MS tem mais policiais por habitante, mas agentes cobrem área três vezes maior
Cada PM responde por 60 km² no Estado, ante a média nacional de 21 km² por profissional

Mato Grosso do Sul tem mais policiais militares, policiais civis e bombeiros por habitante do que a média nacional, mas cada profissional atende uma área territorial maior. Os dados constam na segunda edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, produzido pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
RESUMO
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Mato Grosso do Sul tem mais policiais militares, civis e bombeiros por habitante que a média nacional, mas cada profissional cobre área maior. A PM conta com 5.948 integrantes, preenchendo 56,1% das 10.602 vagas previstas, abaixo da média nacional de 65,7%. Aposentadorias reduziram o efetivo, e um novo concurso é estudado. Mulheres representam 15,1% da PM, acima da média brasileira de 13,3%.
O Estado possui dois policiais militares para cada mil habitantes, ante 1,9 na média nacional. No Corpo de Bombeiros, são 0,6 profissional por mil habitantes, o dobro da média brasileira, de 0,3. Na Polícia Civil, Mato Grosso do Sul registra 0,7 agente por mil habitantes, contra 0,5 no país.
A diferença aparece quando o cálculo considera a extensão territorial. Cada policial militar de Mato Grosso do Sul responde, em média, por 60 quilômetros quadrados. No Brasil, são 21 quilômetros quadrados por profissional.
Na Polícia Civil, cada agente cobre 184 quilômetros quadrados no Estado, mais que o dobro da média nacional, de 88 quilômetros quadrados. Entre os bombeiros, são 213 quilômetros quadrados por profissional em Mato Grosso do Sul, contra 135 quilômetros quadrados no país.
O relatório afirma que o número de profissionais por habitante não deve ser usado isoladamente para definir se o efetivo é suficiente. A análise também deve considerar a extensão territorial, a distribuição da população, a demanda por atendimento, as escalas de trabalho, a estrutura de apoio e o tempo de deslocamento.
PMMS ocupa 56,1% das vagas previstas - A PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) possui 5.948 integrantes na ativa, diante de um quadro legal de 10.602 vagas. Com isso, 56,1% dos postos previstos estão preenchidos.
O percentual é inferior à média nacional das polícias militares, de 65,7%. A diferença entre o quadro previsto e o efetivo existente é de 4.654 vagas.
O levantamento ressalta que esse número não corresponde, necessariamente, à quantidade exata de policiais que deveriam ser contratados. O quadro previsto em lei não pode ser tratado como efetivo ideal, porque as legislações estaduais nem sempre são baseadas em estudos atualizados sobre população, criminalidade, carga de trabalho e características territoriais.
Na Polícia Civil, Mato Grosso do Sul tem 1.945 profissionais em atividade, de um total previsto de 2.970. A ocupação é de 65,5%, acima da média nacional, de 55,2%.
A Polícia Penal conta com 1.916 servidores, diante de 2.400 postos previstos. A taxa de preenchimento é de 79,8%, também superior à média brasileira, de 68,5%.
Somadas à Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Perícia, Corpo de Bombeiros e guardas municipais, Mato Grosso do Sul possui 14.022 profissionais de segurança na ativa. Desse total, 1.797 integram as guardas municipais.

Aposentadorias reduzem efetivo - Em maio, o Campo Grande News mostrou que a PMMS estudava a realização de um novo concurso público para recompor o efetivo. A informação foi dada pelo comandante-geral da corporação, coronel Renato dos Anjos Garnes, durante visita ao jornal.
Na ocasião, Renato afirmou que a redução do efetivo era provocada principalmente pela aposentadoria de militares que ingressaram na corporação na década de 1990. Segundo ele, as baixas acumuladas nos quatro anos anteriores se aproximavam de mil policiais.
O comandante informou que a PM possuía cerca de 5,8 mil militares na ativa. No ano anterior, o efetivo era de aproximadamente 6,1 mil integrantes. Ele citou a ida de quase 300 profissionais para a reserva remunerada como um dos fatores da redução.
O relatório aponta 5.948 policiais militares na ativa, número próximo da estimativa apresentada pelo comandante.
Segundo Garnes, a corporação elaborava estudos para apresentar ao Governo do Estado uma proposta de reposição do efetivo. O planejamento seria voltado aos anos seguintes da administração estadual.
O último concurso público da Polícia Militar foi realizado em 2022, com previsão inicial de 520 vagas. Foram abertas 500 oportunidades para soldados e 20 para oficiais. Depois, o governo estadual ampliou a convocação de aprovados para os cursos de formação.
Antes disso, a corporação havia realizado concurso em 2018 para reforçar o efetivo.
Na entrevista de maio, o comandante-geral afirmou que Mato Grosso do Sul exige formação superior para o ingresso na carreira de soldado. A regra passou a valer após alteração legislativa aprovada em 2016 e foi aplicada nos dois últimos concursos.
Para o quadro de oficiais, é exigido bacharelado em Direito, além de dois anos de formação na Academia de Polícia Militar.
O comandante afirmou que a exigência elevou o nível técnico da corporação e melhorou a prestação do serviço. O relatório nacional não apresenta indicadores para medir esse efeito.
Mulheres são 15,1% da PM - As mulheres ocupam 901 dos 5.948 postos da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, o equivalente a 15,1% do efetivo. O percentual é superior à média nacional das polícias militares, de 13,3%.
Em maio, Renato afirmou que a corporação deixou de limitar vagas femininas há mais de uma década. Segundo ele, homens e mulheres recebem a mesma formação e exercem as mesmas funções operacionais.
O relatório não apresenta a distribuição dos policiais sul-mato-grossenses por patente. Os dados disponibilizados pelo Estado não permitiram separar soldados, cabos, sargentos, oficiais e os demais níveis da carreira.
Promoções foram retomadas - Além da possibilidade de novas contratações, o Governo de Mato Grosso do Sul anunciou a retomada e a regularização das promoções internas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
Em maio, o secretário estadual de Administração, Roberto Gurgel, informou que o Estado trabalhava na regularização de quatro promoções referentes a 2025 e da primeira promoção prevista para abril de 2026.
Também estava em estudo a ampliação das vagas em cursos de formação e habilitação profissional exigidos para a ascensão dos militares.
Mato Grosso do Sul está acima da média nacional quando o efetivo é calculado por habitante, mas registra maior área de cobertura por profissional e tem 56,1% das vagas previstas na Polícia Militar preenchidas.
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