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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

04/09/2015 09:09

Coordenador da Funai volta a local de novo conflito entre índios e fazendeiros

Índios ocuparam pelo menos uma fazenda que faz parte do território Panambi/Lagoa Rica, identificado em relatório da Funai como terra indígena; no mês passado Justiça mandou retomar demarcação

Helio de Freitas, de Dourados
Índios da aldeia Panambi, no município de Douradina, que ontem à noite ocuparam uma fazenda na região de Dourados (Foto: Divulgação/MPF)Índios da aldeia Panambi, no município de Douradina, que ontem à noite ocuparam uma fazenda na região de Dourados (Foto: Divulgação/MPF)

O coordenador regional da Funai, Vander Aparecido Nishijima, retorna neste momento ao local onde houve um princípio de conflito entre índios e fazendeiros, na noite desta quinta-feira (4), na região do distrito de Bocajá, município de Douradina, a 196 km de Campo Grande e a 30 de Dourados. Um grupo de produtores rurais, a maioria de Dourados, foi mobilizado e se deslocou até a região, para tentar impedir a ocupação.

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Ao Campo Grande News, Vander disse que pelo menos uma fazenda foi ocupada pelos índios. A propriedade fica dentro da área de 12.196 hectares, apontada em 2011 pela Funai como Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica, localizada nas proximidades da estrada Travessão do Castelo, entre Douradina e Itaporã.

Em agosto deste ano, o TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região (São Paulo), seguiu parecer do MPF (Ministério Público Federal) e cassou a determinação judicial que impedia o andamento do procedimento demarcatório de Panambi/Lagoa Rica após três anos e meio de paralisação.

Vander Nishijima disse que ontem à noite foi ao local após o princípio de confronto e conversou com índios e fazendeiros, mas marcou outra reunião para esta manhã. “Estamos voltando lá agora para ver a situação durante o dia, conversar melhor com os índios”.

Clima de tensão – O comandante da Polícia Militar em Dourados, coronel Carlos Silva, acompanhou a situação de ontem à noite e admitiu que o clima foi de tensão. “Os índios fecharam uma estrada e os fazendeiros foram lá e os índios correram. Não houve feridos, mas a situação foi tensa”.

O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) denunciou que um grupo de fazendeiros chegou a disparar tiros na direção dos índios. “Sob chuva de tiros advindos de uma milícia rural, os indígenas se esconderam como puderam em pequenas picadas de mato, estando até o momento impossibilitados de retornar até suas casas”, diz trecho da nota publicada ontem à noite no site do conselho ligado à igreja católica.

História – De acordo com o MPF, a área reivindicada pela comunidade indígena de Panambi/Lagoa Rica foi titulada a terceiros pela União durante o governo Getúlio Vargas, em 1943, durante a instalação da Cand (Colônia Agrícola Nacional de Dourados).

“Conforme o processo de colonização de Mato Grosso do Sul avançava, sempre baseado predominantemente em doação de terras para os agricultores por parte da União e do então Estado de Mato Grosso, os indígenas foram sendo confinados em áreas cada vez mais diminutas. Em razão disso, segundo os estudos da Funai, para os indígenas que ocupavam uma vasta área restaram apenas os 366 hectares que ocupam até os dias atuais”, afirma o MPF.




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