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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

02/04/2014 23:10

Já na Fundac, Juliana Zorzo garante "mente aberta", inclusive, sobre Parada Gay

Elverson Cardozo
Reunião no auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, na Esplanada ferroviária. (Foto: Cleber Gellio)Reunião no auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, na Esplanada ferroviária. (Foto: Cleber Gellio)

Recém nomeada diretora-presidente da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), a ex-vereadora Juliana Zorzo participou, na tarde desta quarta-feira (2), de uma reunião com o Fórum Municipal de Cultura e com representantes do setor. O encontro, o primeiro considerado oficial, aconteceu no auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, na Esplanada ferroviária.

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A ideia era discutir como vai se dar a gestão dela frente ao órgão. "Saber o que ela pensa e como vai ser”, reforça o presidente do Forúm, Vitor Samudio. O interesse é pela continuidade das políticas públicas para a cultura e garantia de gestão democrática e participativa.

O Fórum não pretendia abordar questões “polêmicas”, como o apoio ao movimento LGBT, por entender que a ex-vereadora deve saber que isso é óbvio e nem precisa ser questionado, mas, para garantir, o Lado B perguntou. Antes de compor a mesa, em entrevista ao canal, Juliana Zorzo falou sobre a gestão, elencou prioridades, comentou religião e assumiu um compromisso com Campo Grande. 

Juliana Zorzo foi nomeada diretora-presidente da Fundac no dia primeiro de abril. (Foto: Cleber Gellio)Juliana Zorzo foi nomeada diretora-presidente da Fundac no dia primeiro de abril. (Foto: Cleber Gellio)

Lado B - O que você espera dessa reunião? É o primeiro contato direto enquanto diretora-presidente da Fundação de Cultura.

Nós viemos aqui, na verdade, para ouvi-los. Estamos abertos a discussões e queremos fazer uma gestão democrática. Viemos ouvir as pessoas que fazem cultura na nossa cidade. Ouvir quais os anseios, dificuldades e como podemos trabalhar da melhor maneira possível para disseminar a cultura na nossa Capital.

Lado B -Já definiu alguma prioridade?

A prioridade é colocar a casa em ordem. Estamos em uma UTI e temos que resolver o que ficou e o que tem de pagamento atrasado. Como primeira ação, queremos que seja lançado, até o final desse mês, o edital do FMIC [Fundo Municipal de Investimentos Culturais] e Fomteatro [Programa Municipal de Fomento ao Teatro] e também que seja decretado, pelo prefeito, o Sistema Municipal de Cultura. Estamos trabalhando para isso.

Lado B -O orçamento de 1% para Cultura foi aprovado, mas em que pé está?

Esse orçamento fica na Seplanfic [Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Controle] e estamos trabalhando para que ele venha para a cultura e para que seja realmente aplicado.

Lado B -Você é evangélica. Acha que isso pode, de alguma forma, atrapalhar sua gestão?

De forma alguma. Ali nós vamos fazer uma gestão pública, cultural, para todos. Vamos ser daltônicos e surdos, digamos assim, para poder receber as pessoas. Todo mundo terá o mesmo tratamento e o mesmo espaço. Queremos uma gestão democrática. Minha religião é problema meu e na minha casa, com minha família. Cada um tem uma fé a propagar. Cada um acredita em uma coisa, mas na cultura precisamos respeitar e ter a mente aberta.

Lado B -Mas existe certo receio. No ano passado, por exemplo, você votou contra uma moção de congratulação em homenagem ao mister gay (vencedor do Mister Brasil Diversidade 2013).

Eu votei contra porque acho que não se deve fazer moção de congratulação para isso. Não é um evento que eu concordo, que eu acredito e que eu deva aplaudir. Eu respeito o evento. O que eu precisar fazer eu vou fazer, mas não é uma coisa que eu vou dar uma moção de congratulação e aplaudir.

Lado B -Negar uma moção como essa não é muito arriscado para alguém que vai gerir uma Fundação de Cultura? 

Não estou apoiando, mas cada um tem sua fé. É diversidade, não é verdade? Cada um acredita em uma coisa, mas não é por isso que eu não vou estender a mão para todo mundo, cuidar de todo mundo e deixar de respeitar todo mundo e as ideias de todo mundo.

