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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

05/04/2013 07:00

Arte ou sujeira? Quais os limites aceitáveis até para o grafite na cidade?

Elverson Cardozo
Grafite em muro da rua José Antônio, em Campo Grande. (Foto: João Garrigó)Grafite em muro da rua José Antônio, em Campo Grande. (Foto: João Garrigó)

A pichação como problema para vários moradores não é novidade em Campo Grande, mas a maioria das discussões leva sempre ao enfoque policial. Desta vez, o Lado B abre espaço para uma discussão que vai além e tem mais a ver com a estética, o desconhecimento sobre esse tipo de manifestação e os limites aceitáveis de arte como o grafite.

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O arquiteto e urbanista Ângelo Arruda é um dos que cobram o debate que envolva, de fato, as necessidades dos artistas e fuja das queixas e registros policiais. O professor é também conselheiro municipal de Cultura em Campo Grande.

No Facebook, nesta semana ele propôs a discussão: “Sujar a cidade é grafitar? “. E as respostas vieram: “Se for mal utilizado se transforma em poluição visual da mesma forma que outros meios visuais”, disse um dos seguidores.

A avaliação do arquiteto é semelhante. Para ele, tanto o grafiteiro como o pichador são artistas, apesar de um ser atacado e outro visto com melhores olhos. Mas há limites para os dois grupos.

Para quem não entende do assunto, a diferença que define as categorias é que um costuma utilizar símbolos para se expressar, quase que em uma linguagem própria, enquanto o outro recorre às cores, sombras e formas.

"Ambos, porém, devem ser respeitados, ter espaço garantido, mas também precisam saber respeitar o direito individual de propriedade. O pichador só é mal visto porque parece não se preocupar com isso”, comenta o arquiteto.

A consequência dessa postura “rebelde” colaborou, ao longo dos anos, para a marginalização do conceito e dos próprios artistas, que agora acabam sendo vistos apenas como vândalos. Com isso, a arte, que tem tudo para ser valorizada, ficou em segundo plano.

 

Além das fachadas, muros figuram entre os cenários preferidos dos pichadores. (Foto: Marcos Ermínio)Além das fachadas, muros figuram entre os cenários preferidos dos pichadores. (Foto: Marcos Ermínio)
Mensagem deixada em monumento da Orla Morena. (Foto: Marcos Ermínio)Mensagem deixada em monumento da Orla Morena. (Foto: Marcos Ermínio)

Se a lei não fosse posta à margem e se o direito individual fosse respeitado, os pichadores poderiam ser vistos, talvez, de outra forma, mas isso não significa que o trabalho poderia ser impresso em qualquer lugar. “Riscos e rabiscos” não cabem em uma edificação histórica ou modernista, mas ficam bem em um muro branco de esquina, em painéis, tapumes de obras ou outdoors disponíveis, por exemplo.

“Desde que seja aplicado em locais que não prejudicam a imagem da cidade, tudo bem. A cidade é um conjunto de imagens. No momento em que alguém vai lá e faz outra em cima daquela, vai prejudicar esse conjunto e estará vandalizando, o que é diferente”, explicou.

Já o grafite, diferente da pichação, “dá para usar em todo lugar”, defende o urbanista. Mas tudo depende de um conceito pensado pelo artista. “Ele vai se comunicar com a cidade, com a expressão que ele entender”, disse.

Se houvesse uma “regra”, seria a mesma para os pichadores: não é em todo lugar que fica bem, mas o grafiteiro, o artista, sabe disso, argumentou o conselheiro. “Ele procura na cidade lugares, espaços e situações em que possa interagir com aquilo ali. Ele precisa ser visto e se comunicar”.

Arte embeleza muro na cidade. (Foto: João Garrigó)Arte embeleza muro na cidade. (Foto: João Garrigó)

A diferença começa por aí, pontuou. Os grafiteiros não vivem no anonimato. Costumam assinar as obras e geralmente respeitam o direito de propriedade, o que torna a relação harmoniosa.

Quanto às discussões que giram em torno do conceito estético do grafite e pichação, Ângelo é categórico: “Esse julgamento, se é bonito, feio ou horrível, escapa das mãos do gestor público. Ele não pode criar critérios para a liberdade de expressão”.

Grafiteiro há 2 anos, Muriel de Oliveira, de 25, é um dos que vive lutando contra a discriminação da arte que considera espontânea e necessária para o embelezamento da cidade. Quem ganha, afirmou, é sociedade. “Menos cimento e coisas cinza. O povo está cansado dessas mediocridades”.

Grafiteiro há 2 anos, Muriel afirma que o grafite e a pichação são formas de protesto. (Foto: Marcos Ermínio)Grafiteiro há 2 anos, Muriel afirma que o grafite e a pichação são formas de protesto. (Foto: Marcos Ermínio)

Segundo o artista, o grafite originou da pichação, considerada uma forma de protesto e manifesto, mas as duas “categorias” conversam entre si.

