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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

03/11/2016 12:50

De uniforme, adolescente comprou 7 garrafas de bebida para festinha

Viviane Oliveira e Julia Kaifanny
Delegado Bruno Urban, que investiga o caso. (Foto: Marina Pacheco) Delegado Bruno Urban, que investiga o caso. (Foto: Marina Pacheco)

Aproximadamente sete litros de coquetel de cidra e catuaba. Essa foi a quantidade de bebida alcoólica que o adolescente de 16 anos, mesmo uniformizado, conseguiu comprar em um bar, e levar para a festa que acontecia, na manhã do dia 24 de outubro, na Escola Municipal Maria Lúcia Passarelli, no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande.

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Na ocasião, uma aluna de 14 anos entrou em coma alcoólico e teve que ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros. Os adolescentes envolvidos no caso já foram ouvidos na Deaji (Delegacia Especializada de Atendimento a Infância e Juventude). O menino está na 7ª série e estudava com com crianças de 12 e 13 anos. Ele não estuda mais na escola. A família dele pediu transferência da instituição.

Hoje o delegado Bruno Urban, responsável pelo caso, protocolou pedido na Semed (Secretária Municipal de Educação) para ouvir a diretora e a coordenadora da escola. “Já ouvi as servidoras informalmente, mas como são funcionária públicas, o pedido precisa ser feito na secretaria”, explica.

A escola não será responsabilizada pelo caso, porque o menino entrou com as garrafas escondidas na mochila. “A escola não consegue revistar a mochila de todos os alunos”, diz a autoridade policial. A pessoa que vendeu a bebida alcoólica para o estudante vai responder a inquérito policial.

Quatro, das sete garrafas de bebida que foram levadas à escola. (Foto: Marina Pacheco) Quatro, das sete garrafas de bebida que foram levadas à escola. (Foto: Marina Pacheco)

Festa - Segundo o delegado, alunos do 9º ano fazia festa para arrecadar dinheiro para a formatura. A entrada era R$ 2. A festa não tinha bebida alcoólica e podiam participar alunos a partir do 6º ano. Em depoimento, o adolescente contou que juntou dinheiro com os amigos, mas que foi comprar a bebida sozinho. “Ele disse que pagou R$ 10 pelo litro de coquetel de cidra, colocou a bebida na mochila e entrou na escola novamente”.

Lá, os meninos distribuíram a cachaça misturada com refrigerante até acabar. No total, o menino comprou sete garrafas. Ele entrou e saiu da escola várias vezes. O menino que levou a bebida para a escola, pode receber medida socioeducativa, prevista no artigo 112 do ECA (Estatuto da Criança e Adolescente).

A menina que entrou em coma alcoólico foi socorrida para uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e liberada depois de tomar glicose.

Crime - De acordo com o promotor da Vara da Infância, Adolescência e Juventude, Sérgio Harfouche, a pessoa que vendeu ou forneceu deve ser responsabilizada pelo crime, que prevê de 2 a 4 anos de detenção e multa de R$ 3 mil a R$ 10 mil.

O promotor explica que antes quem fornecia bebida a menores de 18 anos respondia por contravenção penal. Porém em 2015, o ECA reescreveu o artigo 243 e passou a ser expressamente proibido fornecer ou vender bebidas alcoólicas a adolescentes ou qualquer produto que cause dependência.




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