Pesquisa com “DNA de MS” aponta 5 caminhos para vencer medo de vacinas
Estudo com participação de instituições de Campo Grande dá sugestões de como ampliar cobertura
Medo dos efeitos colaterais, informações falsas nas redes sociais e até a dificuldade de encontrar tempo para ir ao posto de saúde estão entre os obstáculos que afastam a população da vacinação. Uma pesquisa desenvolvida com participação de instituições de Mato Grosso do Sul identificou cinco estratégias para enfrentar esse problema, que vão desde melhorar a comunicação com os pacientes até ampliar os horários de atendimento nas unidades de saúde.
RESUMO
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Pesquisa coordenada pela Fiocruz-MS, com UFMS, Uems e Sesau, apontou cinco estratégias para reduzir a hesitação vacinal: melhorar a comunicação conforme a realidade de cada comunidade, combater a desinformação, capacitar profissionais de saúde, facilitar o acesso com horários ampliados e unidades móveis, e aproveitar o pré-natal para orientar gestantes. O estudo analisou dados de 2012 a 2024. Em Campo Grande, 39,2% dos pais e 32,7% dos profissionais da atenção primária demonstraram hesitação.
O estudo foi divulgado nesta segunda-feira (12) na revista científica Epidemiologia e Serviços de Saúde, conforme divulgado pela Folha de S. Paulo.
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O trabalho foi coordenado pela pesquisadora Sandra Maria do Valle Leone de Oliveira, da Fiocruz-MS (Fundação Oswaldo Cruz em Mato Grosso do Sul), e contou com a participação de pesquisadores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande).
A pesquisa reuniu evidências científicas para orientar políticas públicas capazes de aumentar a confiança da população nas vacinas. Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram dados de 2012 a 2024, resultados de diferentes estudos sobre a resistência à vacinação entre adultos e gestantes, envolvendo imunizantes contra doenças como covid-19, influenza, HPV, hepatite B, coqueluche e pneumococo.
O projeto foi desenvolvido no âmbito do Núcleo de Evidências Pantanal, da Fiocruz em Mato Grosso do Sul, com financiamento e apoio técnico-científico do Ministério da Saúde.
Os 5 apontamentos – A conclusão geral é que não existe uma solução única para o problema. A primeira estratégia é melhorar a comunicação, conclui a pesquisa. Para os autores do estudo, é preciso abandonar campanhas que utilizam a mesma mensagem para todos e considerar as diferenças culturais, sociais e econômicas de cada comunidade. A recomendação é o uso de linguagem simples, informações acessíveis e participação de lideranças comunitárias e religiosas para ajudar a esclarecer dúvidas sobre a segurança e a importância dos imunizantes.
O combate à desinformação aparece como outra medida fundamental. Notícias falsas sobre supostos riscos das vacinas podem alimentar a desconfiança e levar pessoas a adiar ou recusar doses recomendadas.
A terceira recomendação é investir na capacitação contínua dos profissionais de saúde. Médicos, enfermeiros e outros trabalhadores precisam estar preparados para responder às dúvidas da população e orientar os pacientes sobre a vacinação.
Outra estratégia é facilitar o acesso às doses. Os pesquisadores observam que nem toda pessoa com a vacinação atrasada é contrária aos imunizantes. Em alguns casos, o problema está na dificuldade de deslocamento ou na incompatibilidade entre o horário de funcionamento dos postos e a jornada de trabalho. Entre as alternativas estão vacinação aos fins de semana, horários estendidos, unidades móveis e aplicação de doses em escolas, empresas e universidades.
A quinta medida é direcionada às gestantes. A pesquisa recomenda aproveitar as consultas de pré-natal para verificar a situação vacinal, esclarecer dúvidas sobre possíveis efeitos adversos e orientar sobre a proteção da mãe e do bebê. A oferta de vacinas durante o acompanhamento da gravidez também é apontada como uma forma de reduzir oportunidades perdidas de imunização.
Em Campo Grande – O problema já foi identificado em pesquisas realizadas na Capital. Um estudo com 158 pais de crianças menores de 12 anos, entrevistados entre setembro de 2022 e outubro de 2023, constatou que 39,2% apresentaram hesitação em vacinar os filhos. Entre os participantes que demonstraram resistência, as vacinas contra a covid-19 foram as mais evitadas e a falta de confiança apareceu como principal motivo.
A resistência também foi observada entre trabalhadores da própria rede de saúde. Outra pesquisa, realizada entre novembro de 2022 e agosto de 2023 com profissionais da atenção primária de Campo Grande, identificou hesitação vacinal em 32,7% dos participantes. Médicos e enfermeiros apresentaram menor frequência desse comportamento, enquanto agentes comunitários de saúde registraram maior resistência.


