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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

23/09/2015 06:23

Apagada da memória da cidade, casa pode não ter homenagem a Pedrossian

Paula Maciulevicius
Área da piscina, nos fundos do casarão, na data do lançamento da mostra. (Foto: Fernando Antunes)Área da piscina, nos fundos do casarão, na data do lançamento da mostra. (Foto: Fernando Antunes)

O casarão branco da esquina da Afonso Pena com a Rua Espírito Santo tem história. E muita. Não só pela mistura de estilos da arquitetura que pegou elementos mexicanos e juntou ao mediterrâneo, não somente pelos seus 2 mil metros quadrados. A grandeza vem de quem construiu e morou ali, o ex-governador Pedro Pedrossian, que não será lembrado com a abertura da mostra de arquitetura "Morar mais por menos".

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A casa será sede da mostra que inaugura em novembro e ficará aberta ao público por 45 dias. À época do anúncio da escolha do imóvel, em junho deste ano, veio a história e as homenagens que seriam prestadas à família Pedrossian. Uma delas era o quarto para o 7° bisneto do ex-governador. Assinado pelo arquiteto Luis Pedro Scalise, a ideia era de homenagear uma ponta à outra da família, partindo do bisavô até o menino de 2 anos.

No entanto, a família soube que tal homenagem fora suspensa. Projetada no início dos anos 70 pelo arquiteto campo-grandense Avedis Balabanian, a casa foi erguida com detalhes que fossem do agrado da esposa de Pedrossian, Maria Aparecida. O casarão já passou por vários donos depois que foi vendida em 1986, com a derrota de Pedrossian nas urnas, mas nunca teve apagada na memória do campo-grandense que ali era a casa do Pedrossian.

Sala de recepção, fotografada do alto da namoradeira. (Foto: Fernando Antunes)Sala de recepção, fotografada do alto da namoradeira. (Foto: Fernando Antunes)
Na cozinha, sobressaem azulejos portugueses. (Foto: Fernando Antunes) Na cozinha, sobressaem azulejos portugueses. (Foto: Fernando Antunes)
Em uma das salas, detalhe da parede de pedra ao fundo. (Foto: Fernando Antunes)Em uma das salas, detalhe da parede de pedra ao fundo. (Foto: Fernando Antunes)

"Nós fomos convidados, nunca pedimos nada e ficamos muito honrados. De repente, ficamos sabendo que não ia ter mais homenagem e nem qualquer menção ao nome do meu avô", desabafa a neta, Maria Eduarda Pedrossian Faria Gatti, de 32 anos.

O casarão sediou até os casamentos dos filhos do ex-governador. Nas fotos, os detalhes da casa na cerimônia, tanto civil, como a recepção do religioso de Rosana. Os registros do fotógrafo Roberto Higa mostram um pouco do interior da casa, no auge dela.

O casamento das imagens é da filha Rosana, em dezembro de 1979. "O civil foi dia 17 à noite e na manhã do dia seguinte, a recepção. Não tive festa, casei na São Francisco e fiz um jantar para o familiares e padrinhos", explica Rosana Pedrossian O'Neal. O casamento eram com Jomar, morto num acidente aéreo anos depois. 

 

Corredor que dá para os quartos. (Foto: Fernando Antunes)Corredor que dá para os quartos. (Foto: Fernando Antunes)
Poço de pedra que ocupa o jardim dos fundos da casa. (Foto: Fernando Antunes)Poço de pedra que ocupa o jardim dos fundos da casa. (Foto: Fernando Antunes)
Nomes dos familiares, pai e filhos Pedrossian ainda estão na caixa de força. (Foto: Fernando Antunes)Nomes dos familiares, pai e filhos Pedrossian ainda estão na caixa de força. (Foto: Fernando Antunes)
Lareira divide salas. (Foto: Fernando Antunes)Lareira divide salas. (Foto: Fernando Antunes)
Detalhe da sala de almoço fica por conta da abóboda (Foto: Fernando Antunes)Detalhe da sala de almoço fica por conta da abóboda (Foto: Fernando Antunes)

"Eu sonho com a minha casa até hoje. Significava tudo para mim, a cas da família onde ia toda a cidade", comenta. Considerada por ela a casa mais bonita da cidade, além da piscina, o que ela mais gostava ali era a lareira acesa no meio da sala no inverno e também a sala onde tem a abóboda, usada diariamente para o almoço da família.

Com um jardim no centro da casa e até um poço, a residência é imponente desde a entrada. A planta original apresentava pelo menos quatro salas e seis quartos, além da cozinha, lavanderia, jardins, piscina e área gourmet. Os espaços são divididos por graciosos degraus e apresentam entre azulejos, pedras, madeiras e piso cerâmico, todo material original da construção. No corredor ainda tem o jogo de luz com os nomes dos moradores da família Pedrossian, indicando qual chave era de qual quarto.

À família, restou a dúvida do porquê? "Não temos nada contra o evento, mas ficamos chateados. Não entendo, por que uma restrição dessa?" questiona a neta. Maria Eduarda "nasceu" na casa, vendida quando ela fez 4 anos.

Histórica na principal avenida da cidade, construída numa época em que Campo Grande acabava pouco antes a casa fica num terreno de 2 mil metros quadrados, sendo 1,6 mil de área construída. No jardim, um poço artificial de 1m de profundidade traz um ar ainda mais temático à casa.

Celebração do casamento civil de Rosana, filha de Pedrossian. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)Celebração do casamento civil de Rosana, filha de Pedrossian. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)
Detalhes da piscina da casa. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)Detalhes da piscina da casa. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)
Família e convidados na sala da lareira. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)Família e convidados na sala da lareira. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)

Aos olhos de quem passa pela rua, a degradação natural veio com o tempo e continua a despertar curiosidade. Na memória do campo-grandense ficou sendo a "casa do Pedrossian".

