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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

08/11/2013 06:01

Velho Guanandizão lota e 6 mil fazem coro emocionado para Roberto Carlos

Ângela Kempfer
O Rei sempre no clássico azul. (Fotos: João Garrigó)O "Rei" sempre no clássico azul. (Fotos: João Garrigó)

Uma boa história depois da outra e de repente você percebe que a maioria na multidão parece ter alguma coisa para contar sobre Roberto Carlos. Surge a recordação da infância, da juventude, do grande amor, do momento mais difícil ou mais feliz de uma vida.

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Aparece até a menina de 17 anos que aos 15 pediu como presente um Cruzeiro/Show do ídolo bem mais velho, mas não conseguiu embarcar no navio porque acabou de recuperação. 

E nem adianta ir contra a maré de mais de 6 mil vozes em um Guanandizão lotado em plena quinta-feira, segundo números dos organizadores do evento. Apesar dos problemas evidentes, não há quem reclame do engarrafamento, do valor do estacionamento, da cadeira de plástico, da qualidade do som, da chuva, do open bar ou do preço do ingresso.

Se a voz do ídolo não chega nítida à arquibancada, lá está o coro de novo, entusiasmado, com a letra na ponta da língua. E assim segue até “Jesus Cristo” fechar a noite. Quem tem um motivo para amar o “Rei” prefere aproveitar ao máximo a oportunidade de cantar junto e tirar fotos.

E aos 72 anos ele corresponde. Fala com carinho de Campo Grande, agradece a presença e começa o espetáculo que para alguns já não é novidade, mas continua como um momento especial. “Fui em São Paulo pensando que seria o último show dele, afinal, o cara tinha 71 anos. É muito bom, vou continuar indo enquanto der”, diz Rodrigo Vianna, de 52 anos.

Primas foram as primeiras a comprar ingressos para curtir da 1ª fila.Primas foram as primeiras a comprar ingressos para curtir da 1ª fila.
Na concorrência, irmãs e a mãe de 89 anos levaram recado para tentar sensibilizar Roberto.Na concorrência, irmãs e a mãe de 89 anos levaram recado para tentar sensibilizar Roberto.

Roberto não é do tipo que “explode” em energia no palco, é um senhorzinho mais contido, com aqueles gestos que a gente cansa de ver na programação de fim de ano da Rede Globo. Mas nem precisa ser diferente.

O que todo mundo quer é ver o cara de roupa azul, com o microfone de lado e, quem sabe, ser visto por um dos maiores artistas brasileiros. Por isso, uma legião de mulheres usa azul como chamariz, um código entre fã e cantor.

A cor preferida do ídolo é a mesma dos modelitos escolhidos pelas primas Rosana e Simone. Sentadas bem em frente ao palco, as duas garantem que foram as primeiras a comprar ingressos. “No dia que começou a venda, às 8h, entramos no site e compramos as melhores cadeiras na 1ª fila”, diz Rosana. Um luxo ao custo de R$ 480,00 para cada uma.

Para conseguir uma rosa, daquelas jogadas por Roberto em todas as apresentações, um item indispensável também não poderia faltar no arsenal das primas: o cartaz para chamar a atenção.

A tal rosa, branca ou vermelha, é o maior objeto de desejo das fãs. Por isso a concorrência entre os cartazes é grande. Aos 89 anos, dona Odete escreve em letras garrafais que Roberto é o “7º filho”, em mais uma tentativa de atrair os olhares e a mira do cantor na hora da distribuição das flores.

“Ixi, já fomos em muitos shows lá no Rio. Aqui, quando ele veio na primeira vez, meu pai ficou até sem janta em casa”, lembra a filha Gilcleide Alves.

Victoria foi barrada na portaria, mas acabou entrando com a mãe.Victoria foi barrada na portaria, mas acabou entrando com a mãe.

O espetáculo tem orquestra, iluminação impecável, mas o que contagia é o repertório. De saída “Emoções” já leva algumas pessoas às lágrimas. Depois vem “Eu Te Amo, Eu Te Amo, Eu Te Amo” e até quem foi ao show para trabalhar (eu) engata a sequência de versos.

Simpático como sempre, até o pai de Michel Teló aparece para tietar. Aldo Teló só lamenta não ter levado a foto que tirou com o Rei na gravação do especial da Globo do ano passado, depois de uma participação memorável do filho. "Quando encontrei o Roberto pela primeira vez, fiquei igual criança boba que vê um ídolo. Não conseguia me mexer", diz sorridente.

