Sistemas do TJ falham pelo 2º dia e prorrogam prazos judiciais
Hacker "famoso" voltou a reivindicar ataque enquanto serviços seguem instáveis

Os sistemas do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) continuam apresentando instabilidade nesta quinta-feira (22), pelo segundo dia consecutivo, enquanto o hacker conhecido como Azael voltou a reivindicar ataques cibernéticos contra a instituição. Advogados enfrentam dificuldades para acessar os processos eletrônicos e ganharam mais prazo para cumprir obrigações processuais.
RESUMO
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Os sistemas e-SAJ e eproc do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul seguem instáveis nesta quinta-feira (22), pelo segundo dia seguido. O hacker conhecido como Azael voltou a reivindicar os ataques, enquanto o tribunal nega invasão e cita intercorrência técnica. A Secretaria de Tecnologia da Informação emitiu atestados de indisponibilidade para quarta e quinta, o que prorrogou os prazos processuais para o próximo dia útil.
O próprio tribunal confirmou a indisponibilidade dos sistemas e-SAJ e eproc, mas atribuiu os problemas a uma intercorrência técnica. A Secretaria de Tecnologia da Informação do TJMS emitiu dois atestados de indisponibilidade, referentes à quarta-feira (21) e a esta quinta-feira. Os documentos confirmam que o peticionamento eletrônico de 1º e 2º graus ficou indisponível por período superior ao limite estabelecido pelo artigo 21 do Provimento nº 305, de 2014, o que provocou a prorrogação dos prazos processuais.
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O primeiro atestado foi assinado às 16h01 desta quarta-feira e o segundo foi emitido nesta quinta-feira, às 12h34, conforme apuração do Campo Grande News.
Na prática, a medida evita que os profissionais sejam prejudicados pela impossibilidade de protocolar documentos e manifestações nos processos. Segundo os advogados ouvidos pelo Campo Grande News, os prazos afetados pela indisponibilidade são prorrogados para o próximo dia útil.
“Tá horrível!”, respondeu um dos advogados consultados pela reportagem ao ser questionado sobre as dificuldades de acesso. Ele também confirmou a emissão das certidões referentes aos dois dias.
Outro profissional da área ouvido relatou a mesma situação. “Está instável e já soltaram certidão que não vai correr prazo”, afirmou. Segundo ele, quando a instabilidade é generalizada, o tribunal adota medidas para resguardar os prazos dos profissionais.

Novo ataque reivindicado – Enquanto os advogados relatavam problemas, Azael afirmou novamente ser o responsável pela instabilidade. Ele enviou mensagem à OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul), com cópias destinadas à imprensa, às 12h56 desta quinta-feira.
Na quarta-feira, Azael já havia encaminhado mensagens ao Campo Grande News reivindicando a interrupção do portal oficial e dos sistemas eletrônicos. Na ocasião, afirmou que a ação seria uma “retaliação contra a Justiça”, sem dar mais detalhes.
O TJMS, por sua vez, negou ter sofrido uma invasão e informou que uma intercorrência técnica havia exigido a atualização imediata dos sistemas eletrônicos. A justificativa consta também nos dois atestados emitidos pela Secretaria de Tecnologia da Informação.
Azael já reivindicou outros ataques cibernéticos contra instituições públicas brasileiras. No dia 4 de outubro deste ano, afirmou ter derrubado os sites do TJPE (Tribunal de Justiça de Pernambuco) e do TST (Tribunal Superior do Trabalho), que apresentaram indisponibilidade.
Em agosto de 2025, também assumiu um suposto ataque aos sistemas da Prefeitura de Campo Grande, mas a administração municipal negou a invasão e atribuiu as falhas a problemas de conectividade. Em junho de 2024, reivindicou ataques aos sites do Tribunal de Justiça e do Ministério Público de Alagoas.
O hacker também esteve entre os suspeitos monitorados pela Justiça Eleitoral durante o primeiro turno das eleições de 2026, quando foram registradas cerca de 40 mil tentativas de ataques cibernéticos, sem comprovação de sua participação nessas ações.
No Brasil – A instabilidade também ocorre um dia depois de um alerta internacional sobre duas falhas graves de segurança na linguagem de programação PHP, utilizada por sites e sistemas digitais. Segundo o UOL, as vulnerabilidades, descobertas com auxílio de inteligência artificial, permitem que invasores assumam o controle de servidores sem necessidade de senha.
O problema levou governos e empresas a suspenderem serviços preventivamente. No Brasil, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) retirou temporariamente do ar o SEI (Sistema Eletrônico de Informações), enquanto também foram relatadas instabilidades nos sistemas do TRF-1 e do TRF-6 (Tribunais Regionais Federais da 1ª e da 6ª Regiões).
Apesar da coincidência de datas, não há confirmação de que as falhas identificadas no PHP tenham relação com a indisponibilidade dos sistemas do TJMS.

