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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

01/03/2013 07:48

Prédios que poderiam transformar a relação de Campo Grande com a cultura

Ângela Kempfer
Antiga oficina de trens, abandonada. (Fotos: Luciano Muta)Antiga oficina de trens, abandonada. (Fotos: Luciano Muta)

Em viagens pelo Brasil, são tantos os espaços culturais vivos, cheios de gente, funcionando em enormes prédios históricos, que é inevitável a vontade de ter em Campo Grande algo parecido. Decepcionante é saber que muito se fala, pouco se avança.

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Pior é ver de perto, entrar, explorar um patrimônio arquitetônico divino, ali, disponível, que poderia muito bem ganhar essa função, mas está, é claro, se esfarelando com o passar dos anos.

Na rua dos fundos da Feira Central, ao lado da saída do estacionamento, existe uma pequena entrada. A curiosidade leva a percorrer o caminho - meio calçada, meio chão batido, meio grama. É possível entrar sem qualquer impedimento, até com o carro, e chegar até alguns dos prédios mais importantes da construção desta cidade, todos tombados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) mas sem nenhuma proteção.

A área faz parte do complexo da Rede Ferroviária, onde além de 3 casas, ficam dois galpões enormes, antes usados como oficinas dos trens que passavam pela cidade. É triste pelo aspecto de abandono, mas lindo pela arquitetura de detalhes, da época quando tudo era desenhado com personalidade. Hoje, a maioria das pessoas só vê em fragmentos, ao dirigir pela rua 14 de Julho.

“Quem mora aqui e vê a depredação todos os dias acaba não sentindo tanto. Mas tem gente mais velha, do tempo da Noroeste, que chora quando vê tudo assim, largado”, comenta Dudu, maquinista aposentado que desde 1968 vive na mesma casa na Vila dos Ferroviários.

O pai era ferroviário, o tio também e hoje ele conversa tranquilo na varanda construída no trecho por onde passavam os trilhos. "Ouvi falar que já tem dinheiro para recuperar, do PAC 2. Seria perfeito como ponto de cultura", comenta o homem que faz parte também da história cultural da cidade. É um dos fundadores da escola de samba Igrejinha e criador da Associação de Blocos e Cordões do Carnaval de Campo Grande.

Realmente há verbas da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento previstas para a transformação do terreno sujo e da estrutura do passado em um grande espaço de cultura. Um dos detalhes previstos, inclusive, é a recolocação de parte dos trilhos.

Mas a arquitetura dos dois galpões terá o custo mais alto. O prédio da rotunda, local onde era feito o giro das locomotivas e dos vagões que entravam para recuperação na oficina, tem uma cobertura arredondada surpreendente, com as telhas preservadas. Parte das janelas ainda está ali, mas sem vidros. Em alguns pontos a estrutura ruiu, há pichações, mas o prédio continua soberano na paisagem.

Depois da recuperação, sem previsão alguma para o início, o maior desafio será colocar o local para funcionar. Uma possibilidade, é a parceria com alguma empresa que queira dar um destino de interesse público ao espaço.
Mas sabe-se lá por quanto tempo, só resta a inspiração a partir de pontos culturais fortes hoje no Brasil, mas que também começaram ocupando o abandono.

 

Em Porto Alegre, a antiga Usina do Gasômetro, às margens do rio Guaíba, hoje é centro cultural. (Foto: Divulgação)Em Porto Alegre, a antiga Usina do Gasômetro, às margens do rio Guaíba, hoje é centro cultural. (Foto: Divulgação)

Usina do Gasômetro - Em Porto Alegre, a antiga Usina do Gasômetro, às margens do rio Guaíba, hoje é centro cultural. Levantada em 1928 pela Companhia de Energia Elétrica Riograndense, durante quase 50 anos abasteceu Porto Alegre. Veio a crise e a empresa fechou.

Quando a depredação colocou em risco a memória, os artistas gaúchos cobraram providências e em 82 a Eletrobrás transferiu o uso do terreno para o município. O prédio foi e recuperado. Desde 89, a velha Usina é aberta à cultura, virou um dos principais pontos turísticos de Porto Alegre.

