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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

24/09/2011 17:23

Mesmo com a moda sertaneja, Festival Universitário da Canção ainda traz o melhor do rock, MPB e Samba Rock

Paula Maciulevicius

A resistência ao modismo do sertanejo universitário leva público ao Glauce Rocha, para "despoluir"

A música boa tem espaço em todo lugar do Brasil. Mauro e Beto, os primeiros a subirem ao palco com a música Meus Presságios. (Foto: João Garrigó)
"A música boa tem espaço em todo lugar do Brasil". Mauro e Beto, os primeiros a subirem ao palco com a música "Meus Presságios". (Foto: João Garrigó)

Com o cenário da música brasileira tomado pelo sertanejo, encontrar quem resista a ele e um "achado". Quem participou na noite de sexta-feira no Glauce Rocha viu que o sertanejo universitário não tem vez na UFMS. No repertório, rock, MPB e samba rock.

O Festival Universitário da Canção ainda consegue se manter longe do estilo. As músicas podem não virar hit nas rádios, mas são resistência.

O público que assiste avalia: "Campo Grande já dá muita oportunidade para o sertanejo, que vem com tudo, os festivais tentam dificultar, dar oportunidade para outros estilos. É difícil fazer MPB, tem que dar espaço", fala a cantora Jacqueline Costa, de 21 anos.

"A gente vem para escutar algo meio diferente. Só tem sertanejo na cidade, eu vim para despoluir um pouco. E com todo respeito a quem faz música, graças à Deus que o sertanejo não entra mesmo", comenta o músico Ismael Alencar, de 20 anos.

Ainda há os que vão para “despoluir” de tanto sertanejo que se ouve na cidade. (Foto: João Garrigó)Ainda há os que vão para “despoluir” de tanto sertanejo que se ouve na cidade. (Foto: João Garrigó)

E quem pensa que o Festival restringe está muito enganado. O estilo, principalmente o universitário, está batendo à porta, louco para participar.

"Os jurados ainda dão preferência para a MPB, rock, é difícil ganhar sertanejo, apesar de serem ótimas músicas. Tem uma resistência aí que precisa ser quebrada", defenda a coordenadora do evento Marineide Cervigne.

Entre as 47 músicas que se candidataram, 16 foram classificadas. "Eu vim para ver uns amigos, eles vem se apresentar caracterizados, coisa bem diferente. Isso é um incentivo. Me desculpa, mas o sertanejo não faz falta, né?", pergunta o publicitário Rodrigo Motta, 22 anos.

"Aqui é a oportunidade para cantores independentes tentarem fazer música mesmo sobre a pressão do sertanejo, ou voltado ao comercial. Aqui você faz o que quer e de coração", observa o analista de tecnologia André Vidal, 29 anos.

Entre as 47 músicas inscritas, 16 delas subiram ao palco do Festival Universitário da Canção. (Foto: João Garrigó)Entre as 47 músicas inscritas, 16 delas subiram ao palco do Festival Universitário da Canção. (Foto: João Garrigó)

A pressão sertaneja vem ganhando forma ao longo de quase duas décadas de festival. A vontade do estilo de participar é tanta que já tem gente até pedindo um festival a parte.

"Já me pediram para fazer um só de sertanejo, mas a ideia do festival é premiar o MPB, rock, reggae", diz Marineide.

Marineide lembra que já teve cantor do estilo concorrendo e que subiu ao palco com gosto. "Até o Michel Teló, muito antes do Tradição, passou por aqui".

E o fato de reunir diversidade de estilos e composições chamou a atenção de qualquer idade. De cabelos brancos, sentado sozinho, acompanhando o festival com a programação em mãos, o aposentado de 70 anos recorda dos primórdios de festivais de música popular brasileira.

Ney Barbosa veio porque não tinha nada para fazer em casa, explica. Ao contrário da maioria dos campo-grandenses que se esconde da chuva, foi chegando aos poucos ao Glauce Rocha, estava lá justamente porque achou o clima melhor para sair.