“Pichação é uma forma de bater de frente com a sociedade, com o que você considera errado no sistema. O grafite é uma forma de alcançar os mesmos objetivos, mas através de uma mensagem colorida”, disse.

Sobre as reclamações geradas em torno dos pichadores, o rapaz afirma que tudo é relativo e que a sociedade precisa enxergar o outro lado. Ele mesmo já pintou, sem autorização, muros de terrenos baldios, mas se justifica dizendo que considera crime deixar o mato alto, a água parada, pondo em risco a saúde dos moradores.

Muriel participou na última quarta-feira de audiência pública na Câmara Municipal sobre o assunto, mas disse que não se sentiu representando por ninguém que lá estava, exceto pela estudante Maria Peralta, representante do movimento universitário. “Acho que nenhuma idéia nossa estava à altura do que eles esperavam”, declarou.

Falar sobre arte e estética urbana, ninguém falou.




Quantas pessoas morrem hoje em dia em campo grande e nenhuma é citada, agora me fala tem tanta porcaria no mundo e pixação nao é nada perto delas, tem tanta pessoa com maldade no coração que é capaz de destruir ela mesma pra construir seu objetivo, Só acho que pichar e grafitar nao é mais que natural voce expressar um desenho pra sociedade falando doque voce acha e expressando seu conhecimento.
 
Luis Antonio em 06/04/2013 10:45:34
Então sujar o muro alheio é arte? Pq não vão pintar a casa deles? da vó deles? dos tios deles? da família deles? Isso é crime, danificar propriedade alheia e as autoridades tem que coibir isso com firmeza, pq nossa cidade está ficando toda suja, um lixo...querem que fique igual São Paulo? uma cidade tomada por pichações, suja e feia? os donos de imóveis particulares, comerciantes e o poder público gastam uma fortuna anualmente limpando a sujeira desses baderneiros, que um dia terão um imóvel e também não irão gostar se alguém pintar suas paredes.
 
Paulo Bonsini em 06/04/2013 09:22:09
A primeira foto mostra uma arte realmente. Todos os dias passo pelo lugar onde essa foto foi tirada (Antonio Maria Coelho com José Antonio). Logo acima tem outra pintura no muro que nao está aqui, mas muito interessante; bem feita e parece real. O muro onde foi pintado não está bonito e é de um terreno onde cresce o mato, o que deu beleza e vida foram justamente as pinturas ali alaboradas.
Já essas grafias ininteligíveis que vemos a cada dia com mais frequência é de doer os olhos e se lastimar profundamante; horror! sinto pena das pessoas que trabalham e compram tinta para pintar seus muros e lojas e vem esses vândalos e estragam tudo. Não seria má idéia pegá-los e como medida educativa fazê-los pintar e deixar o patrimônio como acharam.
 
Valter Castilho em 05/04/2013 23:45:09
Nada contra a pichação.Eu também já pichei muito pelas liberdades democráticas, quando era mais do que necessário dizer aquilo que considerávamos importante.Penso que hoje os pichadores também têm algo a dizer.O problema é o código usado hoje por alguns grupos; são utilizados sinais cujo significados só são entendidos pelo grupo.A comunidade em geral não decodifica estes sinais e os vê como feios e sem importância, o que não acontece com um trabalho "figurativo".Portanto, pichadores, tentem fazer com que seus anseios sejam compartilhados: usem o código coletivo, é mais democrático e pode ser muito mais eficiente...
 
Angela Silva em 05/04/2013 19:14:56
So neste reportagem já fica claro uma diferença bem grande... primeiro e ultimo foto mostram arte (se gostar ou não são outros 500), enquanto segundo e terceiro foto mostram vandalismo. Pichar só textos em grafia feia em objetos publicos e privados deveria ser combatido com bloqueio de bens dos envolvidos (se necessário incluindo seus pais) ate ter pago uma nova pintura para o objeto em questão, pois é um atentado ao bom gosto. Aqueles que gostam de pintar arte em muros poderiam tentar interessar donos de lojas e muros em geral a autorizar a obra, este para mim é um problema muito menor. Mas algo tem que ser feito. Só dificultar a compra de tinta em spray não resolve nunca.
 
Marcos da Silva em 05/04/2013 18:20:43
Se for um desenho bem trabalhado é arte. Se for rabisco é sujeiro
 
Joao marques em 05/04/2013 15:33:37
SE ATÉ FUNK JÁ FIROU ARTE,ESTÁ FALTANDO POUCO PARA ESSES RABISCOS SEM IMPORTANCIA TAMBEM VIRAREM ARTE!!!!! DEUS NOS LIVRE DISSO!!!!!
 
