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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

08/11/2016 07:31

Intolerância religiosa acontece até no Tinder e pode acabar com uma paquera

Paula Maciulevicius
Nem no Tinder, aplicativo para conhecer pessoas, a religião de cada um é respeitada. (Foto: Marcos Ermínio)Nem no Tinder, aplicativo para conhecer pessoas, a religião de cada um é respeitada. (Foto: Marcos Ermínio)

Segunda-feira, dia seguinte à redação do Enem que teve como tema a intolerância religiosa, a prova de que é preciso falar disso no País está nas mãos de Alex. Funcionário público de 33 anos, ele prefere não se identificar por completo, mas expõe o que o deixou reflexivo durante todo o dia de ontem. A menina com quem ele conversava no Tinder não aceitou o fato dele ser espírita, quando o assunto chegou nas religiões de cada um. 

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A intolerância religiosa existe até nas redes sociais e aplicativos. O Tinder, ferramenta que Alex usa para conhecer pessoas, mostrou que ela pode vir logo nas primeiras frases e entre os jovens. O diálogo reproduzido pelo Lado B chega a ser surreal. Depois de trocarem algumas palavras, um adicionou o outro no WhatsApp

"Oie, boa tarde, tudo bom? Alex aqui, do Tinder.

Td bom? E você?"

Depois dos cumprimentos e dos comentários da correria do dia a dia, um pergunta ao outro a profissão e quando o assunto caminha para os signos, Alex percebeu quão preconceituosa a pessoa do outro lado era.

Ele ainda tentou mudar de assunto logo que a jovem respondeu que não acreditava em signos. "Tenho minha religião, gosto de rock, mas ouço de tudo. Moro com meus pais, tenho quatro irmãos, sou flamenguista". De toda a descrição dada pelo rapaz, ela se atentou apenas à primeira.

"Qual religião?"

"Espírita kardecista", responde ele.

"Tenho medo e não gosto disso", rebateu a menina.

Alex ainda tentou argumentar dizendo que acredita em Deus e ora todas as noites e perguntou também medo de que? "Espiritismo, não creio e nem gosto de falar sobre. Tenho medo de pessoas que seguem".

De imediato, ele retrucou: "poxa, legal. Sabe qual foi o tema da redação do Enem deste ano?" E a menina afirmou que sim, sabia. Mas que não "achava coisa de Deus a religião dele". E que não era para ele ficar bravo, mas ela achava a doutrina nada a ver e ainda justificava que tinha sido criada dessa forma.

A conversa terminou por ele. "Você parecia uma pessoa legal, mas ao escolher ver a pessoa pela fé, é algo que na sociedade atual não é digno de respeito. Até pelo tema do Enem de ontem. Sucesso na sua busca no Tinder. Ninguém pode julgar, só Deus. Nem padre, nem pastor e nem líder de centro".

Alex vai e vem do Tinder nos últimos 12 meses e até então, nunca havia presenciado tal reação. O servidor público diz que sempre foi espírita e que fala ou de imediato, ou quando a conversa vai fluindo.

"Reparo quando a pessoa não acredita muito em signo, que ela é fechada. Mas dizer que não rola pela religião? É intolerância, preconceito religioso, ela nem me conheceu pessoalmente", avalia.

Alex ainda busca exemplos ao seu redor, de casais que estão juntos, mesmo tendo crenças diferentes. "Por mais que a pessoa creia ou não em Deus, tem que ter o livre arbítrio de agir, pensar e viver. Ela meio que desdenhou o assunto e já tesourou. Nem me conheceu pessoalmente, nem conversou comigo. Por causa da minha fé eu não sou certo?" questiona.

Das próximas, Alex promete que não vai mudar de assunto e nem ocultar a religião. "Não é porque tomei um susto com uma pessoa, que vou ficar retraído com outras. A relação que faço disso com a redação é que hoje em dia a intolerância é algo que a gente tenta tapar com a peneira. Porque isso está também no Tinder, na atitude da pessoa. É um preconceito que existe", analisa.

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