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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

16/09/2014 06:23

Quantas vezes você reclamou depois de ficar uma eternidade na fila do banco?

Aline Araújo
Dona Amália sempre reclama pelos direitos e coleciona processos no Procon, (Foto: Marcos Ermínio)Dona Amália sempre reclama pelos direitos e coleciona processos no Procon, (Foto: Marcos Ermínio)

Ninguém gosta de esperar, mas a rotina mostra que também é difícil encontrar alguém que goste de reclamar a sério, levando até as últimas consequências um direito que é garantido em lei. Esbravejar na fila, isso muita gente faz, mas quantos realmente reagem depois de, por exemplo, ficar horas para conseguir o que precisam no banco?

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Depois de um dia útil, com muita coisa para resolver na agência, a justificativa de quem se incomodou, mas deixou por isso mesmo, é a falta de esperança de alguma coisa vai mudar. “Sempre demora muito, mas eu não costumo reclamar para não estressar”, afirma a auxiliar administrativa, Claudinéia Vasques, de 23 anos, já desacreditada.

“Não compensa não, isso nunca vai mudar”, comenta o motorista Alessando Tomás, de 24 anos. Ele acredita, ou melhor, não acredita mais que revindicar pode resolver o problema definitivamente. Para Alessandro, como depende do banco, é melhor aceitar o que é ofertado. É o senso comum, ficar na zona de "desconforto", se acomodar, até mesmo com o que incomoda.

Para fugir da dor de cabeça, Claudinéia nem reclama.  (Foto: Marcos Ermínio)Para fugir da dor de cabeça, Claudinéia nem reclama. (Foto: Marcos Ermínio)
Alessandro já se acostumou com as filas.  (Foto: Marcos Ermínio)Alessandro já se acostumou com as filas. (Foto: Marcos Ermínio)

Mas nem tudo está perdido. No ir e vir da porta giratória, sempre sai alguém que não desiste de tentar e alguns até colecionam processos no Procon (Superintendência da Orientação e Defesa do Consumidor). A aposentada Amália Araújo, 74 anos, é uma das pessoas que não têm tempo ruim na hora de reclamar. “Na lei é uma coisa, mas na prática é outra. E eu reclamo mesmo. Já fui até no Procon reclamar de problema com o banco. E acho que todas as pessoas que foram mal atendidas tem ir até a justiça procurar os seus direitos”, ensina.

Ela não quis dizer o nome do banco, mas contou que já foi destratada e por isso acionou a justiça. “Eles tiveram que fazer um documento pedindo desculpas”, garante. Ela deve ter a fama de encrenqueira, como tantas outras pessoas que partem para o ataque quando se sentem prejudicados. Mas não se intimida não, e lamenta que poucas pessoas têm a mesma postura na hora de exigir o que é de direito.

“O sul-mato-grossense que me desculpe, eu sou daqui também, mas quando se trata de ir para o 'abraço', buscar os direitos, ele inventa uma desculpa. É eu tenho que levar a filha no médico pra lá, eu tenho prova amanhã para cá e na maioria é mentira”, protesta a senhora que fala que sempre incentiva os amigos a reclamarem e explica como funcionam as leis.

Casal está indignado por ter ficado em fila e depois não ter sido atendido no Procon.  (Foto: Marcos Ermínio) Casal está indignado por ter ficado em fila e depois não ter sido atendido no Procon. (Foto: Marcos Ermínio)

“Se todo mundo reclamasse as coisas seriam melhores. Meu pai me ensinou desde pequena, cidadania a gente tem que ter em cima da regra”, conclui.

Mas as vezes quem reclama e busca pelos direitos também diz ser vitima da indiferença de quem deveria ajudar. "A última vez que a gente foi no banco esperou mais de duas horas. No próprio Procon acontece o mesmo. A gente chegou às 13h30, foi ser atendido às 15h30 e eles ainda mandaram a gente voltar outro dia, porque não tinham nenhum consultor disponível”, explica, revoltado, o técnico em enfermagem Marcelo Gonçalves, de 30 anos.

 




Sobre esse assunto já existe a lei 4303/05, que diz que todas as agências bancárias, localizadas no âmbito do município de Campo Grande, são obrigadas a prestarem seus serviços em tempo razoável aos usuários que estiverem na fila ou portarem senhas para atendimento no guichê. Em dias comuns o tempo máximo é de 15 minutos. Já nas datas de pagamentos de funcionários públicos municipais, estaduais e federais, de vencimentos de contas de concessionárias de serviços públicos e de recebimentos de tributos, o tempo permitido de espera é de 20 minutos. Nos dias de véspera ou pós feriados prolongados, o atendimento dever ser feito em até 25 minutos. Se isto acontecer, procure seu advogado e ingresse com uma ação de indenização por danos morais. Somente assim, se todos (ou muitos) entrarem, os bancos mudarão suas posturas no atendimento.
Eu acredito, e muito, no ativismo judicial do consumidor para mudar situações tão corriqueiras como esta.
 
Ricardo Edgard da Silva em 16/09/2014 14:08:37
Olá, pessoal! Sou advogado e membro da Comissão de Defesa do Direito do Consumidor da OAB/MS.

Quem sofrer com problemas como este da reportagem deve procurar um advogado para ingressar com uma ação contra o Banco.

Mas como provar que fiquei um tempo "X" na fila? Simples:
Quando você entra no banco, normalmente você pega uma senha, contendo a hora e minuto da retirada; quando pagar sua conta, no boleto (se for o caso) vai estar a hora que você pagou. Pronto, juntando um com o outro você consegue comprovar a hora que entrou e a hora que foi atendido.

No mês passado, se não me engano, um consumidor ganhou R$ 5.000,00 por danos morais, em razão de ter ficado na fila.

Não entrem com processo no Procon, pois não adianta nada. Lá você não vai ganhar nada e dificilmente o banco sofrerá também.
 
Hugo Fanaia de Medeiros em 16/09/2014 13:47:08
Existe um ótimo jeito de fugir da fila do banco: não ir para o banco! Quase TUDO dá para fazer pelo internet ou pelo celular. Este ultimo já é capaz de ler código de barras de boleto e etc com a câmera. A unica coisa que ainda não dá para fazer no celular é sacar/depositar dinheiro, mas para isso existe caixa eletrônica. Se vou para o banco tres, quatro vezes por ano é muito. Realmente não entendo esta multidão que fica esperando na fila. Esperando por que?
Alias, se o banco cobrasse R$ 5 para cada transação feita na caixa que poderia ser feita também em caixa eletrônica ou pelo internet, o problema das filas estaria resolvido em uma semana...
 
Marc Boncz em 16/09/2014 12:38:06
Dia típico em Campo Grande, você vai ao banco, chega lá tem milhões de pessoas, qual melhor estratégia entrar na fila e pronto. Acontece que sempre que tem essas demoras a reclamação não é pra quem deveria realmente ser reclamado. É sempre no nosso ouvido da fila ou pro pobre coitado que está no caixa. Se a pessoa fosse capaz de resolver o problema do caixa ela não trabalharia no caixa, daí o típico reclamão reclama com o cara da frente ou a velha que tá atrás e geralmente fica naquelas indiretas até chegar no caixa. Chega lá fala monte pra pessoa que não merece ouvir aquilo e depois sai dali dizendo que causou no banco. Eu sempre vi essa mesma cena, é assim no mercado é assim no cinema em tudo. ALGUÉM AÍ CONCORDA COMIGO.
 
Cyro Escobar Ribeiro Neto em 16/09/2014 09:54:03
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