Advogado alega legítima defesa para homem que baleou garoto na cabeça
Defensor sustenta que acusado reagiu a agressões de grupo e pede liberdade provisória com medidas cautelares
A defesa de Thalison Martin Genovez, 33 anos, protocolou na Justiça pedido de liberdade provisória com aplicação de medidas cautelares referentes à discussão de trânsito ocorrida em Campo Grande, que terminou com um adolescente de 14 anos baleado na cabeça. O caso aconteceu na noite de sábado (3), perto de uma conveniência, no Bairro Portal Caiobá.
RESUMO
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A defesa de Thalison Martin Genovez, 33 anos, pediu à Justiça liberdade provisória com medidas cautelares. Ele é acusado de baleiar na cabeça um adolescente de 14 anos após discussão de trânsito, no sábado (3), no Bairro Portal Caiobá, em Campo Grande. O advogado alega reação defensiva diante de um grupo de cerca de cinco pessoas e cita residência fixa e emprego formal. Preso em flagrante por tentativa de homicídio qualificado e porte ilegal de arma, ele tem antecedentes criminais. A vítima segue internada em estado grave.
No pedido assinado o advogado João Vitor Leite, diz que a versão da acusação não deve ser tomada de forma definitiva. O defensor ainda alega que o acusado agiu em reação defensiva após ser confrontado e agredido por um grupo de cerca de cinco pessoas.
A petição encaminhada ao Juízo Plantonista aponta que o próprio boletim de ocorrência indica que, após o dano ao retrovisor, os ocupantes do veículo saíram do local e retornaram momentos depois acompanhados de mais pessoas, dando início ao confronto físico.
“A Defesa não ignora a gravidade objetiva das lesões descritas, tampouco pretende transformar a audiência de custódia em antecipação da instrução criminal”, pontua João.
No pedido, o defensor sustenta que o custodiado reagiu a uma agressão praticada por grupo numericamente superior. “A tese defensiva é de que o custodiado se viu diante de agressão praticada por um grupo de aproximadamente cinco pessoas, em evidente superioridade numérica, tendo os disparos que lhe são atribuídos ocorrido em contexto de reação defensiva”, diz o advogado.
O advogado ainda aponta que Thalison foi localizado pelos policiais em sua própria residência, sem qualquer registro de tentativa de fuga, ocultação ou ameaça a vítimas e testemunhas e afirma que a decisão de permanecer em silêncio durante a abordagem policial é uma garantia constitucional que não pode ser interpretada de forma desfavorável.
Por fim, o pedido incluiu comprovante de residência fixa e declaração de trabalho formal como auxiliar, reforçando que o acusado possui ocupação lícita e família constituída.
Com base nesses pontos, o advogado pediu a concessão da liberdade provisória e a expedição do alvará de soltura. Caso o magistrado opte por aplicar restrições, a defesa sugeriu medidas cautelares alternativas como proibição de contato ou aproximação das vítimas, recolhimento noturno, comparecimento periódico em juízo ou monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Segundo apurou o Campo Grande News, Thalison tem passagens por tráfico de drogas, crimes do sistema nacional de armas, crimes de trânsito e roubo majorado.
Caso - Conforme o boletim de ocorrência, a confusão teve início após um incidente no trânsito em que Thalison quebrou o retrovisor do carro conduzido por uma jovem de 20 anos. Para tentar resolver a situação de forma amigável e acertar o ressarcimento do prejuízo, a motorista e o irmão de 14 anos, retornaram ao local acompanhados de familiares.
Nas imediações de uma conveniência na Rua Francisco Antônio de Souza, a família encontrou Thalison e iniciou-se uma discussão entre ele e um jovem de 17 anos. Durante o desentendimento, o homem sacou um revólver da cintura e disparou contra o adolescente, que conseguiu se esquivar e não foi atingido.
As outras vítimas tentaram fugir do local em uma motocicleta e no automóvel da jovem. Thalison, contudo, passou a perseguir o grupo e efetuou novos disparos contra o veículo em movimento. Um dos tiros perfurou o para-brisa do carro e atingiu o garoto de 14 anos na região posterior da cabeça.
Um rapaz de 19 anos também foi atingido de raspão na região do rosto. Outros três ocupantes do veículo saíram ilesos. O adolescente foi socorrido e transferido em estado grave para a Santa Casa de Campo Grande, onde permanece internado com o projétil alojado. O estado de saúde é considerado grave.
Equipe da 10ª Companhia Independente da Polícia Militar realizou buscas pela região e localizou Thalison a poucas quadras do local do crime. Na abordagem informal, ele confessou o ato e relatou ter usado um revólver calibre .38, alegando ter entregue a arma para um terceiro conhecido como "José".
Encaminhado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, Thalison preferiu exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio durante o interrogatório formal. Ele foi autuado em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado por motivo fútil na forma tentada e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
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