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Campo Grande, Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

05/04/2016 10:30

Em 2001 a Nintendo abandonava os cartuchos com o lançamento do Gamecube

Edson Godoy
Em 2001 a Nintendo abandonava os cartuchos com o lançamento do Gamecube

No capítulo anterior do nosso especial História dos Videogames falamos sobre o Sony Playstation 2, console lançado no ano 2000 e que virou um marco na indústria dos games, atingindo marcas incríveis como o maior número de consoles vendidos (mais de 150 milhões de unidades!) e o console com o maior número de jogos em mídia física lançados (quase 4 mil jogos!).

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Imagine como deve ter sido difícil a vida dos concorrentes do Playstation 2. E a primeira empresa a tentar fazer frente a ele foi a Nintendo, com o lançamento do Gamecube. O desenvolvimento do console começou ainda em 1998, através da ArtX, formada por ex-funcionários da SGI, empresa que trabalhou diretamente na construção da arquitetura do Nintendo 64. Em 2000 a ArtX foi comprada pela ATI, que manteve o trabalho direto no console. Cabia a eles a construção da parte gráfica do console. Além disso, a Nintendo também fechou parceria com a IBM para a produção do CPU do aparelho, apelidada de “gekko”.

A essa altura, todos conheciam o futuro Gamecube pelo seu codinome: Dolphin. E muitas eram as promessas sobre o novo console, como a de que seria o mais poderoso console de 128bit em termos gráficos. Além disso, a Nintendo finalmente resolveu ouvir a voz da razão e adotou pela primeira vez, a mídia ótica para o seu console. Quer dizer, ouviu a voz da razão “pero no mucho”, porque ao invés de utilizar o novo padrão da indústria – o DVD – ela optou por uma mídia prioritária, semelhante a um mini-DVD, com capacidade de 1.5Gb. Conclusão: o console não era compatível com DVD’s de filmes e nem mesmo CD’s de música. Para piorar, em comparação com os DVD’s de dupla camada da concorrência (Playstation 2 e Xbox), que suportavam até 8.5Gb de informação, a mídia escolhida parecia obsoleta antes mesmo do lançamento do console.

Então em setembro de 2001 o console chegava ao Japão, com o lançamento americano em novembro do mesmo ano. As vendas iniciais foram boas. O design do console, literalmente um “cubo que roda videogames” chamava bastante atenção. A linha inicial de jogos, que trouxe títulos como Luigi’s Mansion, Wave Race: Blue Storm, Super Monkey Ball e Star Wars Rogue Squadron II: Rogue Leader, não era das mais numerosas, porém era muito boa. Tinha jogos para todos os gostos. E os gráficos do novo Star Wars eram soberbos. Mas, sem dúvida, a presença de Luigi ao invés de Mario foi sentida, sendo o Gamecube o primeiro console da empresa que não teve um jogo do encanador italiano em sua linha inicial de jogos.

O preço de lançamento era de 199 dólares, uma pechincha quando comparado à concorrência: 299 de Playstation 2 e Xbox. Isso sem dúvida ajudou o console no início. Porém, à medida que passavam os meses, o Gamecube foi ganhando cada vez mais a fama de um console feito para crianças. Os jogos considerados mais hardcore, voltado para um público mais adulto, saíam aos tubos para a concorrência, enquanto no console da Nintendo, os lançamentos desse gênero eram mais raros. Esse estigma aliás já vinha desde o console anterior da empresa, o Nintendo 64.

Mas não se engane! Existem jogos excelentes e em grande quantidade para o Gamecube, e de gêneros dos mais variados. Afinal, a biblioteca do console tem uma boa quantidade de jogos (mais de 600 títulos), e destes podemos extrair pérolas exclusivas como Super Mario Sunshine, a série Metroid: Prime, Metal Gear Solid: Twin Snakes, a série Star Wars Rogue Squadron, os jogos da série The Legend of Zelda, Super Smash Bros. Melee, Pikmin, Animal Crossing, Eternal Darkness, F-Zero GX, Mario Kart: Double Dash, Starfox Assault e tantos outros.

Nos multiplataforma, ótimos jogos também deram as caras no console: Resident Evil 4, Soul Calibur II, Resident Evil: Code Veronica X, o fantástico remake do primeiro Resident Evil, Baldur’s Gate: Dark Alliance, Beyond Good & Evil, jogos das séries Burnout, FIFA, Medal of Honor, Splinter Cell, Need for Speed e Call of Duty, Capcom Vs. SNK 2 EO e tantos outros. Ainda assim, era nítido que jogos como Metal Gear Solid 2 (verdadeira continuação da franquia, já que Twin Snakes era um remake do primeiro Metal Gear Solid) e principalmente GTA, fizeram falta para o console.

Mas os problemas não se restringiam aos jogos. A falta de um sistema sólido de jogatina online, por exemplo, prejudicou demais as vendas do console. A Nintendo apostava na época que seus jogadores não tinham interesse em jogos online e que a conectividade do console com outros dispositivos da marca como o Game Boy Advance seria “o pulo do gato”. Ledo engano. A conectividade produzia boas soluções, mas não substituía a nova onda de jogar online. Pouquíssimos jogos tiveram essa funcionalidade, sendo que nenhum jogo produzido pela própria Nintendo trazia a tão desejada função.

Aos poucos o console foi perdendo a imagem de protagonista, e nem mesmo uma redução de preço para 99 dólares em 2003 conseguiu salvar a baixa vendagem do console. Em 2006 a Nintendo lançava o Wii, console inovador que trazia a detecção de movimentos como principal atrativo. Aliás, essa inovação chegou a ser cogitada no próprio Gamecube, mas a ideia foi guardada para o novo console. Sábia decisão! O Wii ainda era retrocompatível com o Gamecube, uma razão a mais para que a empresa descontinuasse o “cubo de jogos” em 2007.

O Gamecube vendeu quase 22 milhões de consoles, ficando atrás de seus competidores, até mesmo do iniciante Xbox.Aliás, o primeiro console da Microsoft será o assunto do nosso próximo capítulo. Confira abaixo alguns vídeos de jogos que marcaram o Gamecube.

A coluna de games do Lado B tem o apoio da loja Press Start, localizada no Shopping Bosque dos Ipês, aqui em nossa capital. Não deixe também de visitar meu site, o Vídeo Game Data Base.

 




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