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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

19/11/2014 06:56

Em cada escolha que fiz na vida, deixei um pedaço de mim para trás

Mariana Monge
Para as horas de incertezas e inseguranças, eu escolhi ter fé. (Foto: Gustavo Monge)Para as horas de incertezas e inseguranças, eu escolhi ter fé. (Foto: Gustavo Monge)

Uma coisa é certa: a vida é uma sucessão de escolhas. Das mais simples, às mais complexas. Posso escolher tomar café ou chá de manhã, assim como posso optar entre me agarrar à estabilidade de um emprego “seguro” ou me arriscar a sair da “zona de conforto” em busca de um sonho. Claro que são pesos diferentes e consequências distintas, mas ainda assim não deixam de ser exercício do livre arbítrio.

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E as maiores escolhas que temos que fazer durante a jornada não surgem com hora marcada e também não vêm com manual de instruções. É como chegar a uma bifurcação no meio da estrada e não encontrar qualquer sinalização. Fazer escolhas é, quase sempre, correr riscos e renunciar a pedaço de nós mesmos.

Essa hora chegou para mim aos meus 28 anos, quando tive que fazer as minhas maiores escolhas (pelo menos até aqui). Foi, então, que descobri que escolher é abandonar um pouco de si. Isso me causou um misto de sentimentos. Ao mesmo tempo em que é assustador, também é libertador. Foi como tirar a poeira das botas e ir caminhar, sem garantia de nada.

Escolhi, antes de tudo, amar... Com a plena convicção de que eu precisaria estar pronta para me ferir e me decepcionar algumas vezes. Por isso, também escolhi perdoar, com mais certeza ainda de que em vários momentos a pedra a ferir sai da minha mão. Mas essas ainda não foram as minhas maiores escolhas, por mais nobres que elas sejam.

No dia 28 de julho de 2014, cheguei a Belo Horizonte. Escolhi uma vida nova. Escolhi sair de Campo Grande, largar família, amigos, carreira, casa, carro, para vir em busca de um sonho. Não me permiti olhar para trás. Apenas vim, e deixei um pedaço de mim. 

Em todo começo, a estrada sempre parece longa demais. E foi nesta hora que descobri que é imprescindível ter paciência. Afinal, é aos poucos que a vida vai dando certo. Ainda não sei se fiz a melhor escolha, e talvez nunca saiba. Mas fiz.

Coloquei na bagagem toda a emoção que me movia e enchi o peito de coragem. Acredito que temos que estar atentos às oportunidades que passam, pois elas podem não voltar. E se por um acaso, um dia, eu precisar voltar, farei isso com toda a certeza de que escolhi enfrentar os meus medos e venci os meus próprios fantasmas.

Cada um sabe onde o sapato lhe aperta e em qual situação desistir é o maior ato de coragem. Mas para as horas de incertezas e inseguranças, eu escolhi ter fé.

*Mariana Lopes é jornalista e colaboradora do Lado B. Mais textos na página Mariana Monge.




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