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Campo Grande, Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

15/09/2015 06:45

Nintendo tentou entrar no mundo da realidade virtual com Virtual Boy

Edson Godoy
Nintendo tentou entrar no mundo da realidade virtual com Virtual Boy

No capítulo anterior falamos sobre o Apple Bandai Pippin, console lançado em 1995 como a primeira tentativa da famosa empresa americana de entrar no mundo dos videogames. Nesse mesmo ano, outra famosa empresa, a Nintendo, tentou inovar no mercado de games, lançando um console que utilizava realidade virtual, algo que estava muito em voga em meados da década de noventa.

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Mostrado ao público em novembro de 1994, o console chamou atenção a mídia. Afinal, muitas empresas tentavam sem sucesso até então explorar a realidade virtual nos consoles. E dessa vez, quem chamou a responsabilidade foi a Nintendo, e fez isso através de um de seus maiores gênios: Gunpei Yokoi, criador de tesouros da empresa como o Game Boy. O console seria o primeiro portátil com processador de 32bit da história (isso seis anos antes do lançamento do Game Boy Advance). O nome provisório do projeto inclusive era VR 32.

Então em julho de 1995 o console chegava no Japão. Em agosto do mesmo era foi a vez do console desembarcar nos Estados Unidos. O console chegava com uma linha inicial de quatro jogos: Mario’s Tennis (jogo que acompanhava o console nos Estados Unidos), Red Alarm (jogo de nave), Teleroboxer e Galactic Pinball. Nenhum dos jogos demonstrava a tão falada realidade virtual que a propaganda do console anunciava.

Isso tem uma explicação: durante o desenvolvimento do console, diversas modificações foram feitas no hardware, para torna-lo acessível financeiramente falando. A primeira foi a utilização de telas monocromáticas, que utilizavam as cores vermelho e preto. Utilizar telas coloridas jogaria o preço do console nas alturas e a Nintendo achou por bem baratear o console, que já não era muito barato – 180 dólares, menos que um console de mesa da época, mas bem mais que um portátil, como o Game Boy.

Outro grande problema foi na ausência de portabilidade, pois apesar do console ser basicamente um óculos, ele não era “vestido” no rosto do jogador como um. Para joga-lo era necessário utilizar um tripé que o acompanhava, onde o jogador o apoiaria em uma mesa plana e jogaria sentado em uma cadeira, com os ombros arqueados. Não era nada confortável.

Para piorar, o console causava enjoo, náusea, tontura e diversos outros efeitos desse tipo. Tanto é que a cada 15 minutos, o console entrava em um pause automático, para o jogador descansar a vista e a mente, algo inédito na história dos videogames. Além desses problemas, os efeitos 3D, que eram feitos com um jogo de espelhos que ficava dentro do console e utilizando a conhecida técnica de “parallax”, ficaram longe do que era anunciado. Resumindo: era praticamente uma “irrealidade” virtual.

E quanto aos jogos? Outro quesito em que o console deixou bastante a desejar. A biblioteca disponível para ele é super pequena. Apenas 22 jogos foram lançados, sendo vários deles exclusivos do Japão. Entre os destaques, podemos citar Virtual Boy Wario Land – jogo que iniciou a série de jogos do anti-herói Wario, Mario’s Tennis – outro que também iniciou uma série de jogos de tênis com o bombeiro civil italiano, e que faz muito sucesso até hoje, e Teleroboxer – comumente dito como o jogo que mais trouxe a sensação de realidade virtualdo console (ainda assim, muito aquém do que se esperava).

Diante de todos esses problemas, o Virtual Boy foi um dos maiores fracassos da história dos videogames e sem dúvida o maior da grande Nintendo. Ele também carrega o título de console da Big N que ficou menos tempo no mercado: seis meses no Japão e oito meses nos Estados Unidos. Estima-se que o console não vendeu nem 800 mil unidades, bem longe dos 1.5 milhão de consoles que a empresa estimava vender ainda em 1995.

Apesar de tudo isso, o console é tão ruim assim? Acredite: não é. O maior problema dele é que não entrega o que era prometido e isso já se mostrou fatal na história dos videogames (vide o Atari Jaguar, por exemplo). Mas ainda assim dá para se divertir com ele, além de ser um console extremamente colecionável e exótico. Confira nos vídeos abaixo alguns de seus jogos.

E assim terminamos mais um capítulo de nosso especial. No próximo falaremos sobre outro console da Big N: o Nintendo 64. A coluna de games do Lado B tem o apoio da loja Retro Gamers. Visite também o meu site, o Vídeo Game Data Base.

 




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