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16/04/2015 07:00

A Síndrome Genovese e a revolução no atendimento policial

Mário Sérgio Lorenzetto
A Síndrome Genovese e a revolução no atendimento policial

Kitty Genovese foi cortada inúmeras vezes por um homem na calçada em frente ao prédio onde residia. Eram três horas da madrugada. Ela havia descido de seu carro ao chegar em frente ao prédio onde residia. Kitty era gerente de um bar e pela demora de alguns bêbados havia saído do trabalho bem tarde. Um homem acompanhou a tentativa de assassinato e gritou, pela janela, para que o assassino parasse. Não surtiu efeito. Foi em direção ao telefone para ligar para a polícia, mas sua esposa fez com que ele retrocedesse e nada fizesse. Um amigo, e vizinho, de Kitty abriu a porta do apartamento e o assassino o mandou fechar. Ele não só atendeu a ordem do monstro como ficou estático. Uma senhora viu pela janela o ataque brutal e também nada fez. De acordo com os relatos jornalísticos da época - corria o ano de 1964 - outras 38 pessoas assistiram o brutal assassinato. Isso mesmo, 38 pessoas assistindo de suas janelas e vãos de portas uma mulher ser assassinada.

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Com os gritos de Kitty, o assassino retornou ao seu carro e foi embora. Passados dez minutos, ele retornou ao local do crime, com a certeza de que ninguém acudiria Kitty Genovese. E assim aconteceu. Ela estava ferida. E ele a perfurou outras inúmeras vezes e ainda a estuprou. Só parou quando a melhor amiga de Kitty, uma mulher com menos de 1,50 m de altura a acudiu e fez o monstro correr. Foram 30 minutos de massacre com um intervalo de 10 minutos.

Kitty faleceu dentro de uma ambulância. Levou muito tempo para a polícia e o socorro médico aparecerem. Quando a polícia fez seu trabalho de inquirir os vizinhos, o assassino foi descrito como branco por alguns, e negro por outros. Alto para muitos, e de estatura mediana para outras pessoas. Magro para vários vizinhos de Kitty, e forte para a outra metade. Uma bagunça sem sentido que só fez a polícia perder tempo. Após 6 dias, a polícia encontrou o assassino. Ele disse que já tinha assassinado e estuprado outras mulheres e sabia que quanto maior o número de testemunhas, maiores eram as chances de ninguém telefonar para a polícia. Foi uma "lição" determinante para mudar os rumos do atendimento policial.

O jornal N.York Times em conjunto com o chefe da polícia fez uma longa e intensa campanha para que ocorresse uma mudança radical no atendimento telefônico policial. Até então um membro da corporação ficava de plantão e mal humorado mandava "cuidar de sua vida" para aqueles que telefonassem em busca de socorro. Todos os atendimentos telefônicos policiais e das ambulâncias foram mudados para o mesmo padrão que temos até hoje. No mundo todo. A Síndrome Genovese passou a ser descrita nos anais policiais como sendo a insensibilidade e apatia social frente a um crime. A Síndrome continua.

A Síndrome Genovese e a revolução no atendimento policial
A Síndrome Genovese e a revolução no atendimento policial

Nem sempre é possível terceirizar a responsabilidade da administração da cidade.

Temos a tradição de terceirizar a responsabilidade de como a nossa cidade deve ser administrada. Mas isso nem sempre é válido. O momento atual é, no mínimo, preocupante. Há unanimidade: a cidade está parando e os seus mandatários não apresentam respostas. Mas a cidade somos todos nós. Não queremos apenas saber dos problemas, desejamos soluções e elas não aparecem. Temos de zelar pelo espaço público. Construir uma nova relação entre os cidadãos e sua cidade. Uma relação que cada vez menos se resume a ter o dever de pagar impostos e o direito de receber serviços públicos em troca. Existe uma grande quantidade de pessoas que desejam se engajar, ser parte da solução.

Há exemplos de participação popular pelo mundo todo. Em Istambul, na Turquia, uma máquina automática recebe latas e garrafas pet, em troca, oferece ração para cachorros de rua. No Rio de Janeiro começará a troca de objetos recicláveis por um ticket de metrô. Em Rotterdam, na Holanda, os próprios cidadãos se mobilizaram para construir uma passarela de madeira, devido à falta de interesse da prefeitura em erguê-la. Em São Paulo, um homem que se exercita correndo na rua concebeu um aplicativo com GPS, que lhe permite com apenas um clique, notificar um vazamento de gás à empresa concessionária no momento em que está correndo e sente o cheiro. Centenas de paulistas já estão usando o aplicativo colaborativo.

Estas e muitas outras ideias são exemplos de como as relações entre os cidadãos e sua cidade vem mudando nos últimos anos. Uma cidade tem de ser criativa. Já não basta ficar aguardando uma boa administração ou apenas os atos de reclamar e denunciar. Não está surtindo efeito. Talvez a solução esteja em uma "PPPP": parceria-popular-público-privada.

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Chegou a hora dos cartões de crédito desaparecerem?

Ainda estamos usando uma tecnologia de pagamento que não mudou em mais de 50 anos. Carregamos um pedaço de plástico com uma faixa facilmente desmagnetizada, que tem seu número hackeado ou roubado frequentemente. Por que não influenciar para que as pessoas realizem pagamentos via seus telefones celulares? Agindo assim não precisaríamos carregar outro instrumento de pagamento uma vez que não nos separamos dos celulares. É conveniente, rápido e seguro.

O problema é que quatro imensas empresas estão tentando tornar-se o primeiro sucesso de pagamento por telefone. Elas estão atacando o problema do cartão de crédito separadamente, agindo como se fossem inimigas umas das outras. E nós somos os perdedores.

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Qual delas vencerá? Talvez nenhuma.

Cartões de crédito deixam todos os envolvidos felizes. Eles dão dinheiro aos bancos, vendas às lojas e conveniência aos consumidores. Em outras palavras, todo mundo tem interesse em resolver os problemas de fraude. E enquanto os interesses das grandes empresas desperdiçam sua "janela de oportunidades", cartões tradicionais estão prestes a resolver suas vulnerabilidades. Os cartões de crédito estão próximos de se tornar mais seguros. Todos eles terão apenas um chip, sem a malfadada faixa magnética. Para encorajar vendedores a instalar leitores de cartão compatíveis com a "nova tecnologia" (não é tão nova), a Visa, MasterCard Amex e Discover anunciaram que, em outubro, não vão mais aceitar a responsabilidade por compras fraudulentas realizadas com cartões magnéticos. Elas jogarão essa responsabilidade para os comerciantes.

Para fãs de tecnologia e para os mais jovens, pagar com o sacudir de um celular é divertido, rápido e seguro. Um dia, tudo o que carregaremos enquanto fazermos compras será um telefone. Graças às brigas e à ganância corporativa, esse dia está cada vez mais distante.

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