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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016



25/11/2011 07:15

Zorrillo: viagem dos mundos aos centros da amizade

Grandezas da Literatura

Zorrillo de Almeida Sobrinho (28/3/1927-25/12/2009), poeta cronista premiado, escritor alquimista, alpinista da amizade, iniciático frater.

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São muitas as obras publicadas nos caminhos labirintos que se intrincam no mundo ao sabor dos que puderem entendê-lo em profundidade (15 títulos), portanto paramos um pouco, agora, apenas na estação em que ele publicou “Meus Amigos de Outrora – ou Crônica de Meus Amigos Queridos”. No ano de 2006 pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp).

Fortalezense radicado em Campo Grande depois de amar morando em várias cidades brasileiras. Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, cadeira 25 – patrono Arnaldo Serra, substituíra Luís Alexandre de Oliveira.

A história dele é um pedaço da história do mundo.

Orós, no Ceará, meados do século passado, teve história de febre tifóide que não conseguiu arrastá-lo nem a sua mamãe, mesmo havendo tentado.

Enquanto isso, lutando para viver da origem humilde, via para narrar depois, até suicídios de contemporâneos por conta de ciúmes e amores desfeitos. Cheirando vida, encontrou e valorizou alimentos divinos, aí entrando o seu senso de amizade que a tudo atrai e ama tal a coalhada de padrinho Nicodemos, nutrindo memória de espiritualidade evanescente da culinária.

Tudo é vida ativa nesse homem às vezes parecido agnóstico, outras, panteísta, espiritualista extático, outras serena e humildemente quedado num cantinho de experiência, aguardando a vida que passe fora de seu controle. Amigo da Escola. Enganar-se-á, quem o vir simplório pelas histórias ou estórias comuns. Ele era altamente clássico na defi nição “da mais alta qualidade” com aparências simples, e contava, pelos entremeios das narrativas das amizades reais, que cultivou a cultura mais secreta de todas as artes, profi ssões, luz.

Na família encontrava a santidade. Nele eu vejo a santidade; pensando com sua madrinha Cecília, e num tempo em que “vivia-se só para viver”, ele aprendia fazer viver e assim o faz e fará, ainda. Lembrava saudoso de quando todos conheciam todos em sua terra natal. Favores e vivências. Trocas, doações desinteressadas.

Zorrillo, a sua aura é inocente. Gotas espirituais de pétalas envolventes dão colorido à sua alma, sempre um pouco confusa diante do céu que lhe rodeia o íntimo.

Luziu de tanto ver beleza e bondade nos outros. Não ligava religião. Ligava amor, natureza. Ligava amizade. Amou a benemerência. Por isso sua sensibilidade interna imortaliza todas as pessoas, todas as artes que imagina e apreende. Aprende gente. A humanidade tem nome de espíritas, católicos, religiosos de todas as denominações, místicos de toda ordem. Os nomes são simples como o de Tozinho, Batista, Mariazinha, Nonato, José. Cada nome é uma sentença cósmica, pessoas comuns que se agigantam em seu universo.

Os estreitos, as escadas, as ruas, as vilas, as cidades, os estados deste país saem novos da língua no escrever do simples vivido pelo nosso amiguinho Zorrillo. Você sabe muitas escolhas e muitas escolas. Sabe as pessoas. Deus lhe sabe.

Em “Visualização XIV” o autor nos fala de “mágoas sem fi m que nos afligem”. Poderia ser apenas a má vontade da colega de serviço dona Perpétua, do “Capítulo V” ou a fatalidade da morte lembrada de quando em vez. As guerras que presenciou, aprendendo a exorcizar, à força da pena, as forças reacionárias e obscurantistas. Certo, vemos também que as origens dessas dores são cismas de intimidade, fruto das perguntas que a nossa alma profere ao infi nito. Consolam-nos: a fi losofi a, a história, as ciências, os folclores, os amigos, os amores de que nós e Zorrillo tanto necessitamos; e ainda o que ele diz: “algumas finezas daquelas que a gente nunca paga”.

Ama Aldenora, a esposa. Um homem psicométrico poderia medir a eternidade dos dois, lado a lado neste tempo que sempre será tão curto aos nossos olhos efêmeros.

Saudamos o seu outono. Não sabemos de todo interpretar seu sorriso e seu silêncio. Sabemos, porém, que tudo parecente vago em sua personalidade era algo, ao felizardo entendedor, de profundo significado.

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Nesse mundo novo da internet, basta um nome e podemos cair num mundo de recordações. A gargalhada do " seu Zorrilo" com certeza continua acompanhando o volão do Chico Roberto.
 
Rogério Barbosa em 16/05/2012 09:44:10
Parabéns pelo artigo muito bem redigido sobre esse homem que tanto se fez presente em minha vida. Meu pai, avô e mestre! Saudades eternas de quem me viu dar os primeiros passos em direção à vida!
 
Christiane Mesquita em 26/11/2011 01:40:28
Como contabilista que sou, conheci o contribuinte Sr. Zorrillo por volta do ano 1998, fui seu contabilista para o IMPOSTO DE RENDA, éramos vizinhos na Rua Camilo Boni na vila Alba, ser humano maravilhoso, um vozinho que todo neto gostaria de ter, tinha uma mente aberta, homem culto e muito inteligente fico orgulhoso em te-lo servido.
 
ALMIRO PEREIRA DE SOUZA em 25/11/2011 11:38:00
Muito obrigada pelo belíssimo artigo, é difícil encontrar palavras... o que posso dizer é que meu avô era o mais amado e querido e que conviver com ele foi um privilégio e que saudade realmente não tem fim! Obrigada!
 
Clarice Mesquita em 25/11/2011 08:14:43
Conheci o Sr. Zorrillo no ano de 1977, no Estado do Amazonas. A partir dali, fomos nos tornando amigos. Tive o prazer de compartilhar do convívio de sua família. Possuo quase todas as suas publicações, inclusive tendo a satisfação de colaborar em algumas na parte de formatação, capa, etc.
Fiquei feliz em ver a matéria e parabenizo o articulista por isto.
 
EDSON TROMBINE LEITE em 25/11/2011 07:38:49
Fico Feliz por ler um artigo sobre meu amado e querido pai,um homem inteligente,culto,bom ,apaixonante e um pai amável,compreensivo.Ainda ouço sua gargalhada maravilhosa,sinto suas mãos quentes,seu abraço caloroso,vejo seu olhar doce...Que saudades...Vivi 43 anos com ele,mas foi pouco.Quis DEUS levá-lo para ouvir o coro dos anjos...E hoje ele escreve vendo o paraíso multicolorido...Obrigada!
 
MARÍLIA MESQUITA DE ALMEIDA WEILER em 25/11/2011 03:20:17
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