É administrada pela Secretaria Municipal de Cultura e abriga 10 companhias de arte e outras 30 usam o espaço para espetáculos, exposições e feiras.

Estação Docas - Belém do Pará tem desde o ano 2000 a Estação das Docas, complexo turístico e cultural com gastronomia, cultura, moda e eventos nos 500 metros de orla fluvial do antigo porto de Belém. São 32 mil metros quadrados divididos em três armazéns e um terminal de passageiros.

A beleza que encanta ago9ra, só existe porque houve a restauração dos galpões de ferro inglês, exemplo da arquitetura característica da segunda metade do século XIX.

As ruínas do Forte de São Pedro Nolasco, que estavam em condições semelhantes as dos galpões da ferrovia em Campo Grande, hoje são um anfiteatro. E assim, a cidade se enche de peças, exposições, música e dança todos os dias.

Estação Docas, em Belém do Pará. (Foto: Divulgação)Estação Docas, em Belém do Pará. (Foto: Divulgação)



No Recife um Antigo Presídio virou sede de Associações Culturais e lojas de Artesanato. Enquanto isso a própria Fundação de Cultura de Campo Grande paga aluguel. Vai entender né?
 
Jair de Oliveira em 04/03/2013 09:20:10
Sou nascido e criado em Campo Grande. Me formei em química pela UFMS e exerci por muitos anos atividades como coordenador do Clube de Ciências e Cultura Paiaguás. Estive por 11 anos fora e retornei. Ao tomar ciência deste belíssimo patrimônio apresentei o projeto do PARQUE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE CAMPO GRANDE- ou simplesmente ESTAÇÃO CIÊNCIA DE CAMPO GRANDE, sendo este espaço um local perfeito, ideal para implementarmos espaços para educação científica, criativa e democrática para todos aqueles que sabem da importância da ciência e tecnologia para sociedade moderna. Atualmente como professor da UFMS apresentei inúmeras vezes esta proposta de tal forma que também pudéssemos pleitear recursos para implantação deste museu de ciência interativo e divertido para todos advindos do MCTI, MEC
 
Ivo Leite Filho em 01/03/2013 22:17:05
Toda a área da antiga ferroviária devia se transformar numa área cultural. O Sesc Pompéia em São Paulo seria uma boa inspiração- espaço para apresentações, biblioteca, espaços para oficinas, museus, espaços para artistas pintarem, ensaiarem...... Tem inúmeros projetos para o local, só precisam sair do papel e se materializarem...
 
Lucilene Bigatão em 01/03/2013 21:53:36
Parabéns, pela reportagem...
Muita,vontade que Campo Grande tivesse, um complexo turístico e cultural.
Imaginem,um lugar com gastronomia, cultura, moda e eventos, num mesmo espaço.
Nossos prédios antigos não perdem pra nenhum lugar...só precisa restaurá-los.....E QUERER INVESTIR.
Conheço a Estação das Docas em Bélem, complexo maravilhoso,excelente!

 
Tânia Barbosa em 01/03/2013 21:06:53
TIVE A FELICIDADE DE CONHECER OS DOIS LUGARES. A USINA AS MARGENS DO GUAIBA, E AS DOCAS EM BELEM. POSSO AFIRMAR QUE É MUITO MAIS LIMPA E MAIS BONITA QUE O NOSSO AEROPORTO INTERNACIONAL.
FALTA NA NOSSA CIDADE CULTURA E BOA VONTADE DOS NOSSOS GOVERNANTES. POR ESTE MOTIVO SOU A FAVOR DO TÃO CRITICADO AQUARIO DO PANTANAL, POIS IRÁ LEVANTAR NOSSA AUTOESTIMA, MOSTRANDO QUE TAMBEM TEREMOS UM "CARTÃO DE VISITA" PARA OS TURISTAS, E PARA NÓS MESMOS.
CADÊ O BERNAL?.
 
roberto rios em 01/03/2013 18:21:47
Parabéns pela matarias um povo sem memoria não tem cultura, no ano que vem são 100 anos da Chegada do Trem (NOB) em Campo Grande (1914 a 2014) mudou a nossa historia não vamos comemorar ???
 