Os irmãos Fernando e Nathalie Becker, que ficaram famosos por tatuarem uma canção de Roberto Carlos em agradecimento à vida, conseguiram lugares na segunda fila como cortesia da Dut's, empresa responsável pelo show em Campo Grande. “Estou muito feliz só por entrar. Se um dia ele conhecer a minha história, será a realização completa”, comemora Nathalie.

Para Vera Lúcia e o marido Jurandir Capurro, chegar ali também exigiu sacrifício. Aos 62 anos, ele tem uma doença degenerativa e depende de um andador para se locomover.

Mas os 38 anos de casamentos tinham de ser comemorados no show do Guanandizão, um presente surpresa da filha e do genro. “Adoro a música Detalhes, mas várias falam muito sobre nós dois”, comenta a esposa.

Para, Victoria, de 8 anos, o frio na barriga começa já na portaria. Como os ingressos da família eram para setor open bar, onde é proibida a entrada de menores, a menina quase fica do lado de fora e só é liberada pela camaradagem do segurança.

Entre milhares de casais de mãos dadas e pessoas bem mais velhas, a menina com jaqueta preta de couro é a diferença. Fã do "arrocha", quando levanto a dúvida sobre a admiração ao Rei ela coloca as duas mãos no peito de supetão e jura que também adora Roberto, principalmente por causa do “Esse cara sou eu”. “A gente veio de Jardim, cantando no carro as músicas dele”, reforça.

 

Roberto Carlos e o show de luzes.Roberto Carlos e o show de luzes.

É uma festa para privilegiados, com ingressos entre R$ 140,00 e R$ 480,00. Muitos com dinheiro, outros com "bons amigos", comenta a professora Sirlene Pereira, do bairro Nova Lima. "Fiz rifa de uma semi jóia para poder comprar o ingresso no melhor setor, porque eu não queria ver o Roberto de longe, não teria graça", explica.

A dona de casa do bairro São Conrado, Lucimara Silvino, mobilizou os 5 filhos para uma "vaquinha". "Eles são bonzinhos, todo mundo colaborou", agradece. 

Felizmente, o velho Guanandizão também resolve colaborar na acústica e graças, principalmente, as toneladas de equipamentos no palco, o som chega compreensível do lado de fora, onde vizinhos tentam aproveitar, tomando uma cerveja. "É muito caro, a gente é fã, mas não tem como pagar. Pelo menos o som tá bom", explica Glauce Acosta, que mora na Vila Nhá-Nhá.

A cada introdução musical, Glauce salta para dizer o nome da canção, como prova de conhecimento. "Adora Detalhes, mas sei cantar várias letras dele de cabo a rabo", afirma.

A amiga convenceu a turma a fazer vigília em um dos acessos do ginásio, na esperança dos portões serem liberados, pelo menos, para a última música. "No show do Zezé e do Luciano foi assim", justifica Adélia Gonçalves.

É tanta vontade de ver Roberto Carlos de perto que apenas ver as fotos no visor da câmera de quem acabou de sair lá de dentro já leva as amigas à gritaria. "Ele é lindo!!", concluem.

Casal com ingressos para setor privilegiado no Guanandizão.Casal com ingressos para setor privilegiado no Guanandizão.
Vizinhos do ginásio que tiveram de ficar de fora.Vizinhos do ginásio que tiveram de ficar de fora.



Infelizmente a organização do show merece nota zero. Estive no mesmo espetáculo do Rei há cinco anos. Estava tudo perfeito naquela ocasião. Desta vez a impressão foi a pior possível. Não se conseguia ouvir nenhuma palavra das canções do Roberto. Apenas barulho, barulho e barulho. O organizador do evento deveria devolver o valor dos ingressos. Estacionamento um absurdo. Água mineral de copinho um roubo. Organização do trânsito uma decepção. O show de iluminação, entretanto, salvou a noite: nota dez. Com certeza jamais voltarei ao Guanandizão para qualquer espetáculo cujo organizador seja o mesmo de ontem. UMA LÁSTIMA.
 
