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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

29/07/2013 16:43

Urbanização e erosão assoream e podem acabar com Lago do Amor

Edivaldo Bitencourt e Bruno Chaves
Assoreamento criou uma grande praia no entorno do Lago do Amor (Foto: Marcos ErmínioAssoreamento criou uma grande praia no entorno do Lago do Amor (Foto: Marcos Ermínio

Um dos principais cartões postais de Campo Grande, o Lago do Amor, localizado na Reserva Natural da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) corre o risco de desaparecer. Tudo por conta da urbanização acelerada no entorno dos córregos Cabaça e Bandeira e do assoreamento do lago do Rádio Clube Campo, no bairro Coopharádio.

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O assoreamento do Lago do Amor já criou até uma “grande praia”, bastante utilizada pelas capivaras. Nos últimos anos, o assoreamento do lago do Rádio, a erosão ao lado da Rua Spipe Calarge e a ocupação urbana na região dos bairros Rita Vieira, Coopharádio e Residencial do Lago agravaram a situação.

A situação é tão crítica, que o biólogo, doutor em Ecologia e consultor ambiental José Milton Longo, alerta para o risco do Lago do Amor, um dos principais pontos turísticos da cidade, transformar-se em um grande brejo.

A parte mais visível do assoreamento é a formação das grandes praias artificiais criadas no entorno do lago. Segundo o engenheiro ambiental da Anambi Análise Ambiental, Thiago Farias Duarte, a sedimentação começa a reduzir a área do lago e, consequentemente, o seu tempo de vida útil.

Duarte defende, inclusive, a adoção de medidas emergenciais para recuperar a represa d’água criada nos anos 70 do século passado pela UFMS. A principal medida sugerida pelo engenheiro ambiental é a dragagem do lago para a retirada dos sedimentos que foram carreados para dentro do curso d´água pelos dois córregos.

A UFMS, inclusive, corre risco de ser multada pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) pelo descaso com o lago. A instituição já chegou a ser multada uma vez pela proliferação de plantas aquáticas dentro do lago em decorrência da poluição ambiental.

 

Capivaras atraem milhares de pessoas para o local (Foto: Marcos Ermínio)Capivaras atraem milhares de pessoas para o local (Foto: Marcos Ermínio)
Assoreamento sofre reflexo de urbanização de até dois quilômetros do local (Foto: Marcos Ermínio)Assoreamento sofre reflexo de urbanização de até dois quilômetros do local (Foto: Marcos Ermínio)

Soluções - Longo avalia que uma das medidas para mitigar os impactos ambientais já está sendo tomada pela prefeitura da Capital, que é a recuperação da área próxima da Rua Spipe Calarge, onde houve a formação de uma grande cratera.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura também está recuperando o Lago do Rádio Clube, que está totalmente assoreado. “O lago do Rádio já era”, frisa o biólogo, já que a represa do clube não segura mais os sedimentos, que acabam caindo no Lago do Amor, localizado a cerca de 1,8 mil metros do local.

Além disso, a urbanização no entorno agrava os danos ambientais na represa d’água dentro da reserva natural da UFMS. Um residencial está sendo construído ao lado da reserva, o que deve elevar a ocupação humana e o tráfego de veículos na região. A situação do lago, se nenhuma medida for adotada, por piorar.

Thiago Duarte também defende um planejamento urbano para minimizar os impactos da acelerada urbanização da região. Uma das soluções é a criação de áreas permeáveis para reduzir a quantidade de água da chuva que é carreada para as áreas de fundo de vale dos córregos Cabaça e Bandeira, que desaguam no Lago Amor.

O engenheiro ambiental ainda propõe uma campanha de conscientização para moradores da região reduziram o despejo de lixo na região e ampliar a área arborizada nos bairros da região.

“Grande” – Até leigos percebem o assoreamento do Lago do Amor. “Passei muito tempo aqui, desde quando era moleque. Do outro lado do lago, a gente vê um pedacinho de areia. Não percebemos que está grande o assoreamento”, afirmou o vendedor Jeferson Alves dos Santos, 28 anos, que estava passeando com a namorada dentro do campus da UFMS.

“Eu acho que essa areia vem lá de cima. As pessoas vão mexendo com obras nas ruas, nos esgotos, nas máquinas e esses restos e sobras vem descendo, é uma possibilidade”, avalia Santos, que reconhece a gravidade do problema.
“Eu acho que o assoreamento dobrou de 2010 para cá, antes era só um pedaço e agora está grande”, avalia o acadêmico de Química, Higor Boreher, 21 anos, que estuda na universidade há três anos.

“Nas últimas chuvas que deu, achei que o lago poderia aumentar, mas não aumentou. Pode ser que essa areia seja de alguma construção aqui perto e com as chuvas venham parar tudo aqui”, avalia o estudante, que passa diariamente pelo lago e observa a evolução dos danos ambientais.

A UFMS foi procurada para falar sobre o assoreamento. A assessoria indicou um professor da instituição. Ele foi procurada pelo telefone celular desde sexta-feira pelo Campo Grande News, mas não atendeu nem retornou às ligações.

