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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

05/01/2014 15:10

UFMS deixa de investir em cultura e Sexta Astral fica só na lembrança

Zana Zaidan

A falta de incentivo aos eventos, mostras e festivais na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) deixou os estudantes com sede de cultura e sentimento de perda da "vida universitária". A Sexta Astral, que embalou toda uma geração de jovens na década de 90, e a mais recente Festa na Rampa, ficaram só na lembrança. Os alunos sintam falta de um espaço dentro da universidade para ouvir boa música e conversar

Em 2013, por exemplo, a comunidade acadêmica teve que se contentar com o FUC (Festival Universitário da Canção), as esporádicas apresentações da Banda Sinfônica e do Coral da UFMS, e com o Circuito Universitário de Música (que, neste ano, excluiu o campus de Campo Grande).

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Os projetos, contam os alunos, são focados no público externo da universidade, em detrimento das propostas da própria comunidade acadêmica, que enfrenta "enorme burocracia" para liberação de eventos. "É tanta que torna quase impossível a concretização", diz um dos representantes do DCE (Diretório Central Acadêmico) Matheus Carneiro, 19 anos, que cursa Engenharia Elétrica.

O FUC foi um dos poucos projetos culturais promovidos pela UFMS em 2013 (Foto: Reprodução)O FUC foi um dos poucos projetos culturais promovidos pela UFMS em 2013 (Foto: Reprodução)

“Uma das nossas brigas é ocupar espaços ociosos da universidade, e receber todos de forma democrática, respeitando a pluralidade de culturas”, acrescenta a acadêmica e Medicina Veterinária, Stéfanie Santana, 22 anos.

A Conchinha, como é conhecida a concha acústica do campus de Campo Grande, antes palco de grandes apresentações que consagraram bandas e fizeram história na universidade, além da "Quinta na Concha", hoje está fechada. Segundo a UFMS, só pode ser usada entre 17 e 19 horas, “para não atrapalhar o andamento das aulas, por ficar localizada entres as salas”.

A Conchinha da UFMS, palco de apresentações históricas, hoje funciona com restrição de horários e está ociosa (Foto: Cléber Gellio)A "Conchinha" da UFMS, palco de apresentações históricas, hoje funciona com restrição de horários e está ociosa (Foto: Cléber Gellio)

A "saudosa" Sexta Astral - Em uma noite de sexta-feira, alunos dos cursos da área de Humanas se reuniram na piscina da universidade, convidaram amigos de fora, alguns artistas e, de forma despretensiosa, nasceu a "Sexta Astral", festa que por anos marcou uma geração de jovens de Campo Grande.

“A idéia era juntar a galera, ouvir música, uma coisa simples para curtir um barato junto com todas as tribos da universidade, tudo regado a muito rock e MPB. Era só armar um palco e deixar o som rolar”, explica o então acadêmico de Jornalismo e hoje professor, músico e radialista Clayton Sales.

“E a coisa foi começando a crescer. A Sexta Astral chegou a reunir 2 mil pessoas em uma noite e recebeu grandes artistas, vi Alex Batata (músico do Bando do Velho Jack, morto em 1997), vi pela primeira vez uma apresentação da Blues Band (formação inicial do Bando) e muita gente bacana passar por ali”, lembra, saudoso, quem de 1993 a 1997 viveu de perto a alegria da Sexta Astral como estudante e, depois de formado, passou a atuar do outro lado, no comando da gaita do Bando.

Assim como na Conchinha, o acesso à piscina também é restrito.

Não pode pensar – Quem estuda hoje na UFMS não consegue entender como, de ponto de encontro, a instituição tornou-se “omissa” e “impeditiva” na realização de projetos culturais. “A impressão é que eles pensam que se ocuparmos os espaços, haverá interação, e se houver interação, os estudantes vão começar a pensar, e eles não podem pensar”, opina Larissa Melo, 22 anos, do curso de Letras. “A Sexta Astral era a demonstração desse fervor do jovem, essa sede por interagir, e hoje, porque a UFMS impede, não existe mais”, acrescenta Stéfanie.