Alberto Gaspar em 08/11/2013 15:21:11
Alexandra Baggio, entenda que como todo ser humano, o artista tbém passa por situações de stress e provavelmente neste infeliz dia, o RC devia estar passando por algum problema sério, todos sabemos que sua vida pessoal é cheia de estórias de sofrimentos e superações, desde tenra infância ele vai superando tragédias. O importante é que sua missão que é de transmitir bons sentimentos é insuperável e isso é o que mais importa. Como entender os mistérios da vida? O importante é perdoar sempre e quem sabe um dia receber perdão, hem? Paz e Luz em nossas vidas! Abraços fraternos.
 
MARIA DE FATIMA COSTA em 08/11/2013 14:26:29
Escrever é uma arte e vc jornalista Angêla kempfer, é inegavelmente uma talentosa artista. Descreveu com singeleza a emoção de cada um fã, do RC. S/rebuscados, consegue dar a cada linha, a verdadeira dimensão dos sentimentos dos admiradores. Parabéns!
Mas é desgostoso ver um artista da estirpe do Roberto, apresentar-se num lugar tão ruim. Acústica péssima, ginásio em péssimas condições, esburacado, sem iluminação nos corredores, faltava água nas torneiras,etc. Organizadores, por favor, pelo preço cobrado poderiam dar + conforto as pessoas, open bar de araque, em menos de 1h já estava desabastecido e dizendo que havia se enganado e nossos ingressos ñ/dava direito a nada, como não, paguei caro + taxa de conveniência. Lindo show, quem sabe a letra nem precisou se esforçar e cantou emocionado.
 
MARIA DE FATIMA COSTA em 08/11/2013 14:15:05
Campo Grande realmente carece de uma casa decente de espetáculos. Mas Roberto é Roberto, não se pode negar a história que ele deixou registrada na história musical do Brasil. Por isso, apesar da acústica ser infinitamente inferior ao do Espaço das Américas (SP) onde no mês de abril assisti a este mesmo show, tudo foi relevado!
Não sei como o show chegou até as arquibancadas, mas na pista dava pra entender sim o que o cantor falava, tirando uma palavra ou outra que ficou meio incompreensível, mas que faz parte da dicção do cantor mesmo e é o seu charme rs
Eu também não consegui pegar uma rosa, não consegui falar com o Roberto, não consegui tirar uma foto junto ao mesmo, mas vamos combinar que o cara tem um reinado e é ABSOLUTAMENTE compreensível que isso seja privilégio e sorte de poucos
 
Tânia Brito em 08/11/2013 13:01:30
adorei o show apesar de ter ido na arquibancada e tenho 72 anos pena o som estava muito ruim não se entedia quase nada que ele falava é uma pena e este lugar é muito muito ruim não faz jus á ele a capital tem condições de ter um lugar bem melhor e sem matagal e explorações no começo notei que ele estava bem chateado com o som levei um binoculo e vi bem sua feições depois ele ficou mais alegre porem valeu adorei !!!
 
janete maria barão em 08/11/2013 11:51:26
Sou fã do Roberto Carlos e, lamentavelmente, tenho que discordar de alguns comentários pois a qualidade do som estava "PÉSSIMA", o próprio Roberto Carlos gesticulou diversas vezes p/ os músicos, especialmente para o maestro que não estava contento com a qualidade do som (quando ele falava não ouvia nada...). Estacionamento, diga-se, lamaçal, sem iluminação adequada, desorganizado, com preço abusivo de R$ 40,00. Esperamos + de uma (01) hora para conseguir sair do pátio. Trânsito confuso e mais uma vez com equipes da Agetran inoperante. Sinceramente, está provado que esse local não é adequado para shows, e, sim para prática desportiva.....
 
Fatima Rezende em 08/11/2013 11:17:43
Conheço um fã que não sei se existe alguém tão fã do Rei, porém não pode ir ao show porque quando ele foi comprar os convites era só para clientes CREDICARD os primeiros e quando ele voltou para comprar só tinha arquibancadas, poxa Rei ja que você é Rei e tem milhares de fãs faz show no "Morenão" não no "guanandizão".
 
Hilario Cavaliere em 08/11/2013 10:58:20
Eu amo as musicas do Roberto Carlos cada um dele fez parte da minha vida. Na adolescência, mocidade e até hoje. A apresentação dele foi um show lindo de viver.
 
