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07/02/2015 10:19

Caramujo transmite doenças e pode ser criadouro de mosquito da dengue

Viviane Oliveira
O caramujo gosta de buscar abrigo para se proliferar em locais sujos e úmidos.  (Foto: Marcos Ermínio)
O caramujo gosta de buscar abrigo para se proliferar em locais sujos e úmidos. (Foto: Marcos Ermínio)
Bióloga do CCZ monstra como o bicho deve ser manuseado. (Foto: Marcelo Calazans) Bióloga do CCZ monstra como o bicho deve ser manuseado. (Foto: Marcelo Calazans)

Além de transmitir doenças causadas por vermes, o caramujo africano pode virar criadouro do mosquito da dengue se não for eliminado e descartado de maneira correta. Com o bicho morto, a tendência da concha que protege o molusco é acumular água da chuva, tornando-se assim, proliferador do Aedes Aegypti, vetor também da febre chikunguya.

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O caramujo infectado com verme transmite doenças pelo muco deixado conforme o bicho vai se movendo. A transmissão de doenças que podem causar infecção intestinal, meningite e até a morte acontece por meio do consumo de alimentos contaminados, de acordo com a bióloga Sílvia Barbosa do Carmo, chefe do setor de controle de roedores, animais peçonhentos e sinantrópicos do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), Sílvia Barbosa do Carmo. 

O caramujo sobrevive durante o ano todo em abrigos como terrenos sujos, restos de construções abandonadas e plantas, porém no verão o molusco começa a aparecer e causar transtorno. “Eles somem em época seca, porque precisam de ambiente úmido para se proliferar”, explica a bióloga, acrescentando que um caramujo adulto pode pesar até 200 gramas.

O bicho foi introduzido no país na década de 80 para ser comercializado como escargot, no entanto foi descoberto que a espécie não poderia ser comestível e acabou virando praga. Como no Brasil não há um predador natural, a proliferação é muita rápida. A cada três meses um caramujo põe de 200 a 500 ovos. Em cinco meses os filhotes ficam adultos e começam a se reproduzir.

O que fazer - Sílvia explica que a forma mais adequada para controlar o molusco é a coleta manual e a destruição dos caramujos individualmente. Sal de cozinha e venenos não são recomendados, porque contaminam a terra e pode ocorrer o envenenamento de animais domésticos. “A maneira mais correta e eficaz é catar o bicho sempre usando luva ou sacola plástica e colocá-los em recipiente, pode ser balde, com água sanitária”, detalha.

Se não for descartado de forma correta, a concha que protege o molusco pode virar criadouro do mosquito da dengue. (Foto: Marcelo Calazans) Se não for descartado de forma correta, a concha que protege o molusco pode virar criadouro do mosquito da dengue. (Foto: Marcelo Calazans)

Para cada 5 litros de água é recomendado 100 ml de água sanitária. O bicho morre com menos de 30 minutos e pode ser enterrado com cal ou ser colocado em sacola plástica para coleta seletiva. “As pessoas devem catar os ovos também, sempre usando proteção nas mãos. O melhor horário para coleta é nas primeiras horas do dia ou ao entardecer”, alerta. O molusco não pode ser manuseado por crianças e muito menos ingerido. Mesmo com o caramujo morto, a concha dever ser eliminada para não juntar água.

Vilão - O principal problema para a proliferação desse bicho, conhecido como praga urbana, são terrenos baldios sujos, que serve de abrigo também para rato, barata, escorpião, carrapato, mosquito da dengue. Há 5 anos, morando no Bairro Amambaí, na Rua Guia Lopes, a autônoma Maria Dayse Aureliano de Lima Cavalheira, 39 anos, está preocupada com a quantidade de caramujos que vivem em uma área vazia ao lado do imóvel dela. “As pragas estão invadindo o condomínio e a situação está se tornando insuportável”, reclama Dayse.

É lei - Se o terreno é particular, a limpeza e a conservação competem ao proprietário. Uma lei municipal estabelece que os proprietários devem manter os locais limpos, capinados, drenados e calçados. Quem não cumprir será notificado e recebe prazo para regularizar a situação. Se o terreno não for limpo o dono pode receber multa que varia de R$ 1.624 a R$ 6.498.

As denúncias de falta de manutenção em terrenos baldios podem ser feitas no telefone da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) 156. O fiscal vai no local e se o terreno for da Prefeitura, a Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação) será comunicada para fazer a limpeza.




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