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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

18/12/2013 06:37

Gafes e prejuízos de quem sobrevive escrevendo placas de promoções nos mercados

Elverson Cardozo
Na profissão desde 88, Marcos já errou bastante, mas as gafes serviram de experiência. (Foto: Elverson Cardozo)Na profissão desde 88, Marcos já errou bastante, mas as gafes serviram de experiência. (Foto: Elverson Cardozo)

“Atenção. Coloque a mão no saco para pegar o pão”. Na padaria, diante de um aviso como esse, o que você, homem, pensaria? Não responda. É melhor. A foto do recado inusitado, no mínimo indiscreto, é um desses registros absurdos que a gente vê circular no Facebook. Parece brincadeira. Neste caso, pode ser. Ninguém sabe. Na internet a gente encontra de tudo. No supermercado também. Acredite. Em Campo Grande, vire e mexe, algum cliente atento flagra pérolas desta natureza. Coitado dos “cartazistas”.

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Na profissão há 25 anos, 15 deles dedicados a uma única empresa da Capital, Elias Antônio da Silva, de 48 anos, já passou por algumas saias justas. Nunca chegou a elaborar frases com duplo sentido, como o da “mão no saco”, mas já saiu no prejuízo.

Outro dia, por conta de um anúncio errado, ele teve de pagar a conta de um cliente. “Eu coloquei R$ 2,99 o quilo da cereja e o valor era por 100 gramas. O cara quis levar”, conta.

Oferecer a alface por quilo também já aconteceu, mas o gerente, na época, conseguiu contornar a situação, relembrou. Nem todo mundo cede. Muita gente, amparada pelo Código de Defesa do Consumidor, não quer saber se foi um erro, se o cartazista é gente ou robô. Não importa.

Na boca do caixa, qualquer diferença é lucro. “O mundo é assim. Um quer tirar vantagem do outro”, filosofa. A diferença de preço, na gôndola e no cartaz, é um erro clássico e de maior prejuízo entre esses profissionais, mas há outras “mancadas”. Assassinar o português é uma delas.

Até descobrir a grafia correta, Elias escrevia berinjela com G. Beneficente era outra palavra complicada. Ela teimava em registrar “beneficiente”, com “I”. Foi preciso um amigo alertá-lo.

Depois disso, Elias, que estudou só tem o ensino fundamental completo, resolveu pesquisar. Hoje ele anda com um dicionário e, sempre que tem uma dúvida, faz uma consulta rápida.

Com as promoções de final de ano, cartazes são trocados com frequência. Erros podem aparecer. (Foto: Elverson Cardozo)Com as promoções de final de ano, cartazes são trocados com frequência. Erros podem aparecer. (Foto: Elverson Cardozo)

“Tem que ter um pouco de noção, senão você escreve exceto com S”, comentou. “Tem palavras que são complicadas”, acrescentou. O amigo de ofício, Marcos Lopes Netos, de 41 anos, sabe bem o que é isso. Na profissão desde 88, ele também possui um “portfólio” de erros. Nada que seja crime. “Escrevi uma vez, em uma parede bem grande: “Brail Central”. Era Brasil Central. Tive que refazer tudo”, contou.

Em cartazes de promoção Marcos também já errou. Ele sabe que dá problema, por isso, dobra a atenção. Apesar das dores de cabeça, os erros serviram de ensinamento. Os anos de experiência mostram que, por mais que estejam agindo dentro da legislação, alguns clientes, inflexíveis, gostam de sair ganhando.

“Se o produto está 0,99 centavos no cartaz e 0,89 na gôndola, as pessoas vão enxergar o mais barato. Agora, se for ao contrário, vão querer pagar pelo preço do cartaz. Isso é tirar vantagem”, disse.

A vingança - Para os cartazistas, quando a desatenção reflete no bolso é sempre pior, mas, em épocas de comunicação instantânea, a vingança por parte dos consumidores vem, muitas vezes, de outra forma, geralmente em registros fotográficos.

Registro da promoção postada pela publicitária Thaís Munhoz. (Foto: Reprodução/Facebook)Registro da "promoção" postada pela publicitária Thaís Munhoz. (Foto: Reprodução/Facebook)

Na semana passada, a publicitária Thaís Munhoz, ao ver um erro em um cartaz, não pensou duas vezes e compartilhou a gafe no Facebook, citando o nome do hipermercado.

Na gôndola, o sabonete líquido foi anunciado por R$ 5,25, mas, no panfleto colado abaixo, o mesmo produto aparecia na “promoção” por R$ 5,99. “Tirei a foto porque achei a situação engraçada. A gente nunca espera encontrar essas gafes em supermercado. [...] Já vi na internet, mas nunca tinha presenciado uma”, afirmou.