Um grande banco de areia vem se formando no campus da UFMS (Foto: Marcos Ermínio)Um grande banco de areia vem se formando no campus da UFMS (Foto: Marcos Ermínio)



O LUTO DO LAGO
Socorro mãe natureza! Eu imploro com tristeza neste gemido oculto pelo meu triste destino, ao ver meu azul cristalino tornar-se águas de luto! Ignoram o “Amor” no qual eu fui batizado, achando estar preservado desta cruel poluição, mas qual não foi minha sorte se não me entregar à morte tão perto da salvação! Vejam às tardes as manadas de capivaras banhadas por dejetos e por restos de óleos lubrificantes, minha fauna está morrendo, minha flora apodrecendo neste desprezo ofegante! Que belo exemplo eu seria! Modelo de ecologia! Que esses doutores defendem em cartaz de preservação, porém o meu triste retrato torna-me envergonhado perante a vossa visão! Ilustres autoridades da lei e da verdade, que nesta Universidade meus direitos representam,Tornai límpido o meu leito, pois este encanto é desfeito nas minhas águas barrentas! Deixo perene meu grito contra este esgoto poluído que sem respeito à vida aos poucos me sufocou, para este Órgão Federal um dia expor em cartão postal O LINDO LAGO DO AMOR!
 
Vanderlei Benites Paes - Vander Paes em 31/07/2013 09:34:34
A UFMS tem culpa sim. Se ela estivesse preocupada com a situação do lago, algumas ações já teriam sido feitas veja se eles fizeram uma pelo menos? Na universidade, tudo se acaba, os projetos ali são fazerem novas construções, enquanto isso, boa partes vai se acabando, veja, por exemplo: as piscinas (existiam ali um parque aquático, hoje só sucata), um restaurante (hoje quando não esta fechado, funciona mal) quadras tudo destruídas, o reservado para piscicultura abandonados há anos, os corredores da universidade cheios de problemas, o auto cine, (histórico para a cidade) esquecido, destruído, abandonado, entre outros muitos problemas. A prefeitura, sim também teria que fazer sua parte, mas o maior devedor é a própria Universidade. Ou você vai deixar sua casa para a prefeitura cuidar?...
 
Thiago da Silva em 30/07/2013 09:50:33
Essa gestão da UFMS, além de corrupta, é incompetente, intervenção do MEC já, senão a UFMS vai desaparecer.
 
Kaio Gleizer em 30/07/2013 09:48:00
Comento isso a anos, finalmente uma matéria mostrando o que está acontecendo em um dos nossos Cartões Postais, ali também tem que ser cercado com alambrado e vigiado, pois tem vândalos que jogam pedras nos animais e já deram até tiro em um jacaré que tem o rabo torto!, acredite se quiser mas é a pura verdade!
 
Walter Luiz em 30/07/2013 08:33:54
O povo ou se faz de bobo, ou pensa em fazer os outros. Alguém acha que vai controlar 1 milhão de pessoas para não contaminar rios, córregos na Cidade? Infelizmente até nas fazendas estão contaminando.
 
luiz alves em 30/07/2013 08:28:50
ESSA UNIVERSIDADE EXISTE PARA QUE ? SÓ PARA FILHINHOS DE PAPAI QUE NÃO PODEM PAGAR OU FAZER ALGO PELO MEIO AMBIENTE ?
 
eraldo a bento em 30/07/2013 07:09:29
"Cabe à universidade pública somar-se a um
projeto científico e social comprometido com um
desenvolvimento abrangente, economicamente
mais justo, politicamente democrático e cientificamente
inclusivo.”
 
Jonas Cavada em 29/07/2013 21:32:41
Então muito me preocupa o fato de várias anomalias que poderiam ser evitadas ou melhoradas aconteçam dentro da UFMS, que é um lugar que tem laboratório, mão de obra especializada, equipamento de ponta, enfim, o lugar mais preparado no estado para lidar com este tipo de problema, primeiro denunciam que há capivaras morrendo por falta de cuidados dentro da Universidade, sendo que lá ha curso de veterinário, zootecnico, etc, agora me vem com o assoreamento do lago do amor, que fica dentro da UFMS, eu sei lá será que essa Universidade é coisa séria mesmo? será que o povo aprende alguma coisa lá dentro? eu tenho minhas duvidas...
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 29/07/2013 17:32:53
A UFMS não tem culpa do descaso da Prefeitura com o descaso em relação ao planejamento urbano. Quem deve dragar o lago é a prefeitura. E para informação de vocês, a sedimentação é processo natural (que pode ser acelerado ou não pelas condições do entorno dos afluentes do reservatório). TODO reservatório artificial tem vida útil. A do lago do amor tá chegando ao fim e ele deve ser reformado. ITAIPU um dia ficará totalmente sedimentada.
Acho que antes de culpar a UFMS, deve-se estudar o assunto um pouco.
Sem mais.
 
André Armando em 29/07/2013 17:16:53
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