“Não me lembro exatamente como funcionava, mas imagino que existissem regras para esse tipo de evento, já que, apesar de ser um espaço público, quem zela pelo espaço é a própria universidade. Mas, a julgar pela quantidade de coisas que tinham naquela época, não era tão difícil liberar, desde que se respeitasse e um guarda acompanhasse o evento. Lembro de umas festas que aconteciam até dentro do R.U., transformavam o restaurante em uma boate”, pondera Sales.

A tentativa de retomada das manifestações culturais na universidade foi interrompida com o fim da Festa da Rampa (Foto: Arquivo)A tentativa de retomada das manifestações culturais na universidade foi interrompida com o fim da Festa da Rampa (Foto: Arquivo)

Outra festa, essa da nova geração de acadêmicos, causou polêmica quando a UFMS impôs o fim. A “Festa da Rampa” aconteceu pela primeira vez no começo de 2013, e recebeu o nome por reunir os universitários em uma das rampa externas do estádio Morenão. O evento durou pouco – em maio, seguranças da universidade interromperam a farra, sob ameaças de acionar a Polícia Federal caso os presentes não dispersassem.

De um lado, quem não só apoiava a festa, mas uma extensão dela, a “Festa da Hempa”, em alusão à liberação da maconha, usada livremente no espaço. De outro, a UFMS, que demonstrava que, por lei, não é permitida a venda e consumo de álcool e drogas dentro do campus.

Conclusão: a festa foi transferida para o Rockers, barzinho nas intermediações da instituição. Inclusive, a mesma solução de todos os dias de procura por um espaço para “ouvir boa música e conversar” – ir para o lugar mais próximo, pagar caro e, em muitos casos, nada de cultura.

Anos Dourados - O projeto arquitetônico é de 2006, e a promessa ainda mais antiga, mas desde 1989 o AutoCine se transformou em uma grande tela de concreto sem função no meio da UFMS.

Inaugurado em 1972 com espaço para 128 carros e arquibancada para acomodar espectadores que passavam a pé, Campo Grande foi uma das poucas Capitais a ter um cinema deste porte, nos moldes dos que existiam nos grande centros.

“Era muito, muito bacana. O primeiro programa que fiz com a minha esposa foi lá. Ela achou o máximo, claro, e sempre voltamos. As vagas eram disputadíssimas, e só passavam filmaços”, conta Adriano Aristides, 67 anos, freqüentador assíduo do AutoCine que, hoje, não tem perspectivas de volta.

Em nota, a UFMS nega que “exista burocracia, mas sim a necessidade de cumprir regras e legislações vigentes” ao justificar a falta de projetos e o corte dos que começaram por iniciativa dos próprios estudantes.

Sobre a promessa da retomada do AutoCine, a universidade afirma que o projeto arquitetônico e orçamento estão prontos, mas aguarda recursos para que a obra possa ser licitada. Reforça, ainda, que se empenha junto ao Ministério da Educação e já solicitou em 2013 recursos à bancada federal para ”viabilizar o projeto que irá atender não só a comunidade universitária, mas toda a cidade”.

O AutoCine, antes referência, se transformou em um paredão de concreto em meio à universidade (Foto: Arquivo)O AutoCine, antes referência, se transformou em um paredão de concreto em meio à universidade (Foto: Arquivo)



O autocine tentou ser literalmente enterrado pelo atual pró-reitor de infraestrutura da UFMS. Até agora ele não conseguiu, aliás, a sua incompetência é mais que cavalar nessa área.
 
joão pedro em 05/01/2014 20:25:36
É verdade que a UFMS ta feia de cultura, por causa da palhaçada de um reitor na época (Peró) acabou com a sexta astral, era bom demais, tinha concurso de calouros, barracas, shows.
Saudades....
 
cristiana rosa em 05/01/2014 18:35:36
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