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01/08/2013 06:49

Do caipira à música preta brasileira, Bonito abre as portas para a cultura

Paula Maciulevicius
Quando a cidade respira cultura, não importa de quem for o pulmão, vai expirar música. (Fotos: Marcos Ermínio)Quando a cidade respira cultura, não importa de quem for o pulmão, vai expirar música. (Fotos: Marcos Ermínio)

Ele abriu o primeiro e agora volta para o 14º. Aos 62 anos, foi a viola "marvada" de Renato Teixeira que acendeu as luzes do Festival de Inverno de Bonito para um público da terra. Do peão à freira bonitense, teve até criança sabendo cantar moda por inteiro. É que quando a cidade respira cultura, não importa de quem for o pulmão, vai expirar música.

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Ao lado dos filhos, Chico Teixeira no violão de duas cordas e João Lavras do baixo, Renato Teixeira anuncia a sexta geração de músicos da família. A plateia seguia o espírito do palco e era bem família. Aos poucos os casacos foram tomando espaço em meio às canções. O Festival fez jus ao nome e durante a noite, Bonito registrou 13°C.

Renato nem precisou tocar os primeiros acordes que a emoção foi colocada na voz em coro. “Amanheceu, peguei a viola botei na sacola e fui viajar”. A familiaridade com Mato Grosso do Sul era nítida no palco e sentida também pelo público. Talvez porque a idade permita ou ele sempre tenha sido assim, mas uma coisa é certa, está para nascer músico que fique mais à vontade do que Renato Teixeira em terras pantaneiras.

Antes de ele subir ao palco, tinha freira dizendo que ia embora. Por ser tarde, a irmã Maria Isabel Guilherme, de 52 anos, ia, junto do hábito se recolher, mas não é que o Lado B depois a pega no flagra em Menino da Porteira. “A gente sempre vem pra dar uma visitada e eu estou adorando. Está muito enfeitado. É assim que fala? E como começou cedo, eu fiquei”. É irmã Maria, é assim que se fala mesmo.

Irmã Maria Isabel diz que não ia ficar para o show por ser tarde, mas cantou junto de Renato, Menino da Porteira.Irmã Maria Isabel diz que não ia ficar para o show por ser tarde, mas cantou junto de Renato, Menino da Porteira.

Foi só o berrante tocar, para Maria Fernanda, de 10 anos, desembestar a cantar de fazer inveja. A paranaense veio com a família da Umuarama pra cantar de cabo a rabo “Menino da Porteira”.

Questionada do porquê sabe cantarolar todos os versos, ela respondeu “eu ouço de vez em quando com o meu pai e gosto”, diz. O pai é o produtor rural Luís Fernando de Oliveira, de 38 anos, que descobriu o Festival em 2011 e hoje volta pela segunda vez.

“Não é só a questão da música, é cultura, arte, um espaço muito bem aproveitado. No Paraná não tem nada parecido com isso e a gente acha que aqui se respira cultura. É artista de rua, é show e uma iniciativa de graça ou com preços populares”, elogia.

E para quem pensa que o ícone do Caipira, Sertanejo, ou seja lá que classificação for, tem preconceito com o que ouve nas modas hoje em dia, mero engano. Não é que com 40 anos de carreira, ele assumiu tocar o tal do Sertanejo Universitário? Numa pegada meio ‘blues’ ele tocou e cantor Vida Boa de Victor e Léo dizendo “é o sertanejo universitário para vocês da melhor qualidade”.

Durante entrevista coletiva, Renato Teixeira é daquelas que responde tanto sobre tudo que chega a perguntar o que era a interrogação do repórter. E pelas explicações e comentários do violeiro, nem a gente mesmo se lembra o que havia perguntado.

Usando a lembrança do 1º para este Festival, ele falou do progresso que o Brasil tem vivido com condições melhores de apresentações aos músicos. “Não é mais brincadeira não”.

Mais do que familiarizado com MS, Renato Teixeira fala que hoje, o caipira ganhou horário nobre.Mais do que familiarizado com MS, Renato Teixeira fala que hoje, o caipira ganhou horário nobre.

Na avaliação dele, a música caipira tem sofrido da mesma influência que todo planeta. “Até o rock veio mudando de nome, o sertanejo vem do sertão, o caipira do regional, mas no fundo tudo é um grande sertão e o que flutua no País é muita qualidade musical. A música do interior se manifestou no cenário nacional e em horário nobre”, declarou.

E não foi só de música que a primeira noite de Festival passou. Foi de reconhecimento aos mitos e lendas que formaram a história de Bonito e do Brasil. Foi de apreciar a boa música ao som de Sandra de Sá que animou a grande tenda com o orgulho de ser crioulo. Foi também de perceber que a cultura, a arte e tudo que um festival aberto promete vem se concretizando.