A desatenção, diz ela, é o grande problema, mas, às vezes, é falta de conhecimento mesmo. “O pior é que isso é fácil de resolver, com uma pesquisa rápida na internet”, sugeriu.

Para a jovem, essas “pérolas” incomodam. Se for por causa do preço, justificou, não dá para saber o real valor do produto. “Dependendo da gafe, me sinto enganada como, por exemplo, anunciar na promoção um produto por R$ 3,99 e ver que antes ele custava R$ 3,25”.

Sim, a raiva é praticamente inevitável, mas, em alguns casos, a compreensão e o bom senso podem aplacar o furor. Não fosse a observação do colega, Marcos Lopes iria desejar, dia desses, um “Própero ano novo” - sem o “S” – a todos os clientes do supermercado onde trabalha.  Acontece. O que vale é a intenção. Herrar é umano.

Placas publicadas no Facebook dizem tudo.Placas publicadas no Facebook dizem tudo.
Gafes e prejuízos de quem sobrevive escrevendo placas de promoções nos mercados
Gafes e prejuízos de quem sobrevive escrevendo placas de promoções nos mercados



"Prá sulucioná esta çituasão, tenhu uma piquena chujestão".
Os cartazistas ou plaqueiros, deveriam exigir que as encomendas dos serviços lhes sejam entregues por escrito.
Se no testo que foi entregue, tiver erro de português, a culpa será do encomendante e não de quem executou o serviço.
 
VALDIR VILLA NOVA em 19/12/2013 09:29:01
Chamou atenção um fato preocupante: que essas grandes redes de varejo queiram repassar para os cartazistas, os prejuízos resultantes de ofertas "equivocadas".
A pergunta a ser feita: QUANTO GANHA um cartazista? É empregado com salário fixo? É profissional autônomo, que ganha por produção?
Pouco importa: cobrar do cartazista os "prejuízos" resultantes de compras, onde o cliente faça valer o seu direito de consumidor, não exime a responsabilidade que o estabelecimento tem de CONFERIR se o cartaz está correto, e se todas as informações ali contidas, foram aquelas originalmente estabelecidas.
Me recuso a acreditar que um mercado que fature milhões de reais, seja mesquinho a tal ponto, de cobrar alguns reais do pobre cartazista...
 
Teamajormar ALmeida em 18/12/2013 19:06:14
Na realidade os cartazistas ou plaquistas, são pessoas de pouca cultura, mas o problema maior é que quem os contrata, às vezes também não sabe o que está certo ou errado.
Eu já vi frases assim: Faso cervisos de eletresista em gerau, Ezecuto trabalhos de masajista proficional, Favor xegá cedu pra num perdê a viaje, Si xovê num tem runião. Arfaiataria Aguia de Oro (O correto seria Alfaiataria Águia de Ouro), e outras coisas.
 
VALDIR VILLA NOVA em 18/12/2013 17:02:30
Alguns anos atrás, na entrada da cidade de Aquidauana, havia uma placa mostrando a localização da "Lagoa Comprida" - só que na mesma escreveram assim: "Lagoa Cumprida" - hehehehehehehehehehehehe...
 
Jeanne Couto em 18/12/2013 13:01:32
O duro é a placa numa estrada entre Limeira e Engenheiro Coelho "Ofisina do Anesio", e também o cabelereiro "Corto cabelo e pinto", vote, ainda bem que sou careca e não preciso desses serviços rsrsrsrsrs
 
Juracy Ribeiro em 18/12/2013 10:05:24
Nossa! as ultimas três placas da reportagem são D+!!!! Estou rindo até agora!! Creme dental ANTICASPA. GLÚTEOS na composição! canibalismo no Brasil? Colchão inflamável? kkkkkk
 
André Sagaz em 18/12/2013 09:57:33
Não é a questão do cliente querer ou não levar vantagem. Se um produto está anunciado por um preço na etiqueta e outro no cartaz, eu devo pagar qual? O mais caro??? É claro que não.
O que falta, na grande maioria das vezes, é o controle do mercado em colocar na gôndola o preço real do produto. É comum ver um preço na gôndola e quando vai passar no caixa é outro.
Tem muitos clientes que colocam a compra sobre o balcão do caixa e nem olha para o que está sendo registrado no seu ticket fiscal.
Comumente eu vou passando os produtos e olhando o preço registrado, e, não raramente, há um produto com preço diferente do anunciado e/ou da etiqueta da gôndola. Não tenho nem dúvida, peço para a atendente corrigir, chamar o chefe, o gerente ou quem for o responsável. É consertando que eles aprendem.
 
Rodney Oribes da Silva em 18/12/2013 09:23:17
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