"É a primeira vez que eu venho e tenho observado que num nível geral é muito bom. Lembra os antigos festivais", conta.

A nostalgia é quem parece lhe fazer companhia. "Dá saudade sim, eram outros tempos de festivais", recorda.




já assisti 3 Fesitvais desse e toquei duas vezes. Essa 19ª edição foi uma das mais bem trabalhadas. tenho que dizer que o Festival é sim muito variado e aberto. teve uma música de um garoto lembrando o Luanzinho, p quem tá dizendo q tem manipulação de ñ deixar entrar sertanejo universitário, não é bem por aí. o que tem é a prioridade de liberar espaços p outros gêneros. e isso é muito profissional
 
Daniel Aigner Nogueira em 26/09/2011 11:28:46
O sertanejo universitário é uma continuação do sertanejo raiz, e as pessoas devem assumir sua verdadeira cultura e parar com esse pensamento de que " só o que é bom é o que vem de fora" !!! Sou universitário e gosto de sertanejo tanto o de raiz e o da moda.
 
Paula Pereira em 26/09/2011 11:11:57
Só que tem um porém. Muito do chamado "sertanejo universitário" não tem nada de sertanejo. Não possui influências da guarânia, chamamé, polca, vanera, cateretê, etc. aproximando-se do pop-rock e do country norte-americano. É a maneira de cantar, as letras fáceis de interpretar que cativaram o público. Cultura é o que o povo produz e consome, não o que uma minoria determina que é o certo.
 
Ricardo Yuji Mise em 26/09/2011 04:12:43
Dando continuidade ao comentário anterior.
Concordo na íntegra com Paulo Hood em parte com Jorge Pereira.
Quando escuto alguns considerados sucessos, não consigo entender porque???? passa distante do sertanejo, principalmente o de raíz. O Délio e a Delinha são demais...com idade dela hoje arrebenta com muitos sertanojos em evidência. Ela segura 1h de show no GOGO sem recursos eletrônicos.
 
neyde de oliveira em 25/09/2011 09:53:35
Esse tipo de festival é maravilhoso... não sei porque não acontece com mais frequencia.
Foi em festival como esse, que as meninas Patrícia e Adriana surgiram. Elas têm um grande potencial tbém para MPB.
Sendo neta de gaúchos e mineiros é difícil de não gostar tbém de vanerão e uma BOA música sertaneja de raíz, não descartando MPB e Rock leve.
Essa moda de SERTANOJO que esta matando.
 
neyde de oliverira em 25/09/2011 09:45:43
A música sertaneja de hoje chamada de sertanejo universitário é apenas uma onda como foi a onda do "grupos" Pagode, do Axé, da lambada e por ai vai... sobrevivem os "melhorzinhos". Música boa e de qualidade é eternizada, o resto é preconceito. Arte sempre será arte seja qual for o estilo.
 
Paulo Hood em 25/09/2011 05:21:19
Um verdadeiro festival universitário é isso ai, diversidade. Porque uma universidade é feita no geral por pessoas criticas e que valorizam oque é bom. Agora, sertanejo, sertanejo universitário e/ou qualquer outro estilo não pode ser considerado sinônimo de ruim. Em um ambiente de arte, cultura e diversidade, qualquer manifestação é bem vinda, inclusive para se puder ter um diferencial.Gostei muito
 
Thiago V. Valério em 25/09/2011 04:31:39
Quem falou que universitário gosta de sertanejo? Eu odeio.
 
antonio Carlos em 24/09/2011 06:44:09
acho inoportuno considerar o sertanejo invasor; até mesmo por que o sertanejo é derivado do cururu e do pagode de viola, gêneros genuinamente brasileiros, e ligados a colonização do estado; ja musicas como rock e mpb o que tem de brasileiro???
despoluir? assassinaram a historia musical do estado que tem em seu hall: delio e delinha, zé correa, que até hoje formam a cultura musical local...
 
jorge pereira mendes em 24/09/2011 06:16:18
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