Carlos Iracy Coelho Netto em 01/03/2013 17:41:18
Excelente reportagem. Mostra bem o atraso da Política Cultural de Mato Grosso do Sul se comparado a outras regiões do Brasil. Parabéns !!!!!!
 
Danilo Galvão em 01/03/2013 17:17:46
O aumento dos espaços culturais deve ser acompanhado pelo aumento da ocupação deles; se nada for feito, ficarão ociosos. Do jeito que está Campo Grande já tem muito centro cultural.
 
Gustavo Ribeiro em 01/03/2013 16:46:04
muito bom! adorei ler. Na verdade ainda bem que li... pois antes de ler, sempre vejo as fotos, e já queria ir nesses lugares das fotos de baixo.
Só depois que vi que não era aqui.
pena.

mas adorei a matéria... e a foto ficou otima.
 
gabriel lescano em 01/03/2013 15:43:28
Estive lá no começo deste ano e fiz estas fotos, é realmente entristecedor.
https://www.facebook.com/luizhpereira/posts/531355260215622
 
LUIZ HENRIQUE PEREIRA em 01/03/2013 15:38:05
Que matéria linda...quando vejo os predios da antiga NOB, sendo deteriorados pelo tempo tanto em Campo Grande, Estação Manoel Brandão, Estação Lagoa Rica, na turma 97, na Estação Bodoquena, Carandazal,e tantos outros Predios antigos que visitei, meu coração doi...meu falecido Pai( Osvaldo Pereira da Silva) foi da NOB, andamos de trem desde os anos 60, na Maria fumaça, Liturina, Passageiro,Trem Pagador,etc. Vivemos tantas histórias nesta estãção Ferroviaria de Campo grande, das charretes, que eram o tipo de taxi da epoca,das pessoas correndo pra pegar o trem,esta é a História de Campo Grande dos Estados de MT, MS e do Brasil...Sabe Angela, penso deveria ser restaurados todos os predios da antiga NOB, a história Cultural já mais poderia ficar em 3º plano...
Valdir Pereira - Bodoquena
 
Valdir Pereira em 01/03/2013 15:29:07
Parabens pela materia, realmente este espaço poderia estar sendo ocupado, principalmente pelo GRUPO CAMALOTE que ha anos procura um espaço para realizar seus trabalhos, que por sinal é maravilhoso e nao consegue. Está na hora do poder publico tomar providencias....
 
ivone santos em 01/03/2013 14:24:14
O problema é que não adianta restaurar sem não haverá público. Nenhuma empresa privada irá pagar, arcar com custos se não tiver retorno. Não há em Campo Grande interesse do publico pela cultura, vide o Carnaval, São João. Os festivais do MS estão em outras cidades, como Corumbá e Bonito. Por que será??
 
marcos gomes em 01/03/2013 13:21:41
Parabens pela excelente matéria,gostaria de receber algum feedback de nossos politicos,restaurada essa magnifica obra de engenharia,é o nosso turismo que tem a ganhar.
 
Aluiz Da Silveira em 01/03/2013 12:23:40
Uma história jogada e se perdendo a cada dia. Um concurso de projetos poderia ser aberto para revitalização deste espaço, já que ''nossos'' governantes depredaram um possível metrô de superfície que poderia existir em toda a linha férrea e fazer com que este ponto fosse um centro de distribuição em massa, melhorando a mobilidade urbana.
 
Guilherme Rifon em 01/03/2013 11:17:00
Congratulações pela condução da matéria: seriedade, comprometimento e imparcialidade em um assunto tão caro à população do centro histórico da ferrovia.
 
Madah Greco em 01/03/2013 10:59:10
Primeiramente gostaria de parabenizá-los pela excelente matéria! Mesmo não tido a oportunidade de viver nessa época,me entristeço ao ver algo tão lindo,que faz parte da história da nossa cidade,sendo esquecido desse modo.Parte desse descaso é sim dos políticos,mas os moradores da cidade são os primeiros a desprezar tamanha riqueza da nossa arquitetura,não estou generalizando,mas a grande maioria é assim.A partir do momento que os campo-grandenses começarem a da valor na beleza histórica da nossa cidade,os políticos verão,e nós poderemos ser ouvidos.Amo minha cidade,e sua riqueza cultural,todos deveriam pensar assim.
 
