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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

19/03/2015 06:53

Conheça os primeiros consoles de 32bit, anos antes do primeiro Playstation

Edson Godoy
Conheça os primeiros consoles de 32bit, anos antes do primeiro Playstation

No capítulo anterior, "História dos Videogames: Em 1991 a SEGA turbinava Mega Drive com SEGA CD", do nosso especial “História dos Videogames”, falamos sobre o Sega CD, o acessório que possibilitava o Mega Drive a rodar jogos em CD e aumentava também a sua potência, trazendo gráficos melhorados e qualidade sonora superior. Mas o ano de 1991 não se limitou a isso. Ele também entrou para a história como sendo o ano em que foi lançado o primeiro console de 32 bit da história!

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Esse console revolucionário é o CD-i, lançado pela Philips (e sua subsidiária europeia, a Magnavox). Revolucionário em termos, pois o CD-i é muito mais conhecido pelas suas “tosquices” do que pela sua revolução tecnológica. O aparelho foi pensando para muito mais que apenas um videogame. O marketing da Philips dizia que o CD-i uma verdadeira estação multimídia, onde toda a família poderia se divertir, trabalhar e aprender. Isso porque a lista de softwares do console incluía além dos games, diversos aplicativos e jogos educativos. O console também poderia rodar filmes em VCD (utilizando um adaptador), formato que ganhou certa popularidade na Europa.

Que aparelho versátil, né? E foi nessa versatilidade que o CD-i se deu mal, pois apesar de suas várias funções, nenhuma delas tinha a qualidade pretendida. Os jogos em sua grande maioria eram bastante toscos e os controles do aparelho eram horríveis. Outro fator decisivo para o seu fracasso: por ser um console basicamente europeu (apesar de também ter sido lançado nos Estados Unidos), a maioria dos jogos desenvolvidos pra ele eram de softhouses europeias, que na época estavam muito atrás das gigantes japoneses em termos de qualidade de seus jogos.

O fato mais notável do CD-i com certeza fica por conta da parceria feita com a Nintendo, onde a Philips faria um acessório semelhante ao Sega CD para ser utilizado no Super NES, enquanto a Nintendo cederia os direitos de algumas de suas principais franquias. Falamos um pouco sobre esse malfadado acordo no capítulo em que falamos do Super Nintendo, "A chegada do Super Nintendo, um dos consoles mais marcantes da história", que rendeu para o CD-i um jogo de série Mario (Mario Hotel) e três jogos da franquia Zelda. Todos eles são famosos pela baixa qualidade (o do Mario se salva. Um pouco – risos).

Por pouco o console não teve ainda outro jogo do bigodudo, que seria a continuação do Super Mario World do Super Nintendo e se chamaria Super Mario Wacky Worlds. O jogo acabou sendo cancelado ainda em sua fase de protótipo. Confira no vídeo ao final da matéria o protótipo desse game, que por incrível que pareça, estava ficando muito bom!

O CD-i ficou no mercado até 1998, com quantidade de aparelhos vendidos estimado em um milhão de unidades. Pouquíssimo para um aparelho que ficou sete anos no mercado. Ele nunca foi vendido oficialmente no Brasil e era quase impossível ver um desses por aqui. Mesmo nos Estados Unidos onde ele foi lançado oficialmente, não era algo comum de se ver.

Chegamos então ao ano de 1993. Os consoles dominantes da época eram o Mega Drive e o Super Nintendo, ambos de 16 bit, e o único console de 32 bit do mercado, o CD-i, não fazia nem cócegas nessa briga. Eis que então duas fabricantes de microcomputadores resolvem investir no mercado de consoles.

A primeira delas é a Fujitsu, criadora da plataforma de microcomputadores FM Towns. Foi uma plataforma lançada apenas no mercado japonês e mesmo lá não fez grande sucesso devido ao alto custo de seus aparelhos. Porém esse alto custo era revertido em grande qualidade, em especial de seus jogos, que eram conhecidos por possuírem ótimas versões dos arcades da época. Ciente dessa fama, a empresa então resolve criar uma versão de mesa de seus computadores, batizada como FM Towns Marty.

O Marty trazia tanto entrada para disquetes como para CD´s e com isso conseguia rodar praticamente toda a biblioteca de jogos disponível na plataforma FM Towns, à exceção daqueles que necessitavam de instalação em HD (o Marty não tinha HD) ou que necessitavam de maior quantidade de memória (expansível nos computadores, mas não no console). Assim como o microcomputador, o Marty também só foi lançado no Japão e manteve a má-fama de ser ruim de mercado: ele foi descontinuado apenas dois anos depois (1995), com vendas estimadas entre 50 a 100 mil unidades apenas. Hoje ele é altamente buscado por colecionadores.

Outra empresa que resolveu trazer os microcomputadores para as TV´s da sala de estar foi a Commodore. A criadora da plataforma de computadores Amiga criou o Amiga CD 32, versão console do Amiga 1200, um poderoso micro que fazia bastante sucesso no Brasil, principalmente pela qualidade gráfica. O Amiga CD 32 foi o primeiro console de 32bit lançado oficialmente no Brasil. Além daqui, o console também foi lançado na Europa e no Canadá.

Ao contrário do Marty, que utilizava jogos lançados para o micro FM Towns e não possuía jogos específicos, o Amiga CD 32 possuía seus próprios jogos. Tudo bem que a grande maioria era de jogos portados do Amiga 1200 para ele, mas sem um incremento na programação, os jogos não eram diretamente compatíveis.

Ainda falando sobre os jogos, o CD 32 sofreu do mesmo mal do CD-i: a escola europeia, origem da maioria esmagadora das softhouses que lançaram games para ele, estava defasada em relação à japonesa. Conclusão: o apelo de seus jogos não bastava para desviar o interessa das pessoas da briga entre Sega e Nintendo e seus consoles 16 bit, mesmo esses sendo tecnicamente inferiores que o CD 32 e o CD-i. O console foi descontinuado menos de um ano depois, devido à falência da Commodore. Foram vendidas pouco mais de cem mil unidades (apenas!) do console em todo mundo.

E assim se inicia a era 32 bit nos videogames. No próximo capítulo veremos outro console emblemático e também polêmico: o 3DO!!

A coluna de games do Lado B tem o apoio do portal geek Diplomacia Nerd. Visite também o meu site, o Video Game Data Base




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