“A gente vê a cidade de perto, mais tranquila. Eu chego fotografando tudo, acho muito interessante e é coisa que a gente não vê fora daqui”. O depoimento é do aposentado Waldemar Teixeira, de 78 anos, que aos poucos vem se mudando pra Bonito. Ele ainda não admite, vindo com a esposa ele usa a desculpa que só vem visitar a filha. No entanto tem data da próxima viagem e vem estendendo cada vez mais os dias. É Bonito que encanta e o Festival é uma forcinha a mais.

Do caipira para o samba, hoje é dia de Diogo Nogueira. Nesta quinta-feira tem mais programação, além do artesanato, o cinema entra em foco a partir de hoje.

Programação

CINEMA
Local - Auditório Kadiwéu
17h - Jorge Mautner - O Filho do Holocausto (Brasil, Documentário, 2012, 91 min)
Direção: Pedro Bial e Heitor D’Alincourt

• JARDIM DAS LENDAS / SERPENTE IMAGINÁRIA
Local: Praça da Liberdade
Interferências públicas e personagens em estátuas vivas das lendas brasileiras, em exposição permanente durante o festival.

• ARTE PÚBLICA
Local: Praça da Liberdade
Exposição da escultura “Serpente da Gruta” com materiais recicláveis, concebidas pelo integrantes do Urban Trash Art.

• ARTE PÚBLICA
Local: Praça da Liberdade
Exposição da instalação Divina Manifestação Vegetal, obra de arte que mistura técnicas de pintura, desenho, escultura e materiais diversos como madeira de refugo, plantas, cristais e elementos de fazendas. Concepção e execução do artista Marcello Mea.

• INTERVENÇÃO URBANA
Local: Praça da Liberdade
Mostra R.U.A. (Mostra de Registros Urbanos Audiovisuais) - Profissional que se dedica à atividade criativa utilizando a linguagem audiovisual, o Videomaker também usa seu talento para registrar o que acontece nas cidades no âmbito sócio, artístico e cultural.

• TEATRO
Local: Praça da Liberdade - ESPAÇO CÊNICO
18h30 - Grupo Teatral Palco Sociedade Dramática
Espetáculo: Escurial
Classificação: 12 anos
Duração: 50 minutos
Em “O Escurial”, adaptado por Espedito di Montebranco a partir de várias adaptações da obra de Michel Ghelderode, mostra um texto expressionista, onde “o homem não vale nada”, expondo-o no seu limite mais básico. Um rei refém de sua loucura vagueia solitário e diverte-se com ela.

• TEATRO
Local: Centro de Convenções de Bonito / Auditório Guaicurus
20h - Cia Picnic
Espetáculo: Panos e Lendas
Narra a criação do mundo falando do homem, sob o olhar de dois índios as suas raízes, seus costumes, mostrando o ciclo da vida com ternura e simplicidade.

• MÚSICA
Local: Palco Fala Bonito

19h - Show Caio Ignácio
Acompanhado de outros músicos, parceiros de longa data, Caio Ignácio traz ao festival um show idealizado por ele, onde pretende levar ao público seus conceitos musicais através de suas composições. O show tem caráter interativo, onde o público pode participar com palmas, canto e também tocando.

20h - Show Forró Zen
No show "O Forró do Pantanal" a banda Forró Zen apresenta uma música alegre e extrovertida, baseada no som da sanfona, um instrumento tão pantaneiro quanto nordestino. Bonito vai receber um grande baile arrasta pé de forró nordestino com influências sul-mato-grossenses.

21h - Show Dazaranha
Vagabundos confessos, como diz a letra de uma de suas famosas músicas, o Dazaranha é um dos grupos mais expressivos de Santa Catarina. Com sucessos inconfundíveis e marcantes, chegam ao Festival de Bonito para comemorar 20 anos de carreira, estrada e muita história pra contar.

• 22h30 - SHOW DIOGO NOGUEIRA
Local: Palco da Grande Tenda
No novo show, no qual Diogo Nogueira pretende cantar o amor em todas as suas formas, o sambista apresenta, em primeira mão, músicas inéditas de sua autoria, além de novas versões, inéditas em sua voz, para grandes clássicos da MPB.
Ingressos a venda na bilheteria do local.

 

Na Grande Tenda quem animou a noite foi o nome da música preta brasileira, Sandra de Sá.Na Grande Tenda quem animou a noite foi o nome da música preta brasileira, Sandra de Sá.
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Da-lhe Dazaranha os mané daqui de Floripa presente no Festival de Bonito.
 
Reinaldo Ferraz em 01/08/2013 09:24:36
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