SARAH DE CASTRO OVANDO em 05/04/2013 14:48:38
Temos que separar o que é arte éo que é vandalismo, o ato de grafitar é bem diferente do ato de pixar.Campo Grande não está acustumada com manifestaçao cultural que não seja onça e jacaré, enfim vivemos em uma cidade que cresce a cada dia.Devemos levar em conta que existem vários tipos de manisfestação cultural, devemos estar preparados para receber estas novas culturas, há cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasilia que abrem espaço para este tipo de arte, e em Campo Grande não deve ser diferente.O ministerio da Cultura tem que abrir espaço para todo o tipo de arte e expressão, e as autoridades devem punir aqueles que pixam o patrimônio público.
 
Laenny Pimenta em 05/04/2013 13:02:52
Pra mim não muda nada! Tudo é feio do mesmo jeito. Muro é pra ser pintado, não borrado. Acho ridículo o poder público apoiar essa "papagaiada" toda.
 
Valter Oliveira em 05/04/2013 11:27:52
Já que ficou claro que os pixadores não serão intimidados pela ação policial, acho que a solução é fazer um trabalho educativo junto às escolas, agremiações religiosas, etc.. procurando trazer cada vez mais jovens engajados na luta contra a pixação, não contra os pixadores. O processo educativo, a meu ver, é o único eficaz contra a pixação. A imprensa também tem o seu papel importante, levando o diálogo sobre o assunto para dentro dos lares.
 
Renato Antônio Barbosa em 05/04/2013 11:13:14
Na audiência pública sobre pichação de quarta-feira, esteve na mesa o grafiteiro Sullivan Oliveira. Queremos ouvir os representantes da arte de grafitagem e da pichação, por isso colocamos nossa equipe a disposição, seja para receber a juventude no gabinete ou para ir até o local de encontro sugerido nas comunidades. Nosso telefone é o 33161534, ou podem nos procurar pessoalmente na Câmara Municipal.
Muriel, por favor entre em contato e vamos debater o tema, buscando soluções em conjunto com jovens, políticos, movimentos de cultura de rua, polícias, moradores, educadores, artistas e outros interessados.
 
Vereador Eduardo Romero em 05/04/2013 10:59:45
Existe um ser que pixa a cidade inteira e assina LPZ, gostaria de saber por que ninguém nunca pegou esse indivíduo que só faz sujeira e escreve bobagens!
 
RENATA PROBST em 05/04/2013 10:57:54
Os pichadores passaram dos limites, isso é vandalismo, eles estão afrontando a todos. Onde já se viu sujar uma parede ser "arte", é sujeira e fica feio.
 
Antonio Reis em 05/04/2013 10:42:56
POLUIÇÃO VISUAL!!!! Mto feio! + é gosto, questão cultural, tem gente que gosta de música clássica, mpb e tem gente que gosta de funk!!!!
 
maria mendes fernandes em 05/04/2013 09:51:19
ARTE? Sujar os imóveis públicos ou até mesmo privados pode ser considerado arte? O mais incrível é que nenhuma providência é tomada pelo poder público no sentido de coibir esse vandalismo e a cidade está um lixo. De que adiantaram os esforços da prefeitura e dos comerciante na intenção de transformar o ccentro da cidade?
 
ricardo rodrigues em 05/04/2013 09:15:04
VANDALISMO.Eu adoraria pegar um desses pichadores ou grafieteiros e cortar as duas mãos, primeiro eu daqria uma boa surra de cinto e depois cortaria as mãos em praça pública. Pegar as seis da manhã para trabalhar, estudar e progredir não querem, agora sujar os muros e fumar maconha aí tá tudo legal, faz parte da ARTE.
 
izabel dutra em 05/04/2013 08:11:58
Desculpa, mas tambem estive na audiência publica que o artista se refere e critica. Pelo que percebi foram estes artistas (todos) que não souberam usar o espaço alí dado. Pelo que lembro, quem começou a polemizar aaudiência com tema 'juventude criminalizada' foi a referida universitária que, aliás, ao inves de levar as proposta de quem ela se dizia apresentar, fez mau uso do microfone pra afrontar as autoridades. Pra mim ela só usou o microfone pra fazer gracinha e se colocar como "a tal" perante seu grupo. Não é afrontando autoridade policial ou quem quer que seja que se consegue respeito/espaço. A lei tá ai e os caras cumprem. Um convidado da Sejusp foi bem claro: eles nao sulgam o traço, um risco, rabisco ou desenho: sem autorização são pichações. Da próxima, aproveitem melhor as chance
 
Rebeca Cubel em 05/04/2013 08:03:26
Parabéns pelo texto. Agora o debate necessário.
 
Ângelo Marcos Arruda em 05/04/2013 07:59:10
essa mulecada idiota faz isso pra chamar atenção isso sim, falta de uma boa surra!
 
Thay Gonçalves em 05/04/2013 07:57:40
Tem País que a Lei funciona, que esse tipo de creme é punido com chibatada na bunda em praça pública e nenhum direitos homanos atér hoje mudou.
 
luiz alves em 05/04/2013 07:55:08
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