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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

08/10/2011 10:21

Vence prazo legal de internação, mas futuro de “Maníaco da Cruz” é incerto

Paula Vitorino

Ele permanece em unidade educacional de internação em Ponta Porã

Adolescente que matou três pessoas e ficou conhecido como Maníaco da Cruz está em Unei de Ponta Porã.  (Fotos: João Garrigó)Adolescente que matou três pessoas e ficou conhecido como "Maníaco da Cruz" está em Unei de Ponta Porã. (Fotos: João Garrigó)

O jovem que há três anos aterrorizou a pequena cidade onde morava, Rio Brilhante, e todo o Mato Grosso do Sul, já poderia voltar ao convívio da sociedade, se fosse cumprida à risca a lei que determina prazo máximo de 3 anos para menores de idade que cometem crimes. Mas o destino do “Maníaco da Cruz”, como ele ficou conhecido após três mortes, ainda é incerto.

A Defensoria Pública Estadual de Ponta Porã enviou na manhã desta sexta-feira (7) o pedido de desinternação para o assassino, internado em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. Agora, a liberdade do adolescente depende apenas do parecer da Justiça.

A reportagem conversou com a titular da Vara de Infância e Juventude na cidade, Larissa Carvalho, na tarde de ontem, e a juíza afirmou que não irá se pronunciar à imprensa sobre o caso, por correr em segredo de justiça, e não quis informar se já recebeu o pedido de desinternação da defensoria.

Segundo ela, “o processo corre dentro do prazo e o que eu tiver que comentar será feito no processo, após a minha decisão”. Larissa sai de férias hoje e o mandado de desinternação do adolescente pode depender do parecer do juiz substituto.

Se o Judiciário der parecer positivo à soltura do Maníaco ainda hoje, o adolescente pode ganhar a liberdade a partir deste sábado (8). Mas se a análise da juíza ficar para o próximo dia de expediente, o adolescente só deve ser solto a partir de quinta-feira (13), devido ao feriado de três dias.

O defensor público responsável pelo caso, Eduardo Mondoni, explica que o pedido de desinternação cumpre o que é exigido pelo ECA (Estatuto da Criança e Adolescente): o adolescente infrator não pode ultrapassar o período de três em internação, devendo o regime ser convertido após esse período para liberdade, semi-liberdade ou liberdade assistida.

Adolescente que ficou conhecido como Maníaco da Cruz tem comportamento considerado normal na Unei onde está. (Foto Minamar Júnior / Arquivo)Adolescente que ficou conhecido como Maníaco da Cruz tem comportamento considerado "normal" na Unei onde está. (Foto Minamar Júnior / Arquivo)

“Pedimos a liberdade total ou em último caso a semi-liberdade ou a assistida. No caso de Ponta Porã não existe unidade de internação para regime de semi, então, o judiciário tem opção pela liberdade total ou assistida”, esclarece.

Na liberdade assistida o infrator não fica internado, mas é acompanhado periodicamente para ver o desempenho nos estudos e tem de realizar trabalhos socioeducativos.

De acordo com Eduardo, o ECA não permite outra “saída” para o destino do adolescente, que não pode mais ficar preso. “Se a juíza negar desinternção por motivos fundamentados, vamos entrar com habeas corpus e estudar outros meios, mas a liberdade é exigência do ECA, não tem outra argumentação”, diz.

No entanto, o Maníaco pode ser privado do convívio social se for interditado, ou seja, internado em clinica de tratamento psiquiátrico.

Para isso, a promotoria ou a mãe do garoto tem de pedir a interdição, comprovando por laudos médicos que o adolescente é portador de grave doença mental e não tem condições de voltar para a sociedade.

“Até agora isso não foi feito, mas pode ser que venham a pedir e aí se inicia outro processo”, frisa.

No caso da interdição ser pedida, outro processo será iniciado, que o Maníaco pode responder tanto em liberdade quanto em internação, de acordo com a determinação da Justiça.

Segundo o defensor, nenhum laudo psiquiátrico do adolescente foi emitido depois que a execução do processo passou para a cidade de Ponta Porã. Na época de sua prisão, em outubro de 2008, o Ministério Público emitiu documento dizendo que o Maníaco não possuía distúrbios mentais.

No dia 29 de setembro deste ano, o judiciário pediu perícia psiquiátrica para o adolescente, mas o laudo ainda não foi divulgado. O resultado pode definir se o garoto volta para a liberdade ou mandado para internação em manicômio.