Lado B -Nós temos a parada gay aqui. Você vai estar?

Nós vamos apoiar a Parada gay, mas não sabemos como vai ser ainda.

Lado B -Na internet, antes de você assumir, fizeram algumas brincadeiras falando que, por conta da religião, a Juliana Zorzo iria dar mais atenção para a "Macha de Jesus". O que tem a dizer sobre isso?

Vou dar atenção para todo mundo. Para todo mundo.

Lado B -O que você pensa sobre o movimento LGBT em Campo Grande?

Tem crescido. Temos contato com o Julio da OAB [Júlio Valcania, advogado e presidente da Comissão de Diversidade Sexual], que é uma pessoa de extrema competência e que eu tenho conversado algumas vezes. Pretendo chamar ele para conversar lá na cultura e estar em contato.

Lado B -Qual o maior problema hoje no setor cultural em Campo Grande?

A gente vê que muitas coisas não tiveram continuidade, como oficinas... O próprio Plano Municipal não saiu do papel. É de 2010 a 2020, mas até agora ninguém fez nada. Esse filho está no nosso colo e a gente quer, pelo menos, começar.

Lado B -Desde o início, entre os movimentos culturais da cidade, você não era um nome bem cotado para assumir o cargo. Porque resolveu ir adiante?

Porque eu acredito que podemos fazer a diferença e fazer uma gestão justa com todo mundo que faz parte da cultura.

Lado B -O prefeito, assim como você , é evangélico, mas já vimos ele “transitar” por outras crenças. A Juliana Zorzo vai adotar essa mesma medida? Por exemplo: se for convidada a ir a um terreiro de candomblé, vai prestigiar?

Não digo que vou cultuar, mas vamos conversar com todo mundo sim. Não tenho preconceito nenhum com ninguém.

Lado B -O prefeito Gilmar Olarte disse, outro dia, que os evangélicos não vão viver mais de migalhas. A preocupação é justamente essa. Será que você vai prestigiar um setor e desprestigiar o outro?

Não. Vamos prestigiar todo mundo. É esse o objetivo.

Lado B -É um compromisso que você assume com Campo Grande?

Com todo mundo.

Lado B -Não precisa, então, ter receio da Juliana Zorzo na Fundac?

Não precisa ter receito comigo. Eu tenho as minhas crenças, vou continuar acreditando nelas e nada vai mudar meus princípios, mas temos que fazer uma gestão democrática.

Lado B -O que podemos esperar de sua gestão?

Podem esperar uma gestão democrática, que vai procurar não apenas fazer eventos, mas, sim, propagar cultura, de forma que ela tenha uma inserção consolidada, uma base sólida. Não vamos querer fazer apenas eventos, mas um projeto consciente nas periferias, para que todo mundo tenha acesso.

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É válido ressaltar que o Sr Júlio Valcanaia é membro da comissão LGBT da OAB e quem responde pela população LGBT de MS enquanto movimento social é o FÓRUM LGBT, que por sua vez é presidido pela Srt Cris Stefanny e fórum este que sou o vice presidente.
Outras informações a respeito nosso procurar pela comunidade/grupo FORUM LGBT no Facebook ou na ATMS (Associação de Travestis de Mato Grosso do Sul) ou na FUNDAÇÃO CASA - Centro de Apoio Social e Acompanhamento aos portadores de HIV/AIDS fone 067-4141-4011 ou 9279-4003
 
Almir Machado Guimarães em 04/04/2014 06:08:12
Que tipo de pergunta é essa: "Você é evangélica. Acha que isso pode, de alguma forma, atrapalhar sua gestão?" ??????
Na visão limitada do repórter os evangélicos "atrapalham" o mundo.
Se ela fosse de qualquer outra crença ou religião, ou mesmo ateia tenho certeza que essa pergunta ridícula não teria sido feita.
Acho que o Sr Everson Cardozo deve, no mínimo, um pedido de desculpas ao povo evangélico.
 
Aldo Barbosa de Andrade em 03/04/2014 12:09:13
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