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A instabilidade tem que acabar

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*) | 04/10/2026 06:10

Analisando a história, observamos a ausência de estabilidade desde longe. Vamos iniciar no período posterior à vinda de Jesus, o Filho, que veio para esclarecer a realidade espiritual da vida, porque a humanidade havia perdido o rumo e não conseguia mais se ligar com a Luz da Verdade. Tivemos várias fases.

Uma delas foi a fundação da Igreja Roma; seguida pelo Cisma em Constantinopla; reações e reforma de Lutero; surgimento dos Evangélicos; Kardec, dando ênfase ao espírito e reencarnações; a criação do Estado-Nação; Adam Smith e teoria econômica; Marx, críticas ao Capitalismo; Comunismo; Primeira Guerra; Segunda Guerra; criação do dólar e o Capitalismo de Estado.

Em todos esses períodos a instabilidade foi contínua. Por quê? O convívio humano torna-se a cada dia mais difícil. Egocêntricos, os seres humanos acham que sempre estão certos e os outros não. Faltaram propósitos essenciais, sem os quais o viver se tornou uma permanente luta pela sobrevivência, ou seja: faltou o esforço contínuo para alcançar melhores condições gerais de vida; faltou a busca contínua do aprimoramento da espécie humana. Os propósitos essenciais foram definhando, sem eles o viver se tornou uma permanente luta pela sobrevivência.

Foram séculos de despreocupação com o futuro. Com tantas crises, a população se encontra meio inerte, sem iniciativa, e assim tem sido surpreendida quando as coisas acontecem. É preciso despertar força de vontade dos indivíduos para que busquem condições gerais de vida respeitando as leis naturais universais. A inércia é danosa porque transforma seres dotados de razão e livre-arbítrio em peças mecânicas de uma engrenagem maior. Quebrar essa inércia exige coragem para encarar a realidade sem filtros. O ser humano tem de despertar e assumir as rédeas da própria consciência e vida.

Como são tomadas as decisões de um povo, de uma nação? Quem faz parte das decisões? Deveria ser o saber acumulado da população, seus alvos, sua visão de futuro, sua forma de entender a vida com naturalidade. Isso, geralmente, não acontece mais devido à indolência espiritual e embotamento mental. Os líderes manipulam e conduzem as decisões de acordo com os seus interesses. A nação não progride, a população não evolui.

Os indivíduos, em sua passagem transitória pela Terra, têm a capacidade da livre resolução, de se adaptar conscientemente para colher bons frutos, mas se tiverem a intenção de dominar como se fossem pequenos reis, com a sua ignorância e egocentrismo criarão caos à sua volta. Entendendo isso, saberemos por que não há estabilidade.

No cenário atual de dificuldades o que se destaca é a possibilidade de ampliação do terceiro mundo e miséria, países que vão ficando sem condição de autogestão. Sem dúvida essa é a mais complexa situação econômica da humanidade, desde o princípio do capitalismo que teve de remover muitas estruturas para chegar aonde chegou.  Ao Brasil faltaram indivíduos decididos para buscar um destino próprio. Talvez tenha faltado força de vontade e coragem. Agora, não só para o Brasil, a situação de esgarçamento do Estado-Nação, com dívidas e déficits, atinge a muitos, o que os deixa sem ação para fora, e internamente há a polarização pela conquista do poder.

A guerra fria financeira já está pegando tudo e todos: Estado-Nação soberano, trabalho estável, moeda nacional forte, identidade cultural fixa, bom preparo das novas gerações para a vida, estão todas sob pressão. As crenças e tradições antigas estão se desfazendo. Para os grandes investimentos surge a questão dos riscos, sendo que no capitalismo ocidental eles afetam a iniciativa privada, o que não acontece no capitalismo de Estado. Sem propósitos comuns, não há estabilidade. Resta observar e torcer para que sejam preservadas a ordem pública, as condições de segurança e uma sobrevivência condigna.

Temos o mapa da mina nos propósitos básicos. Como colocar isso em prática? Esses propósitos devem estar de forma explícita nas constituições das nações, das religiões, da ONU e instituições globais. Devem ser ensinados nas escolas, transmitidos de pais para filhos, e fazer parte do código de conduta das corporações e empresas menores. Ou a espécie humana atua como deve, criando um modo decente de viver, ou inevitavelmente, caminhará para a autodestruição.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.