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26/12/2014 06:45

As 13 marmitas dadas no Natal fizeram vendedor querer um 2015 de boas ações

Paula Maciulevicius
As 13 marmitas foram entregues em 1h. Os 60 minutos de trajeto foram suficientes para despertar no grupo a vontade de fazer mais em 2015. (Foto: Arquivo Pessoal)As 13 marmitas foram entregues em 1h. Os 60 minutos de trajeto foram suficientes para despertar no grupo a vontade de fazer mais em 2015. (Foto: Arquivo Pessoal)

As 13 marmitas distribuídas no Natal fizeram mais a felicidade de quem doou, do que de quem recebeu. Passada a ceia do dia 25 de dezembro, o vendedor Watson Sule, de 28 anos, propôs aos amigos e familiares que embalassem as comidas que ficaram intactas para dividir com quem não tinha nem mesa para se sentar neste dia. 

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O fato chegou ao Lado B de maneira modesta. Quem deixou a mensagem através do Fale Conosco disse que não queria se vangloriar, mas apenas dar o exemplo para que outras famílias praticassem o mesmo. "Nesta virada do Natal após ceiarmos, sobrou muita comida que cada convidado trouxe, então pensando no verdadeiro natal, fizemos do restante em vários marmitex e saímos na madrugada entregando aos moradores de rua", descrevia a mensagem.

O jantar de Natal foi na casa de Watson para um total de oito pessoas, em sua casa no bairro Santo Amaro, na Capital. Mesmo em pouca gente, eles exageraram no cardápio. "Sobrou muita coisa, deu para nos saciar e ainda entregar", conta o vendedor. Engraçado que no primeiro contato, ele insiste em dizer que não foi "grande coisa" e que eram apenas 13 marmitas.

No carro, amigos comentaram que nunca se sentiram tão bem fazendo o bem. (Foto: Arquivo Pessoal)No carro, amigos comentaram que nunca se sentiram tão bem fazendo o bem. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ao Lado B, Watson explica que sempre teve vontade de fazer, mas que sozinho não conseguia muita coisa. Depois do jantar, esposa, sogra e três amigos 'compraram' a ideia.

"Partiu de mim mesmo, eu vi tanta comida e geralmente depois da ceia você quase não como. Então resolvemos pegar os pratos que a gente fez e distribuir. Era chester assado, lasanha, arroz, lagarto recheado", detalha. 

Em pratos de plástico, mas daqueles resistentes e talheres descartáveis, Watson e os três amigos embrulharam com papel alumínio para manter a comida quentinha. Quando o relógio marcou meia-noite, eles saíram de carro pelas imediações do bairro Santo Amaro.

"Fomos na chuva mesmo. Uma coisa que marcou foi que o Nelson, que estava dirigindo, viu um morador de rua deitado sem colchão, sem nada. Ele voltou e entregou um casaco para ele. A gente nunca tinha feito isso, foi uma experiência muito feliz e emocionante", narra.

No carro, Watson diz que comentou com os amigos que nunca se sentiu tão bem fazendo o bem. "Acho que você se sente muito melhor fazendo do que recebendo", reforça. O trajeto foi pela Avenida Presidente Vargas, Júlio de Castilhos, Praça das Araras e a velha rodoviária.

"A gente já tinha visto eles andando por ali e sabia mais ou menos onde eles ficavam. Não tinha muita gente na rua por causa da chuva", relata.

Em pratos de plástico, grupo embrulhou com papel alumínio para manter a comida quentinha. (Foto: Arquivo Pessoal)Em pratos de plástico, grupo embrulhou com papel alumínio para manter a comida quentinha. (Foto: Arquivo Pessoal)

O momento mais emocionante da noite foi ao passar pela Praça das Araras, onde o vendedor descreve que apesar do medo do escuro, seguiu a intuição: de que havia alguém ali que precisava da comida e do carinho.

"Eu fiquei olhando, será que tem alguém ali? Tinha uma bicicleta, fomos e presenteamos uma senhora que estava deitada. Antes de eu falar, ela já abriu e começou a comer. Essa parte para mim ficou bem marcante".

O rosto da senhora e a reação deve ficar guardada por muitos anos no coração do vendedor. "Realmente ela estava com fome. Tem gente que realmente não tem nada e algumas coisas como este pequeno gesto, a gente se sente feliz. Dessa mulher foi bacana", acrescenta. 

As 13 marmitas foram entregues em 1h. Os 60 minutos de trajeto foram suficientes para despertar no grupo a vontade de fazer mais em 2015.

"Eu voltei pra casa com não com a satisfação de dever cumprido, porque muita gente precisa, muita gente está passando necessidade e não é só na rua. Nas próprias casas. Estou não contente, mas com desejo de querer fazer mais. Por mais que seja um gesto pequeno, é o que eu quero: poder passar para as pessoas que o próximo ano pode ser um pouco melhor. Podia ter sido mil marmitas ou uma, mas eu sempre vou querer fazer mais no próximo ano".

O rosto da senhora e a reação deve ficar guardada por muitos anos no coração do vendedor. (Foto: Arquivo Pessoal)O rosto da senhora e a reação deve ficar guardada por muitos anos no coração do vendedor. (Foto: Arquivo Pessoal)



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