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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

10/11/2015 06:27

Em 1996 chegava o último console de mesa a usar cartuchos: o Nintendo 64

Edson Godoy
Em 1996 chegava o último console de mesa a usar cartuchos: o Nintendo 64

No capítulo anterior falamos sobre o Virtual Boy, que foi a tentativa da Nintendo de criar um videogame com tecnologia de realidade virtual. Uma das razões de seu fracasso (foram muitas!) foi o fato de o foco da empresa ser na verdade o seu novo console de mesa, o Nintendo 64.

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Tudo começou quando a Nintendo, então empresa dominante do mercado, fez acordo com a Silicon Graphics, uma promissora empresa de tecnologia do Vale do Silício (a meca das empresas de tecnologia) para a construção de um novo console. O plano era apresentar uma versão Arcade em 1994 e o console em 1995. A parceria ganhava o nome de Project Reality (Projeto Realidade).

Eis que em 1994, surgem dois Arcades frutos dessa parceria: Cruis’n USA e Killer Instinct. Ambos utilizavam a versão feita para os fliperamas do projeto, que então passou a chamar Ultra 64. Acreditava-se então que o novo console a ser lançado no ano seguinte se chamaria Nintendo Ultra 64. Chega 1995 e em maio, a empresa anuncia um atraso no lançamento do console, para abril de 1996, com a justificativa que a as desenvolvedoras de jogos precisavam de mais tempo para criar. Eis que no final de 1995 a Nintendo apresenta o console jogável pela primeira vez, durante uma feira realizada no Japão.

Enquanto isso o Playstation vendia horrores pelo mundo, sedimentando cada vez mais o seu futuro domínio no mercado. O Saturn da SEGA também vendia bem, especialmente no Japão. Com esses atrasos, mais e mais pessoas foram desistindo de esperar pelo novo console da Nintendo, passando a apostar as fichas nos concorrentes. Apesar disso, muitos fãs mais fervorosos da marca decidiram aguardar a vinda do novo console, em especial porque o Super Nintendo ainda produzia muitos jogos de qualidade. Um bom exemplo são os jogos inspirados pela tecnologia que adveio da parceria com a Silicon Graphics: Killer Instinct e a série Donkey Kong Country.

Chega abril de 1996 e nada de Nintendo 64. Mais um adiamento. Eis que finalmente em junho desse mesmo ano o console no Japão e em setembro nos Estados Unidos. A linha inicial de jogos no ocidente era de apenas 2 títulos: Super Mario 64 e Pilotwings. Apesar dessa pequena quantidade, todos ficaram impressionados com o novo jogo do bigodudo italiano. Super Mario 64 era revolucionário, trazendo uma jogabilidade 3D inédita e gráficos incríveis para aquela época. Conclusão: em poucos dias, o console de 64bit da Big N já havia vendido mais de trezentas mil unidades nos Estados Unidos.

O preço também ajudou: apesar de anunciado antes do lançamento a U$ 250, o console foi vendido a U$ 199. A Nintendo tomou essa decisão para conseguir ser competitiva frente aos concorrentes da Sony e Sega. No Japão o sucesso não era tão estrondoso, muito devido ao sucesso de Playstation e Saturn por lá, com uma grande quantidade de títulos, inclusive os favoritos dos japoneses: RPG’s.

Falando em quantidade de títulos, o Nintendo 64 perdia feita em comparação aos concorrentes. A explicação para isso era simples: a mídia escolhida, o cartucho, dificultava e encarecia a produção e venda dos jogos, em oposição ao CD, que todos os consoles concorrentes utilizavam. A Nintendo tentou desmistificar esse problema, quando anunciou um acessório que utilizaria uma espécie de disquete com grande capacidade, antes mesmo do lançamento do próprio console. Porém, o acessório chamado de Nintendo 64 DD (sigla que remonta a Disk Drive) sofreu da mesma sina de adiamentos do console, sendo lançado somente no Japão apenas em 1999, e ainda em pequenas quantidades, sendo descontinuado pouco tempo depois.

Já que estamos falando de acessórios, o Nintendo 64 foi bastante inovador nesse aspecto, trazendo o Rumble Pak, acessório que fazia o controle tremer, algo que pouco tempo depois acabou se tornando padrão na indústria. O console também possuía o tradicional memory card (chamado de Controller Pak) para salvar os jogos e também um cartucho de expansão de memória RAM, que possibilita jogos ambiciosos, como The Legend of Zelda: Majora’s Mask, Perfect Dark e Donkey Kong 64.

Aliás, apesar de ter sofrido com menos lançamentos que seus concorrentes que utilizavam o CD, o Nintendo 64 teve uma série de títulos inesquecíveis: 007 Golden Eye, Super Mario 64, Mario Kart 64, Conker’s Bad Fur Day, Diddy Kong Racing, The Legend of Zelda: Ocarina of Time, International Superstar Soccer, Mario Party, Pokémon Stadium, Perfect Dark, Resident Evil 2, Star Wars: Shadows of the Empire, Star Wars Rogue Squadron, Star Fox 64 e Super Smash Bros., apenas para citar alguns. Relembre um pouco de alguns desses títulos nos vídeos ao final da matéria.

No Brasil o console foi lançado oficialmente pela Playtronic em dezembro de 1997, fazendo bastante sucesso. O problema aqui foi a concorrência desleal dos cartuchos originais vendidos com a pirataria que rolava solta principalmente no Playstation. Enquanto um jogo Nintendo 64 custava em torno de 150 reais, um jogo pirata de Playstation saia por 10 reais. Não há dúvida de que isso afetou sobremaneira as vendas do console por aqui.

O console foi descontinuado em 2003, com uma quantidade total de vendas no mundo estimada em quase 33 milhões de unidades. Comparando com o Playstation, com vendas estimadas em 102 milhões de unidades, fica claro que nessa geração a empresa perdeu de vez a sua hegemonia. O próximo passo da Nintendo seria o Nintendo Gamecube, lançado em 2001. Mas isso é assunto para outra matéria.

No próximo capítulo, conheceremos a história do Game Boy Color, que continuou a história de sucesso de seu antecessor no mundo dos portáteis. A coluna de games do Lado B tem o apoio da loja Retro Gamers. Visite também o meu site, o Vídeo Game Data Base.




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