ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, TERÇA  27    CAMPO GRANDE 27º

Cidades

Pecuarista é acusado de golpe de R$ 8 milhões na compra de gado

Em maior parte, suposto produtor usava cheques que posteriormente eram devolvidos por insuficiência de fundos

Por Dayene Paz | 27/01/2026 11:21
Pecuarista é acusado de golpe de R$ 8 milhões na compra de gado
Lote adiquirido em leilão. (Foto: Reprodução | Youtube)

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul instaurou, no fim do mês passado, um inquérito para apurar golpe que causou prejuízo superior a R$ 8 milhões a pecuaristas e empresas ligadas à cadeia do gado no Estado. A investigação é conduzida pela Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários) e apura, entre outros delitos, estelionato, ocultação de bens e lavagem de dinheiro.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga um esquema de golpe milionário que causou prejuízo superior a R$ 8 milhões a pecuaristas e empresas do setor. O principal suspeito tem 33 ano é, investigado por estelionato, ocultação de bens e lavagem de dinheiro. O investigado comprava gado com cheques sem fundos, firmava contratos de parceria que não cumpria e recebia valores antecipados por animais nunca entregues. Os golpes ocorreram principalmente entre janeiro e maio de 2025, afetando diversos produtores rurais e empresas de confinamento do estado.

O principal investigado é homem de 33 anos que nos processos judiciais aparece qualificado como pecuarista. Apesar de não ser localizado por diversas vítimas e nem oficiais de justiça, documentos indicam endereços associados a ele em um condomínio de alto padrão em Campo Grande, além de registros no Bairro Pioneiros, na Capital, e até no interior do Estado, como Aquidauana.

De acordo com as apurações, o suspeito conseguia arrematar animais em leilões, firmar parcerias com confinamentos, receber adiantamentos em negociações de gado e celebrar contratos de criação em sistema de parceria. O problema começou quando os compromissos financeiros assumidos nessas operações deixaram de ser honrados.

Como funcionava? Conforme descrito em ações judiciais e relatos que embasam o inquérito policial, o esquema seguia um padrão. Ele comprava gado utilizando cheques que posteriormente eram devolvidos por insuficiência de fundos, firmava contratos de parceria para criação de bovinos e deixava de cumprir as confissões de dívida assinadas, além de receber valores antecipados por animais que nunca foram entregues.

Em muitos casos, ele revendia os mesmos animais para tentar quitar dívidas anteriores, criando um efeito cascata. Entre uma negociação e outra, o gado era deixado em confinamentos e em boitéis, onde também se acumulavam débitos.

Boitel é uma modalidade de parceria comum no setor pecuário, na qual o produtor entrega os animais a uma estrutura especializada para engorda e manejo, pagando uma diária ou dividindo os resultados ao final do período. Nesse sistema, o proprietário do gado continua responsável pelos custos e compromissos financeiros assumidos.

Os fatos investigados ocorreram, em sua maioria, entre janeiro e maio de 2025, período em que múltiplas negociações no mercado de gado bovino foram realizadas sem a devida cobertura financeira. O maior prejuízo, segundo consta nos autos, recaiu sobre produtores rurais e empresas de confinamento, com dívidas acumuladas em diferentes frentes.

Processos - Há diversas execuções de título extrajudicial e ações de cobrança ajuizadas por produtores rurais, todas apontando inadimplência. Em um dos processos, relacionado ao descumprimento de um contrato de parceria para criação de gado bovino, o valor confessado da dívida chega a R$ 778.260,10. O montante deveria ser quitado em seis parcelas mensais, de aproximadamente R$ 129,7 mil cada, com vencimentos entre junho e novembro de 2025, o que não ocorreu.

Em outro caso, envolvendo negociações no interior do Estado, a execução se baseia em três cheques emitidos em março de 2025, que somam R$ 1.550.000,00. Apesar da promessa de pagamento direto em conta, houve apenas um repasse parcial de R$ 100 mil. Os cheques foram apresentados dentro do prazo e devolvidos por insuficiência de fundos.

Há ainda processo relacionado a uma Cédula de Produto Rural com liquidação financeira, no valor de R$ 400 mil. O título previa pagamento em duas parcelas, sendo que apenas a primeira foi quitada, permanecendo inadimplente a parcela com vencimento em abril de 2025.

Outro episódio envolve a arrematação de um lote com 85 fêmeas em um leilão realizado em Campo Grande (foto acima), no valor inicial de R$ 479.400,00. Os animais foram entregues com reserva de domínio, ou seja, a propriedade só seria transferida após o pagamento integral. O valor não foi quitado na data acordada e, com juros, correção monetária e multa contratual, a dívida apontada no processo ultrapassa R$ 580 mil.

Investigação - Somados, os valores cobrados em diferentes ações judiciais ultrapassam R$ 8 milhões, montante que também é acompanhado pela Dedfaz no âmbito do inquérito policial. A suspeita é de que o investigado tenha ocultado bens e movimentado recursos de forma a dificultar a recuperação dos prejuízos.

A reportagem tentou contato com advogados que eventualmente representassem o suspeito nos processos em andamento, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

Outro lado - Em ações judiciais nas quais aparece como autor, o pecuarista investigado sustenta que também foi lesado em parcerias firmadas para compra, confinamento e engorda de gado. Em uma dessas demandas, ele afirma enfrentar grave dificuldade financeira em razão da falta de prestação de contas por parte de uma empresa parceira responsável pela gestão de valores, compra e venda de animais e repasses ligados às operações.

Segundo a alegação, a ausência de informações, documentos e comprovantes teria provocado um efeito cascata, comprometendo sua capacidade de honrar compromissos com fornecedores e parceiros.

Nos processos, afirma que nunca recebeu relatórios completos sobre operações realizadas em diferentes confinamentos, como valores efetivamente repassados, mortes de animais, custos de permanência, resultados financeiros e eventuais perdas ou ganhos em negociações vinculadas ao mercado. Ele sustenta ainda que, mesmo após notificações formais, não teria obtido esclarecimentos suficientes, motivo pelo qual recorreu ao Judiciário para exigir a prestação de contas e apuração de eventuais créditos a seu favor.

Em outra ação, relacionada a uma parceria mantida desde 2023, diz ter entregue cerca de 2,5 mil cabeças de gado para confinamento e engorda e afirma que parte dos animais teria sido retida indevidamente, sem comprovação de mortes, despesas ou autorização para compensações. Segundo a versão apresentada nos autos, há suspeita de apropriação indevida e divergências sobre a destinação do gado, inclusive em cumprimento de ordens judiciais, fatos que também foram registrados em boletim de ocorrência para resguardo de direitos.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.