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A violência que não terminou

Por Maria Eugênia Marcotti, Gizalda Marcotti, José Ricardo Marcotti e José Flávio Marcotti (*) | 30/09/2026 16:12

Até quando uma mulher pode continuar sendo vítima de violência?

Nossa irmã, Fabíola Marcotti, teve sua vida brutalmente interrompida. E, para nossa família, a dor de sua perda é acompanhada de uma indignação ainda maior: a tentativa de sustentar, até hoje, a versão de que ela teria tirado a própria vida.

Uma versão que, segundo os elementos reunidos na investigação e os laudos periciais produzidos, não corresponde ao que aconteceu.

Fabíola não está mais aqui para contar sua história. Não pode se defender. Não pode contestar as versões apresentadas sobre sua própria morte.

Por isso, nós, sua família, precisamos falar.

Porque a violência que ela sofreu não terminou no dia de sua morte.

Antes, houve a violência psicológica e física que, segundo tudo aquilo que vivenciamos e conhecemos de sua história, fez parte de sua vida conjugal.

Depois, veio uma outra forma de violência: a violência moral contra sua memória.

Quando se insiste em dizer que Fabiola tirou a própria vida, transfere-se para ela a responsabilidade por sua própria morte. Uma mulher que não pode mais falar passa a carregar, injustamente, uma culpa que não pode contestar.

É como se a violência continuasse depois da morte.

Primeiro, tiraram dela o direito de continuar vivendo. Agora, tentam tirar dela até o direito de ter sua história contada.

Mas nós estamos aqui.

Estamos aqui para lembrar que Fabiola existiu.
Que ela tinha uma história.
Que ela tinha uma família.
Que ela tinha sonhos, sentimentos e uma vida inteira pela frente.

E estamos aqui para dizer que não aceitaremos que sua memória seja destruída sobre uma versão que, para nós e diante dos elementos periciais existentes, não corresponde ao que realmente aconteceu.

Não queremos vingança.

Queremos verdade. Queremos justiça. Queremos que Fabiola seja respeitada.

Uma mulher não pode ser silenciada duas vezes: primeiro pela violência que lhe tira a vida e depois pela narrativa que tenta apagar aquilo que aconteceu.

Fabiola Marcotti não tirou a própria vida. Fabiola teve sua vida interrompida.

E enquanto houver uma família lutando por ela, a história de Fabiola não será apagada.

(*) Maria Eugênia Marcotti, Gizalda Marcotti, José Ricardo Marcotti e José Flávio Marcotti, irmãos de Fabiola Marcotti.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.