socialistas brasileiros como um dos dirigentes mais progressistas do mundo, disse que fora ao protesto para escutar as crianças. Assim, Morales, decidiu baixar a idade legal de trabalho de 14 para 10 anos. A decisão surpreendeu o mundo, choveram impropérios de muitos governantes, menos do governo brasileiro de Dilma e do Peru.

Não deveria surpreender que o Peru não tenha se posicionado pela atitude de Evo Morales. Peru e Bolívia são os dois países da América do Sul que apresentam os maiores índices de trabalho infantil, entre crianças e jovens de 6 a 17 anos. quase 28% no Peru e 30% na Bolívia. Em suas respectivas zonas rurais, a realidade é ainda mais perversa para as crianças: quase 65% das crianças peruanas que vivem na zona rural estão trabalhando. Na Bolívia a taxa de crianças da zona rural ocupando postos de trabalho é de 47%.

Esses números podem ser descritos por casos tão diversos quanto a de uma menina que ajuda a avó a vender frutas e legumes como a de um adolescente que lava para-brisas quinze horas por dia e se prostitui à noite para cobrir os gastos básicos de seus irmãos e irmãs. O trabalho infantil e adolescente - que não implica necessariamente em uma remuneração pecuniária - se concentra na agricultura, criação, artesanato, comércio e trabalhos domésticos.

A consequência é que muitos deixam de se matricular na escola ou abandonam os estudos após um ano, e a renda familiar passa a se apoiar, em grande parte, em suas atividades. Infringindo as convenções internacionais - que proíbem o trabalho antes dos 14 anos - o parlamento boliviano aprovou o Estatuto da Criança e do Adolescente, que autoriza o trabalho a partir dos 10 anos. Para o presidente boliviano, contudo, pouco importa. Referindo-se à própria história, Evo Morales ressaltou os aspectos positivos do trabalho dos mais jovens como um vetor de formação e solidariedade no seio das famílias. Evo Morales é um "revolucionário".




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