Pedrossian já tinha sido governador de Mato Grosso entre 1966 e 1971 quando a começou a construir o imóvel. A família se mudou para lá em 1976. 

Professor e arquiteto, Ângelo Arruda, relaciona os eventos políticos à arquitetura da casa, palco de muitos fatos. Pedrossian foi eleito Senador de Mato Grosso, em 1978, derrotando Plínio Barbosa Martins; depois em 1981 foi nomeado pelo presidente Geisel, governador do Estado de Mato Grosso do Sul e assistiu a sua derrota para Marcelo Miranda e Rachid Saldanha Derzi para o Senado em 1986.

Nos corredores da casa. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)Nos corredores da casa. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)
Noiva chegando à casa. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)Noiva chegando à casa. (Foto de Marcelo Calazans, da foto de Roberto Higa)

"Aberta o tempo todo, não havia nem seguranças: todos que queriam entravam. Para bater um papo, conversar com o 'homem de Miranda' como dizia uma cantiga de uma de suas eleições", descreve Ângelo.

Em conversa do arquiteto com o filho de Pedrossian, Pedro Paulo Pedrossian, Pepê narra: "Aqui era uma casa aberta para todos. Quem queria entrar, vinha. Meu pai recebia todos para conversar na varanda e tinha uma ordem. Pessoal entrava pela garagem na Rua Espírito Santo e quem chegava ia esperando. Eu adorava acompanhar as conversas políticas de papai e assim eu ia ficando por ali e ele me dando tarefas. Era muito bom".

A ausência da ligação entre a casa e o ex-governador deixa um buraco na história da cidade. "Ele fez, ele construiu. Ele é uma figura pública importante para Mato Grosso e Mato Grosos do Sul. Foi quem a ergueu, o primeiro ali a habitar, é símbolo de um tempo", resume Ângelo Arruda.

A casa do governador por três vezes e senador teve a memória apagada.

A direção da mostra "Morar mais por menos" explicou ao Lado B que ainda está em negociação com o atual proprietário do imóvel e que tem esperança de poder fazer a homenagem. A diretora executiva da mostra, Iara Diniz, ressaltou que no contrato, uma das condições impostas pelo dono foi de que a casa servisse para uma mostra contemporânea e moderna e que ele não gostaria que houvesse alguma homenagem histórica. 

"Não é especificamente ao Pedrossian e sim qualquer homenagem histórica", frisou Iara. A diretora sustentou ainda que eles insistem porque a mostra sempre teve este papel, de homenagear a história da cidade. Nas edições passadas por exemplo, a Rua 14 de Julho e o poeta Manoel de Barros foram a inspiração. 

Este ano a casa deve ter uma projeção nacional, isso devido aos patrocínios dos Correios, Tok & Stok e Revista Quem. 

Projetada no início dos anos 70 pelo arquiteto campo-grandense Avedis Balabanian, a casa foi erguida com detalhes que fossem do agrado da esposa de Pedrossian. (Foto: Arquivo/Marcelo Calazans)Projetada no início dos anos 70 pelo arquiteto campo-grandense Avedis Balabanian, a casa foi erguida com detalhes que fossem do agrado da esposa de Pedrossian. (Foto: Arquivo/Marcelo Calazans)



Bando de petistas recalcados! Vocês levaram o Mato Grosso do Sul ao Estado que está hoje!
Pedro Pedrossian também era conhecido como Pedro do Povo! Fez desse estado antes mesmo de ser dividido, um estado moderno e arrojado!
Muitos de vocês estudaram em escolas e Universidades que este homem construiu, andam em ruas e estradas que este homem construiu. Pedro errou sim, mas na vida só erra quem faz!
Os perfeitinhos vão para o PT!
 
Gawaim em 23/09/2015 17:00:13
Homenagem pelo quê? Por ter morado nessa casa.

Uau!!! Que merecido, podemos chamar de "homenagem dólar há 4 reais".
 
Desiludido em 23/09/2015 14:19:03
"apagada da memória da cidade" ah faça me rir.
 
Cyro Escobar Ribeiro Neto em 23/09/2015 13:44:18
Se formos nos ater a não haver homenagem a políticos que desviaram dinheiro publico meus amigos, vamos renomear todas, sim eu disse, TODAS as ruas que tenham o nome de algum politico, seja ele quem for, vamos ter que renomear a cidade inteira na verdade, pois nunca houve um politico que não desviou nada durante seu mandado, quanto à questão indígena, aí jé é outra historia, se os índios tem direito as terras que eles reivindicam, que o governo pague um preço justo para o atual proprietário, porque ele não simplesmente invadiu e tomou pra ele, em algum momento ele teve que pagar pelas terras, portanto ou os índios compram ou invadam terras do governo que é o principal responsável.
 
Max em 23/09/2015 12:44:24
Pessoas que incentivam violência ao povo sul-mato-grossense indígena não merece homenagem alguma na nossa Capital. Se antes de perder a eleição, como mencionado na matéria, a família tinha como manter toda essa ostentação, e depois a casa foi passando pra outras pessoas, fica a dúvida de onde vinha o dinheiro pra fazer tudo isso. Relatar a história como ela REALMENTE aconteceu é importante, mas bajular políticos que deixaram uma mansão pronta, mas várias obras inacabadas, é brega demais. Parabéns aos organizadores do evento. Tomara que não cedam a pressão política pela "homenagem".
 
AnaMaria em 23/09/2015 08:15:50
Quem quer lembrar dessa prova de corrupção? Já chega o salário vitalício que nos faz lembrar dele ate hoje.
 
Edney Ueno em 23/09/2015 07:06:29
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