Eva Melgarejo em 08/11/2013 10:51:19
Uma amiga que ficou na arquibancada por R$140,00 relatou que a voz do Roberto Carlos não chegava nítida pra esse público. Para nós que escolhemos cadeiras numeradas na 7ª fila, tudo foi perfeito e caro, óbvio. Vale lembrar à reportem de Ângela Kempfer e João, que nas arquibancadas a gritaria durante o show teve motivo: a voz do Roberto falhou apesar do preço alto pra arquibancada de concreto. Obrigado pela foto, João Garrigó! Em SP, paguei R$240 em poltrona tipo sofá, mas longe do palco, com mesa e piso aveludado e metrô na Barra Funda em abril de 2013.
 
Rodrigo Vianna em 08/11/2013 10:35:48
Temos que respeitar a opinião de todos. Mas estamos falando das músicas, do seu trabalho com o público. Defeitos todos tem, inclusive eu, vocês, nós, etc. É melhor elogiarmos cantores que trazem algo de positivo para nós. Como cantor ele é insuperável.
 
Mario Guido de Paula em 08/11/2013 09:46:44
Foi muito bom o show, valeu a pena todas as dificuldades, mas Roberto Carlos merecia um lugar melhor, um palco melhor elaborado, um som de qualidade, pois quando ele falava, algumas coisas não ficaram audíveis. Parabéns pela reportagem. Roberto Carlos fala das nossas emoções, do nosso cotidiano, usando uma orquestra afinada, diferente de outros cantores que colocam alguns instrumentos barulhento e sem uma letra que te leva algo para o interior. Valeu a Pena. Esperamos outro show do "Rei", estaremos lá com certeza. Ele é o "Cara".
 
Mario Guido de Paula em 08/11/2013 09:42:17
Muito lindo falar de uma pessoa que na frente das câmeras é uma coisa e atrás é outra totalmente diferente.
Trabalho no Aeroporto e tive a infeliz experiência de ver o "Rei" Roberto Carlos desembarcar.
Olha minha gente, o cara não gosta de tirar foto com fã e se acha o rei mesmo, mas só se for da cocada preta...
Me perdoem os fãs, mas é mal agradecido, pq não dá valor nem nos fãs que ele tem.
Aqui no Hangar não tinha multidão esperando ele, somente os funcionários da empresa que pararam para ve-lo passar e mesmo assim ele ja adiantou que não iria tirar foto com ngm.
Lamentável atitude, eu nem me pagando queria uma foto...mas tinha pessoas que pelo menos pegar na mão dele queriam e nem isso ele foi capaz.
 
Alexandra Baggio em 08/11/2013 08:48:59
Parabéns aos organizadores do show, mais a segurança falhou em deixar uma criança entrar em uma área aonde tem bebida alcoólica liberada. (CAMARADAGEM DA SEGURANÇA)
Para, Victoria, de 8 anos, o frio na barriga começa já na portaria. Como os ingressos da família eram para setor open bar, onde é proibida a entrada de menores, a menina quase fica do lado de fora e só é liberada pela camaradagem do segurança.
 
CEZAR AUGUSTO DIAS em 08/11/2013 08:30:08
Parabéns em dobro para você, Ângela. Primeiro, pela matéria competente,objetiva, mas no tom calibrado com toques humanos, com o jeito de gente que tanta falta faz ao nosso jornalismo.
Em segundo lugar, parabéns também pelo profissionalismo. Trabalhar um texto com esse "fôlego" (não existe texto "grande" ou "pequeno", existe texto ruim e texto bom - e este sobre a festa do Rei poderia ter cinco quilômetros...) na madrugada para postá-lo às seis da matina é coisa de quem gosta do que faz e, especialmente, respeita o leitor.

Alô, amigo Lucimar, pode dar cinco dias de folga-remunerada pra Ângela...

Sucesso sempre, Ângela.
 
oscar ramos gaspar em 08/11/2013 08:18:47
Parabéns pela matéria, Ângela Kempfer, Roberto Carlos merece.
Sou cinquentão e sempre acompanhei a trajetória de Roberto e dancei muito, de rosto colado, suas músicas inesquecíveis. O cara tem personalidade, pois apesar das mudanças de ritmos ao longo do tempo, mantém seu padrão musical fortemente atrelado ao romantismo. As músicas de Roberto foram curtidas pela minha geração, pela geração dos meus filhos, e serão curtidas pela geração de meus netos, bisnetos, trineto e por mais gerações, porque o que é belo será eterno.
 
Sebastião Dussel em 08/11/2013 06:42:17
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