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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

18/01/2012 18:50

Dois meses após ataque, suspeita é que Nísio está vivo e no Paraguai

Marta Ferreira

Inquérito sobre episódio em acampamento Guaiviry, em Aral Moreira, já está concluído e aguarda posicionamento do MPF a respeito

Índigena no acampamento Guaiviry, em Aral Moreira: dois meses após ataque, líder indígena continua desaparecido. (Foto: João Garrigó) Índigena no acampamento Guaiviry, em Aral Moreira: dois meses após ataque, líder indígena continua desaparecido. (Foto: João Garrigó)

Faz dois meses hoje que o acampamento Guaiviry, em Aral Moreira, virou notícia no mundo todo, após um ataque aos índios guarani-caiuá acampados no local à espera da demarcação da fazenda como terra indígena. Desde então, prevalece como mistério o paradeiro do líder da comunidade Nísio Gomes, 59 anos.

A Polícia Federal acredita que Nisio pode estar vivo e, segundo apurou o Campo Grande News, a suspeita é que ele esteja no Paraguai. Para os índios, Nísio foi assassinado por pistoleiros contratados por fazendeiros, que invadiram a área no dia 18 de novembro.

Para a PF, um indício forte de que Nisio esteja vivo é o saque de um benefício que ele tem feito em Brasília, e que nenhum parente assumiu.

Não existe mais uma operação de busca pelo corpo, uma vez que a PF entendeu que não havia evidências de uma execução, como foi afirmado inicialmente. A Corporação considerou um indicio de que Nisio esteja vivo um saque de um benefício que ele tem feito em Brasília, e que nenhum parente assumiu.

As imagens da pessoa que fez o saque não foram conclusivas para a identificação.

Como o clima na região ficou tenso, mobilizando até a vinda de representantes do Governo Federal, foi mantida a presença da Força Nacional de Segurança na região, rondas próximas do acampamento para evitar conflitos.

Hoje, a Aty Gassu, assembleia que reúne lideranças indígenas da região, divulgou nota em que cobra atitude do Governo sobre o caso, dois meses após, para que não caia, segundo a nota, na impunidade. “Se o Estado brasileiro não agir, tememos que o Guaiviry e outras comunidades guarani e kaiowá sofram mais violências”, afirma o texto. “A situação de impunidade está gerando uma realidade revoltante: os pistoleiros não estão tendo mais vergonha de chegar a um acampamento em plena luz do dia para ameaçar as comunidades e matar lideranças”, segue a nota.

Encaminhamento-De concreto, até agora, a investigação sobre o episódio de novembro em Guaiviry tem um inquérito concluído, já encaminhado ao MPF (Ministério Público Federal) em Ponta Porã. O documento indica mocinhos e bandidos dos dois lados.

A PF indiciou 10 pessoas, entre fazendeiros, seguranças e donos de empresas de vigilância, pelo ataque ao acampamento, com balas de borracha. Do lado dos indígenas, também houve um indiciamento, do filho de Nisio que testemunhou o ataque, por falso testemunho.

O MPF não comenta o resultado do inquérito, que agora aguarda a decisão do órgão sobre o que vai ser feito do caso. O procurador responsável pode fazer a denúncia à Justiça da forma como a Polícia mandou, ou ainda pedir novas diligências.




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