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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

28/08/2016 09:13

Amambay e Amambaí se separaram, mas cobram apoio após 60 anos na música

Thailla Torres
Amambay mostra com carinho um dos 18 discos gravados. (Foto: Fernando Antunes)Amambay mostra com carinho um dos 18 discos gravados. (Foto: Fernando Antunes)

O som dançante da arpa, casado com o arcodeon, era fórmula indispensável a cada apresentação da dupla Amambay e Amambaí. Pioneiros na música sertaneja em Mato Grosso do Sul, hoje os músicos não andam juntos. Em destinos diferentes, só Amambay continua cantando por restaurantes da cidade.

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Com 50 anos de carreira lado a lado, e cerca de 18 discos gravados, hoje os músicos não têm o mesmo ritmo. Sem shows e separados há 5 anos, o que ficou foi o amor pela música. No coração, a saudade dos tempos de sucesso, onde a dupla encantava pelo Estado e por países como Bolívia, Paraguai e Argentina, levando chamamé, polca paraguaia e guarânia. 

Aos 76 anos, Amambay recorda os discos de sucesso, lembra dos amigos e agradece o carinho conquistado ao longo dos anos. O tempo na música supera muito os 50 anos com Amambaí. Desde os 15, ele vive para a arte. naquele tempo ainda usava o nome de batismo, Ermídio Umar, e estreou com Carlos Alvarenga, na dupla "Alvarenga e Umar".

"Olha é muito orgulho viu. Eu agradeço muito a Deus de ter encontrado muitos amigos aqui no Brasil. As pessoas ainda nos procuram, lembram da gente e fico até emocionado porque, onde eu chego, as pessoas me tratam bem e eu sei que conquistamos isso naturalmente", agradece.

Amambay agradece aos amigos que fez pelo caminho. Amambay agradece aos amigos que fez pelo caminho.

A separação da dupla foi escolha de Cecílio da Silva, o Amambaí, que hoje se dedica a cuidar da esposa que tem Mal de Alzheimer. Mais contido e por telefone, ele diz que não quer falar muito, mas também fala da saudade dos caminhos percorridos. "Conhecemos cada cantinho. Tenho muita saudade dos lugares, a gente viu muita cidade crescer e era show todo sábado e domingo", recorda, aos 76 anos. 

Para Amambaí, a decisão da dupla de permanecer em Mato Grosso do Sul teve peso no destino da carreira. "Tivemos vários convites para ir trabalhar em São Paulo, mas a gente não foi. Queríamos ficar no nosso estado e não deixar a família. Não conseguimos grande coisa, mas não nos arrependemos. De um jeito simples, tenho minha casa e minha família. Só tive que largar porque precisava cuidar da minha esposa, não dava para fazer as duas coisas, mas acredito em um dia cantar novamente", diz.

Ainda vivendo da música, tocando em um restaurante de Campo Grande, Amambay é quem pontua as dificuldades pela falta de incentivo à, cultura. "Hoje em dia existe carreira para quem tem grana. Não estou desfazendo, mas a cultura sul-mato-grossensse está gatinhando na arte. Nós estamos com 50 anos de carreira, mas quando tem um evento, chama gente de fora. E quando chamam a gente, só querem pagar qualquer coisa", lamenta. 

Para ele, a música sofreu transformações que diferem muito do tempo em que o sucesso dependia apenas do talento e da capacidade artística. "Na época que eu comecei, não existia tecnologia avançada para gravar. Você tinha que saber e ter peito para cantar. Hoje em dia, o cara não sabe nem cantar, mas existe aparelho que afina a voz dele", cita.

Um dos discos lançado em 1977, com sucesso Vila Guilhermina. Um dos discos lançado em 1977, com sucesso Vila Guilhermina.

Segundo ele, a força do sucesso também esteve na fronteira. "Sempre cantamos em português, guarani e castelhano, foi a chance de conquistar as gerações e as pessoas gostam do nosso estilo e isso não mudo. Só o sertanejo universitário que, francamente, eu não canto, isso pra mim é fora do regionalismo do nosso Estado. Não sou contra, porque acredito que a música não tem fronteira, mas eu não aceito e não canto uma música universitária nenhuma", revela. 

Além do sucesso, ele lembra com orgulho dos talentos que passaram pelo caminho. "Quando começamos a cantar, tinha o Zé Correa, um dos melhores acordeonista que esse Brasil já teve. Ele certamente gostou do nosso estilo e nos convidou para formar um trio em 1969. Depois disso, veio o Dino Rocha, com quem também gravamos um disco. E isso me orgulha, porque os melhores gaiteros desse País estiveram com a gente", conta. 

Outro episódio que guarda na lembrança com carinho foi a participação na telenovela Pantanal, exibida em 1990. "Essa foi só eu, apareci em três capítulos. Eu fazia parte dos cantores sertanejos no casamento da Juma. Isso também foi muito emocionante e fico muito feliz de ter participado", diz Amambay. 

Levando uma vida simples ao lado da família, Amambay não fala em novos projetos, no entanto afirma que jamais abre mão da música. "Continuo por amor. Os clientes ainda lembram dos sucessos e pedem para cantar. Eu deito na cama para dormir, tem sempre uma letra decorada na minha cabeça. A melodia pra mim é um encanto.", finaliza. 

Dupla em um encontro de chamamé na Argentina.  Dupla em um encontro de chamamé na Argentina.



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