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21/05/2014 15:10

Mesmo com o preço menor para o produtor, consumidor paga caro pelo ovo

Luciana Brazil
Acostumado a comprar ovos, Paulo lamenta o preço alto. (Foto: Cleber Gellio) Acostumado a comprar ovos, Paulo lamenta o preço alto. (Foto: Cleber Gellio)

O tomate deixou de ser o vilão no prato do consumidor. Agora, o ovo é o motivo das reclamações. No mercado, ele continua caro, mesmo com o fim da Quaresma, quando o preço dispara, em razão do consumo menor de carnes para quem segue a tradição católica. Os revendedores, que compram os ovos nas cooperativas, já estão pagando mais barato, porém, para o varejo a redução ainda chegou. Conforme dados do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), em janeiro, uma dúzia de ovos brancos era vendida por R$ 3,76. Em maio, o valor médio pesquisado é de 4,78, um aumento de 27%. 

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O diretor-administrativo da Camva (Cooperativa Agrícola Mista de Várzea Alegre) que fica na Capital, Reinaldo Issao Kurokawa, afirma que a caixa com 360 ovos, vendida durante a Quaresma, que ocorreu entre março e abril neste ano, por R$ 96,00, já pode ser comprada por R$ 84,00. Na Quaresma, muitos católicos se abstem da carne, o que eleva a procura por alimentos que a substituam, como o ovo.

“Eu compro ovos duas vezes por semana. Está caríssimo e está pesando no orçamento”, comentou o autônomo Paulo Ribeiro, 44 anos. Vendendo trufas há 16 anos, ele diz que nem as promoções estão amenizando o efeito negativo no orçamento. “Eu comprava uma caixa com 30 ovos por R$ 6,00. Hoje, eu compro a mesma caixa por R$ 9,50”, uma diferença para mais de 58%.

O economista e analista de mercado Júlio Brissac analisa o comportamento do preço e diz que a diminuição da demanda provoca a desaceleração na produção dos ovos. “E isso deixa o produto mais caro para o consumidor”.

Para o diretor da Camva, o balanço entre a oferta e a procura deve reduzir o preço de forma gradual. “O preço vai recuar. Se tiver muita oferta, o preço cai mais. É a tendência”. Ele ainda lembra que com a demanda menor, a produção cai e aumenta o descarte de aves. “Com pouca procura, os produtores diminuem a produção e descartam as aves mais velhas, que são levadas para os frigoríficos”, explica Reinaldo.

 

Acompanhada da filha, Angela lembra que já pagou R$ 1 pela dúzia. Acompanhada da filha, Angela lembra que já pagou R$ 1 pela dúzia.

Cada plantel descarta, em média, 7% das aves nesse período do ano. “Isso acontece todos os anos, logo depois da Quaresma, quando a procura pelo ovo diminui”.

Ovo caipira- Rico em em ômega 3, o ovo caipira é mais caro que o "de granja". No estabelecimento MS Hortifruti, no bairro Arnaldo Estevão, a proprietária Inês Menchik Shirado diz que uma dúzia do ovo branco é vendida por R$ 4,05. Já meia dúzia do caipira, é vendida por R$ 5,60.

O ovo caipira vem de galinhas criadas soltas na natureza e não em gaiolas. Além disso, a alimentação é o grande diferencial. Elas se alimentam de forma natural, sem ração industrial e estimulantes. “A alimentação do galinha é diferenciado. O ovo branco vem da galinha que come ração industrializada e é criada em gaiolas”, diz Inês.

Segundo ela, não há no Estado granjas que vendam ovos caipiras com data de validade. “Eu encomendo os ovos de São Paulo. É uma forma segura”.

"Tudo que a gente faz leva ovo, é um bolo, uma torta. Está caro demais. Dizem que é o prato do pobre, que agora não é mais", reclamou a dona de casa Angela Miriam Barros, 54 anos. "Lembro de já ter comprado uma dúzia por R$ 1", ressalta.




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