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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

04/10/2015 11:15

Banda volta a tocar música para conscientizar sobre luta indígena no Estado

Lucas Arruda
Coloniza Dor foi composta há quatro anos, mas foi tocada pela primeira vez há três semanas (Foto: Divulgação)"Coloniza Dor" foi composta há quatro anos, mas foi tocada pela primeira vez há três semanas (Foto: Divulgação)

“Eu não vou me entregar! Não vou me entregar! Para um opressor colonizador! Que quis me torturar, tentou me escravizar, julgando-se uma raça superior”, com este refrão, da música “Coloniza Dor”, a banda Cha Noise toma partido e pede para que as pessoas voltem os olhos à situação dos indígenas em Mato Grosso do Sul. É um dos poucos grupos a encampar essa luta tão sul-mato-grossense.

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A canção não é nova. Foi composta pelo vocalista da banda Xaras Gabriel há cerca de quatro anos, mas ainda não foi gravada e foi tocada pela primeira vez em um show da banda há apenas três semanas.

“Eu fiz a letra quando me inteirei mais sobre a causa indígena. Estava estudando sobre, conheci a história de Marçal de Souza, que foi morte em conflito por causa de terras aqui no Estado também”, recorda.

Começaram a tocá-la agora pela necessidade que a banda encontrou de mostrar o que está acontecendo no Estado, já que o conflito entre fazendeiros e indígenas em Antônio João já provocou uma morte. “É uma questão crucial, todos tem que estar atentos. Os índios foram os primeiros habitantes de nosso País, estão dizimando sua cultura aqui e não podemos fechar os olhos para isso”, ressalta.

Xaras acredita que com sua música poderá tocar as pessoas e as aproximarem, pelo menos um pouco, dos índios.

“Ela foi feita para as pessoas se lembrarem da existência dos índios, já que muitos ignoram. Queremos que ela cause comoção para que todos enxerguem este problema”, explica.

Por enquanto “Coloniza Dor” só está sendo tocada nos shows da banda. O próximo será neste sábado no Bar Fly, a partir das 23 horas. A letra pode ser conferida abaixo:

Coloniza Dor

Mais de quinhentos anos se passaram sem respeitar o povo dessa terra
Guerra!
As armas e correntes só gerou refém
Assim o ser humano virou fera!
Eu não vou me entregar!
Não vou me entregar!
Para um opressor colonizador!
Que quis me torturar, tentou me escravizar, julgando-se uma raça superior
Antes dessa gente por aqui chegar e invadir o nosso lar
Nativos corriam pelas matas
A liberdade aqui reinava
E o inimigo chegará pelo mar
Fazendo a sua descoberta
Eu não vou me entregar!
Não vou me entregar!
Para um opressor colonizador
Que quis me torturar, tentou me escravizar, julgando-se uma raça superior




A Banda Sarravulho também aborda essa temática, há bastante tempo. E é bastante contundente nas críticas ao patriarcalismo e ao latifúndio.
Essa bola tinha que ser levantada pela classe artística faz tempo! O problema é que ao invés disso temos visto cada vez mais a música de MS reforçar essa bovinocultura!!

"...cobre o bugre a pele com jornal / encolhe o canto no frio do muro / o bugre é invisível / é um poema de Manoel (de Barros) escarrado na parede cinza / o fio quente da faca escorre vermelho / é outro número na miséria / estão todos surdos, são todos bois e andam burros / há de levantar o bugre como lampião na caatinga / e incendiar o pasto de pedra que "boietiza" a cultura do cerrado..."
 
Suellen Kemp em 01/10/2015 10:37:37
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