Desde que está internado na Unei, o Maníaco passa por avaliações a cada seis meses para avaliar se ele poderia ser solto. Em todas, a liberdade foi negada. As análises psicológicas não foram divulgadas pelo processo correr em segredo de justiça.

O perfil do garoto internado é de um menor infrator normal, diz o defensor. Não fexistem reclamações sobre seu comportamento e ele se mostra um pouco isolado. O adolescente não aceita dar entrevistas à imprensa.

Defensor diz que lei não permite que jovem fique além de 3 anos. Defensor diz que lei não permite que jovem fique além de 3 anos.

Crimes-O garoto de 16 anos fez a primeira vítima no dia 2 de julho, quando matou o pedreiro Catalino Gardena, que era alcoólatra. A segunda vítima foi a frentista homossexual Letícia Neves de Oliveira, encontrada morta em um túmulo do cemitério do município, no dia 24 de agosto.

A terceira e última vítima foi Gleice, encontrada morta seminua em uma obra, no dia 3 de outubro. Próximo ao corpo dela ele deixou um bilhete com várias cruzes e letras soltas que, dentre as possibilidades, formava a palavra inferno.

Uma mulher seria a quarta vítima, mas foi solta, sem nenhum machucado, após o Maníaco considerá-la pura. Ele “julgava” as vítimas após fazer um questionário e definir se eram pessoas que acreditavam em Deus e praticavam os valores, caso contrário, eram impuras e mereciam morrer.

Ele foi apreendido no dia 9 de outubro, seis dias após o último assassinato, em casa. No quarto dele havia posters do Maníaco do Parque e de um diabo.

Em seu quarto foi achado um envelope de cor azul, dentro do qual havia um papel com nome das vítimas, escrito em vermelho. Foram encontrados ainda três jornais com reportagens sobre os assassinatos e pertences das vítimas.

Para cometer os crimes ele utilizava luvas cirúrgicas. Ele estrangulava as vítimas e terminava de matá-las com faca, arma com a qual ele escreveu INRI (Jesus Nazareno Rei dos Judeus) no peito do primeiro alvo.

Em entrevista ao Campo Grande News quando foi apreendido, o garoto afirmou que não estava arrependido.




É as leis vão coloca-lo nas ruas só pra testar um pouquinho se ele vai fazer outras vitimas... espero que não seja nenhum deles -os que fazem as leis- e se for ... bom se for vai ser a ultima vitima, ai sim vão tomar atitude.
 
silvia dos santos pereira em 09/10/2011 08:10:53
O Estado não tem o DIREITO de lavar as mãos e expor a sociedade a crimonosos qualificados alegando Direitos de Adolecentes, crime e morte é igual em qualquer circunstancia , quem deve resolver é o estado e não a sociedade que vai acabar mandando o cara para descanso eterno
 
jorge tadeu em 09/10/2011 06:40:23
Bom pessoal, vou dizer uma coisa que é certa. Se esse maluco aí, voltar para as ruas, vai continuar a fazer a mesma coisa, só que desta vez ele não vai ficar vivo muito tempo. Isso é fato. Infelizmente. Com uma mente dessas, faria sucesso sendo um escritor de contos de terror e suspense.
 
Marcelo Max em 08/10/2011 12:28:51
Dr. Maniaco da cruz, agora já pode começar de novo a fazer as barbaridades!!!, cade a justiça!! um elemento desse de alta periculosidade, nas ruas novamente!!
 
Valter Vieira Alves em 08/10/2011 11:39:02
Ô dó, deixa o coitadinho voltar ao convívio social; se ele aparecer pregado numa cruz, vão dizer que é crueldade, será que a justiça acha que as famílias já esqueceram?
Põe esse demente na rua prá ver!
 
Luiz Antonio em 08/10/2011 07:09:42
q essa juiza, leve esse delinquente maluco para bem longe de Ponta Porã, ou pra casa dela pra ele assistir, como quiser, por q se eu chegar dar de cara com esse cara, ele ja era, vai pro inferno.
 
Joel Lara em 08/10/2011 06:37:22
Já passou da hora de mudar o ECA. Já passou da hora de reduzir a maioridade penal. Monstros cono esse não podem voltar as ruas.
 
Fernando Silva em 08/10/2011 04:24:06
Como ele tem discernimento para votar e não tem para responder perante a lei. A idade tem de ser alterada de 18 anos para pelo menos 16 anos. Realmente estamos muito atrasados em relação ao 1° mundo. Se por exemplo fosse nos Estados Unidos não seria essa palhaçada.
 
JOSÉ PEREIRA FILHO em 08/10/2011 01:07:30
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