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04/12/2015 07:44

A ferrovia se foi e nunca mais voltou, mas o sonho pelos trilhos continua

Helio de Freitas, de Dourados
A ferrovia se foi e nunca mais voltou, mas o sonho pelos trilhos continua
Antiga estação de trem no distrito de Itahum; projetos do governo continuam longe de Dourados (Foto: Paulo Yuji Takarada)Antiga estação de trem no distrito de Itahum; projetos do governo continuam longe de Dourados (Foto: Paulo Yuji Takarada)

O município de Dourados, que no dia 20 deste mês comemora 80 anos de emancipação, assim como a maioria das cidades de estados pequenos em um país em desenvolvimento, acalenta sonhos que se mostram cada vez mais distantes de se tornarem realidade. Volta da ferrovia, para baratear custos de transporte e impulsionar o desenvolvimento, é um desses sonhos.

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A ferrovia chegou a Dourados em 1949, no distrito de Itahum. O ramal da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil partia de Campo Grande para Ponta Porã e passava a 60 km da cidade de Dourados.

Os trilhos chegaram a Ponta Porã em 1953. A EFNOB ligava Bauru (SP) a Corumbá (MS). A estrada de ferro teve grande importância no desenvolvimento da Cand (Colônia Agrícola Nacional de Dourados), primeiro grande projeto de reforma agrária do país, implantado no governo Getúlio Vargas.

A estação construída em Itahum está em ruinas. O povoado foi um corredor importante na época e as pessoas tinham facilidade para andar de trem. Dois partiam do local todos os dias. De manhã saía um de Campo Grande e outro de Itahum. “A gente pegava um trem aqui, ia até Maracaju, descia, esperava o que vinha de Campo Grande, pegava e voltava no mesmo dia para passear”, falou o aposentado Antonio Carlos Dagel ao site Dourados News, em março de 2014.

O pesquisador Paulo Roberto Cimó Queiróz, que escreveu um livro sobre a ferrovia, afirma que após a inauguração houve melhoria da movimentação comercial na região. A produção da erva mate era escoada pela ferrovia. Mas a ferrovia fracassou e o trem de passageiros passou pela ultima vez em Itahum no dia 1º de junho de 1996. O último cargueiro cortou a região seis anos depois.

Projetos e mais projetos – Há dois projetos no papel, prevendo a volta da ferrovia e de seus benefícios a Mato Grosso do Sul. A Ferrovia EF-484 tem como traçado Maracaju-Dourados-Lapa (PR), com extensão ao Porto de Paranaguá. A extensão é de 989 km.

O Paraná já construiu parte dos trilhos no trecho entre Cascavel e Lapa, através da estatal Ferroeste. O trecho de Cascavel até Maracaju está todo por fazer, com estudos iniciais indicando o traçado por Guaíra, Mundo Novo, Naviraí e Dourados. O projeto está parado.

A Ferrovia EF-267 tem traçado de Estrela D’Oeste (SP)-Panorama (SP)-Dourados, com extensão de 681,6 km e investimento estimado em R$ 2,9 bilhões.

O trecho previsto corta 19 cidades de São Paulo e Mato Grosso do Sul, sendo sete no trecho Brasilândia-Dourados. A previsão era de que a ferrovia ficasse pronta em 2019, mas a última movimentação é de fevereiro deste ano, quando foi anunciado que três empresas fariam estudos da ferrovia Estrela D’Oeste-Dourados. O entroncamento da EF-484 com a EF-267 está previsto para ser em Dourados.

As empresas Carioca Christiani-Nielsen Engenharia S.A., J&F Investimentos S.A. e Concremat Engenharia e Tecnologia S.A. realizam os estudos complementares do ramal. A escolha do projeto será feita por uma comissão de seleção formada por membros do Ministério dos Transportes, EPL (Empresa de Planejamento e Logística), ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e Valec Engenharia e Construções e Ferrovias S.A. Esta é a ultima fase antes de a ferrovia ir a leilão na Bovespa.

Em abril, ao participar em Washington (EUA) de reunião de primavera do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional), o ministro da Fazenda Joaquim Levy anunciou que o governo lançaria em maio um novo programa de modalidades para tentar viabilizar as obras previstas. O lançamento não aconteceu e os projetos continuam parados.




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