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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

02/09/2015 12:00

Do sorriso à dor, simplesmente aprendi que na vida tudo um dia passa

Mariana Monge
Exigia da vida uma resposta para todo e qualquer sofrimento, queria uma hora marcada para as lágrimas secarem"Exigia da vida uma resposta para todo e qualquer sofrimento, queria uma hora marcada para as lágrimas secarem"

Já dizia minha mãe, nas horas que a dor escorria pelos meus olhos: "Isso também vai passar"... E esta foi uma das melhores lições que aprendi com ela.

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Quando o sofrimento chega, perece que ele veio pra ficar e que nunca tem a mínima pressa de ir embora. Não queremos a companhia da dor, temos dificuldade em aceitar as lágrimas. Não temos paciência com o processo de cicatrização. E no fundo, nunca estamos preparados emocionalmente para lidar com o que nos faz sofrer.

Lembro-me que eu ainda era adolescente quando minha mãe me disse isso. Eu chorava deitada no colo dela, questionando-a sobre as "injustiças" da vida. E ela, passando a mão no meu cabelo, me disse com todo amor, paciência e sabedoria: "Isso vai passar". Na minha ânsia de viver e de precisar entender TUDO sobre as "coisas da vida", não compreendi o precioso conselho dela. É claro que eu esperava uma resposta mais enfática, mais precisa e muito mais clara. Esperava o preto no branco, o óbvio... Mas ela disse apenas "isso vai passar".

E minha mãe sabia exatamente o que dizia, pois um dia a maturidade ensinou a ela que o tempo é capaz de curar qualquer dor. Mas vendo minha reação de desapontamento diante de uma resposta tão rasa (ao meu ver, na época, claro), ela prosseguiu com sua teoria, ainda cheia de amor nas palavras e nos olhos... "Minha filha, tudo na vida passa, até as coisas boas passam... E isso também vai passar".

Parece clichê demais e eu custei um pouco a entender, pois me soava como um conformismo descabido e eu não podia simplesmente aceitar que não havia nada mais a se fazer com a dor. Exigia da vida uma resposta para todo e qualquer sofrimento, queria uma hora marcada para as lágrimas secarem.

Até que um dia, compreendi que não adianta a gente dar murro em ponta de faca, exigindo que as tempestades cessem de uma hora para a outra. Enxerguei que o sol precisa brilhar para secar a água da chuva... E isso leva um tempo, não é de repente. Por isso, me permito sofrer e tento aprender com cada pontada que faz doer dentro do peito, pois cada lágrima derramada traz um grande ensinamento.

E por fim, minha mãe também me ensinou a levantar de cada queda sendo uma pessoa ainda melhor. Mas isso ela não precisou me falar, eu aprendi a observando viver.

*Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Mais textos na página Mariana Monge.




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