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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

16/11/2011 18:02

A praça fechou, mas o jogo continua firme entre velhos amigos

Ângela Kempfer
A frente jogo de cartas e ao fundo o dominó. (Foto: João Garrigó)A frente jogo de cartas e ao fundo o dominó. (Foto: João Garrigó)

Bem longe do vai e vem das pessoas, aposentados que transformaram a Praça Ary Coelho em ponto de encontro e de jogo agora experimentam um ambiente muito mais sossegado.

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Como a praça fechou para reforma, o grupo teve de encontrar outro espaço para o dominó e para as partidas de canastra e hoje passa as manhãs e tardes sob as árvores do Horto Florestal de Campo Grande.

“Nossa, aqui é uma tranquilidade só”, comenta Sinvano Patzloff, de 70 anos. Com o sotaque gaúcho e a carteira do Internacional no bolso, ele é o que mais conversa. “A Ary Coelho é onde a gente se encontrou, sempre foi o nosso lugar, mas aqui também é bom, o que atrapalha é a mesa baixa e o banco duro”, reclama.

A rotina nunca mudou, apesar de ficarem desalojados. “No outro dia a gente já estava aqui”, conta Joaquim Rodrigues, de 71 anos.

Envolvidos na partida de canastra, os 4 amigos dizem que só voltam para casa antes das 20 horas se chover.

Bil mostra o banco que tem de levar para o jogo.Bil mostra o "banco" que tem de levar para o jogo.

Como a maioria, Joaquim anda de ônibus. Sai do bairro Tiradentes, do outro lado da cidade, para encontrar os velhos amigos de praça todos os dias, com exceção de segunda-feira, quando o Horto fica fechado para manutenção.

“Não tenho como andar de carro. O cara fica velho e perde a carteira de motorista. Mas não tem problema não”, diz o aposentado.

Hermann Reichangt diz aparecer de vez enquanto, “porque ainda trabalho”. O vendedor lembra que é “assim que começa” e que passou a jogar na praça “desde que fiquei velho”.

Nas duas mesas de cartas postas, a conversa é sempre alinhavada por risadas e histórias de “velho”, como eles mesmos dizem.

O mesmo tom tem o bate-papo da turma do dominó, a diversão em duas outras mesas de concreto do Horto Florestal.

As partidas curtas têm como marcadores moedas antigas, de 10 ou 20 centavos, da época em que o dinheiro ainda se chamava “cruzado”.

De mochila nas costas, Ugo Carvalho, de 72 anos, explica que sai pela manhã do bairro São Jorge da Lagoa e dois ônibus depois chega “contente” ao Horto Florestal. Tem dias que até almoça por ali mesmo, a marmita doada por um dos funcionários.

“Gosto mais daqui, não tem aqueles maconheiros que ficam fumando do nosso lado lá na Ary Coelho, mas o banco é muito pequeno”, lembra o aposentado bem gordinho, mostrando um circulo cortado na madeira que ele leva todos os dias ao Horto para ter o mínimo de conforto.

“Bil”, como Ugo é chamado pelos amigos, é um dos mais antigos no grupo, mas garante que “não o mais velho”. “Olha só, quando eu comecei a frequentar a praça, já tinha uns 100 por lá”.

Sobre a expectativa de receber uma Ary Coelho novinha em folha, depois da revitalização, os amigos pedem pouco. “A gente só quer uma mesinha boa de jogo e um banco maior”, diz Bil.

Jogo vai continuar até anoitecer.Jogo vai continuar até anoitecer.



Mais legal ainda se o poder público tivesse algum programa social em que esses senhores pudessem ser aproveitados. Certamente que muito eles tem a ensinar para as gerações mais novas.
 
Fernando Silva em 17/11/2011 12:53:53
É bom saber que esses amigos não se separaram com o fechamento da praça,mas seria melhor se o Sr. Prefeito mandasse colocar mesas e bancos confortaveis,para eles e pelo menos uma vez por semana alguem da saúde ,quem sabe alguem da Terapia do SESC,que os orientasse a fazer uma caminhada pela pista do horto mesmo,ali tem espaço suficiente,é uma idéia que pode dar certo.
 
Teresa Moura em 17/11/2011 11:11:25
É muito bom ver reportagens como essa, que mostram pessoas que poderiam estar "entregues" à vida, buscando um forma de diversão e passa tempo saudável.
O prefeito acerta em construir praças e locais de encontros tmb adequados para atender a essa faixa etária, não só crianças e jovens. Sem dúvida isso é saúde.
 
Julia Silva Farias em 17/11/2011 08:50:37
Muito legal, nada de tristeza, bom é conviver entre amigos.
 
Lucia Oliveira em 16/11/2011 09:39:38
Que texto bacana! Interessante como esses experientes senhores agem para não deixar a vida cinzenta! São de fato grandiosos personagens do cotidiano!
 
Jéssica Machado em 16/11/2011 06:21:11
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