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Pego há 9 anos, Palermo “abandonou” aviões e focou no frete terrestre de drogas

Antes investigado por usar aeronaves, traficante é apontado em esquema que escondia entorpecentes em minério

Por Anahi Zurutuza | 15/10/2026 20:11
Pego há 9 anos, Palermo “abandonou” aviões e focou no frete terrestre de drogas
Gerson Palermo deixando Fórum de Campo Grande no dia 28 de maio, rumo ao presídio federal da Capital (Foto: Juliano Almeida/Arquivo)

Nove anos depois de ser alvo da PF (Polícia Federal) na Operação All In, Gerson Palermo voltou à investigação sobre tráfico internacional de drogas na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia como personagem principal. A rota usada para trazer entorpecentes do país vizinho continua praticamente a mesma, mas a logística mudou.

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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (15) a Operação Capolinea, que mira esquema de tráfico internacional de drogas na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia, chefiado por Gerson Palermo, alvo da Operação All In em 2017. Agora, caminhões com minério de ferro ocultavam cerca de 24 toneladas de entorpecentes. A Justiça expediu 21 mandados de prisão e 20 de busca, além de bloquear R$ 24 milhões. Um vigilante da PF em Corumbá é suspeito de vazar informações.

Antes, o esquema comandado por ele utilizava aeronaves e carretas para transportar cocaína. Agora, a Operação Capolinea, deflagrada nesta quinta-feira (15), aponta o uso de caminhões carregados com minério de ferro para esconder entorpecentes e abastecer o tráfico em diferentes estados brasileiros.

As duas investigações revelam como a região de Corumbá continuou sendo estratégica para o transporte de drogas provenientes da Bolívia. Na All In, deflagrada em 2017, o grupo utilizava o aeródromo de Ocorema, em Ladário, para operações aéreas, além de caminhões que seguiam para outras regiões do País. Na Capolinea, a suspeita é de que a organização aproveitava o movimento de veículos utilizados no transporte de minério para dificultar a identificação dos carregamentos ilegais.

A nova investigação aponta a negociação de aproximadamente 24 toneladas de drogas e levou a Justiça Federal a expedir 21 mandados de prisão, sendo 14 preventivas e sete temporárias, além de 20 mandados de busca e apreensão. Também foi determinado o bloqueio de R$ 24 milhões em bens dos investigados.

Aviões e carretas – Há quase 10 anos, a PF identificou uma organização que atuava na compra de cocaína na Bolívia e na distribuição da droga pelo território brasileiro, principalmente em Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

Palermo foi apontado como chefe do grupo, responsável por negociar os entorpecentes, organizar o transporte e administrar os recursos financeiros obtidos com a atividade criminosa. O esquema utilizava aeronaves, caminhões e carretas registrados em nome de terceiros.

As investigações resultaram em 2 grandes apreensões de cocaína em 2016. A primeira ocorreu em 27 de abril, quando 504 quilos foram encontrados em Cubatão (SP), no litoral paulista. A segunda aconteceu em 25 de setembro, na cidade de São Paulo, com a apreensão de outros 306 quilos. Ao todo, foram 810 quilos de cocaína vinculados aos dois episódios.

No segundo caso, a investigação apontou que a droga havia sido transportada inicialmente por aeronave e depois preparada para seguir escondida na estrutura de uma carreta. Integrantes do grupo atuavam na organização dos veículos, preparação dos compartimentos ocultos e deslocamento dos carregamentos.

A estrutura também incluía pessoas responsáveis por registrar caminhões e aeronaves em nome de terceiros, estratégia utilizada para ocultar o patrimônio de Palermo e dificultar o rastreamento dos recursos do tráfico.

O esquema levou à condenação de Palermo, em fevereiro de 2019, a 59 anos, 9 meses e 1 dia de prisão por tráfico internacional, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. A sentença foi mantida pela 5ª Turma do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), em decisão noticiada pelo Campo Grande News nesta semana.

Minério de ferro – Conforme investigado na Operação Capolinea, o transporte rodoviário aparece novamente como peça fundamental da organização criminosa, mas com uma estratégia diferente de ocultação. Além do minério, a apuração também identificou o uso de pneus, tanques de combustível e carregamentos de grãos para transportar drogas. Os destinos incluíam Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

Para viabilizar o esquema, integrantes da organização teriam aliciado funcionários de mineradoras, entre eles supervisores e operadores de balança. Os pagamentos, realizados inclusive por Pix, serviriam para facilitar a passagem dos veículos sem que os carregamentos fossem submetidos aos procedimentos habituais de fiscalização.

Outra suspeita identificada na investigação é a participação de um vigilante que trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá. Preso durante a operação, ele teria repassado informações sobre a rotina da unidade, movimentação de policiais, situação de presos e operações em andamento.

Conforme a investigação, o vigilante é enteado de um dos líderes da organização e também teria participado da guarda e do transporte de drogas. A suspeita de vazamento de informações policiais acrescenta um elemento que não aparece com as mesmas características no esquema descrito pela All In.

Histórico de fuga – A trajetória de Palermo entre as duas operações também foi marcada por uma fuga que durou aproximadamente seis anos. Em 2020, ele conseguiu prisão domiciliar por decisão do então desembargador Divoncir Schreiner Maran, do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

O benefício foi revogado no dia seguinte, mas Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. A decisão que permitiu sua saída da prisão passou a ser investigada por suspeitas de irregularidades judiciais.

Palermo permaneceu foragido até maio deste ano, quando foi localizado e preso na Bolívia. Mesmo já estando detido, voltou a ser alvo de mandado de prisão na Operação Capolinea.