Jacqueline Almeida em 01/03/2013 10:42:35
Que matéria boa! Alô Governo, Prefeitura, "fica a dica".
 
Camila Maia em 01/03/2013 10:06:01
Parabéns à jornalista Angela Kempfer pela matéria, principalmente ao mostrar o zelo, a preservação e utilização para fins culturais, de prédios históricos em outras cidades do Brasil.Na qualidade de Presidente da Liga das Escolas de Samba de CG, fiz em 31/07/2009,(divulgado nas mídias eletrônicas, inclusive o CG News), a sugestão por meio de oficio 2009/041, ao então presidente da Fundac Athayde Nery, a utilização da Esplanada Ferroviária (após o estacionamento da Feira Central), para a construção de uma Pista, que seria utilizada para o Desfile das Escolas de Samba no Carnaval, Desfiles Cívicos de 26 de Agosto e 7 de Setembro, (como é em S.Paulo). A rotunda revitalizada, como um centro de multiplo-uso, oficinas de capacitação (teatro,dança,música,cinema,aderecistas,artezanato) e shows.
 
Eduardo de Souza Neto em 01/03/2013 09:59:31
Excelente matéria. Na minha humilde opinião ela deveria estar entre os 5 destaques do dia. Isso tem q ser divulgado exaustivamente, tem q ser cobrado sempre que possivel, as pessoas precisam ser lembradas dessas situações, entenderem que existe sim possibildiade e espaços incriveis para Campo Grande ter uma vida cultural digna de uma capital.
 
Camila Nogueira em 01/03/2013 09:31:14
Parabéns Ângela!!! belíssima matéria, esse local realmente merece uma atenção especial. Inclusive, sempre que ia ao NBO, ficava apreciando esse galpão de longe, é tudo muito lindo.
Campo Grande, ficou bela"aparentemente", apesar de muitas obras superfaturadas $$$, com dinheiro do PAC, agora o dinheiro dos impostos gerados no município foi para onde mesmo??? espero que não diga que foi para a saúde. Afinal, olha o CAOS da dengue. Quanto à construção de asfalto, vejam as crateras pela cidade. Precisamos de CULTURA, saneamento(esgoto, boeiros para escoar água da chuva que invade as ruas transformando em córrego mas, o que fica debaixo da terra NÃO dá VOTO).
Essa Doca do Pará, lembra um pouco a ESTAÇÃO de Curitiba.
 
Neyde de Oliveira em 01/03/2013 09:23:56
A ocupação do espaço urbano é uma medida inteligente e necessária.
 
Anita Ramos em 01/03/2013 09:15:28
Na verdade Campo Grande não tem tradição ela copia dos outros , como Paraguay e outros, não aproveitam as histíra de Campo Grande-MS para divulgar e fazer lazer para o povo, com tantas coisa disfeitas é triste mudama tudo o relógio da 14 foi para a calogeras e a Igreja Sto Antonio totalmente mudada, não preservam nada passa o trator em tudo.
 
Angelica Miranda em 01/03/2013 09:11:02
Que tal uma campanha via facebook chamando a atenção dos políticos pra tal situação?? Acho que os únicos que podem fazer algo a respeito são eles, se fizerem eu curto e compartilho, porém tem que partir de alguém ou alguma empresa forte!! Pensen nisso, o prédioé um espetáculo, muito bem feito, só tá acabadinho!!
 
Ana Lúcia em 01/03/2013 09:05:40
Pois é... um espaço gourmet, loja de música, livrarias, bares com música, espaço para leitura, auditeca, gibiteca, museu da NOB e sedes de organizações não governamentais. Sem contar a rotunda que por si só já é um atrativo por sua engenharia...Bela matéria Angela Kempfer...
 
Celso Kasumi Arakaki em 01/03/2013 08:43:38
Na verdade o que aconteceu foi que os políticos da cidade foram os primeiros a depredar o patrimônio ferroviário.
 
João Crisóstomo de Campo Grande - MS em 01/03/2013 08:12:20
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