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Capital

Alvo de operação em presídios executou homem em "tribunal do crime"

Ação cumpriu 24 mandados de prisão e 12 de busca em Campo Grande e mais sete municípios

Por Ana Paula Chuva | 09/10/2026 10:41
Alvo de operação em presídios executou homem em "tribunal do crime"
Deivid chegou a ficar foragido e ganhou cartaz de procurado (Foto: Divulgação | PCMS)

Deivid Lopes Miranda, 29 anos, é um dos alvos da Operação Kathárisma, deflagrada pela Polícia Federal na manhã de quinta-feira (8). O rapaz está preso no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho - a Máxima - aguardando julgamento pelo homicídio de Jonas Alves de Moraes Júnior, cometido durante “tribunal do crime”, em outubro de  2024.

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Operação Kathárisma, da Polícia Federal, cumpriu 24 mandados de prisão preventiva e 12 de busca em Campo Grande e em outros sete municípios de Mato Grosso do Sul contra integrantes do PCC. Entre os alvos está Deivid, acusado de executar Jonas, condenado pelo tribunal do crime por dívidas de drogas e por querer migrar para o CV. Presos em unidades penais, como Pedro Henrique Barbosa Freire, também foram atingidos. A investigação, sigilosa, apura a estrutura hierárquica da facção.

De acordo com a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) a vítima foi executada por acertos de contas e "disciplina" da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Jonas foi sentenciado pelo tribunal do crime após acumular dívidas de drogas e manifestar a intenção de migrar para o CV (Comando Vermelho).

A dinâmica da execução chocou pela ousadia. Segundo a investigação, Deivid deslocou-se na garupa de uma motocicleta pilotada por um adolescente, invadiu a residência de Jonas e abriu fogo contra ele. Após o assassinato, o rapaz  passou a figurar como foragido ("em local incerto e não sabido") até ser capturado.

Ontem, a ordem de prisão da operação foi cumprida por equipe da PF dentro da unidade penal onde também estão outros três alvos da ação, Pedro Henrique Barbosa Freire, o “Pesadelo”, que acumula passagens por porte ilegal de munições, resistência e o caso mais recente, quando acabou baleado ao tentar tomar a arma de um policial militar.

O caso aconteceu em 15 de agosto deste ano. Pedro estava escondido atrás de um banco de um veículo de aplicativo e reagiu à abordagem policial. Na ocasião, ele teria confessado ser integrante do PCC.

Também foram alvos da ação na Máxima Percey Fernando Mendes e Luiz Nathan de Ivan Sanable, ambos alvos de apurações internas devido ao envolvimento com o tráfico de drogas e gerenciamento de ilícitos operados diretamente de dentro dos pavilhões da unidade penal.

Já na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira I, os alvos de mandados de prisão foram Lanes Fernando Barbosa Pedrozo e Thiago Penna dos Santos. Ambos são apontados pelo setor de inteligência como peças de alta periculosidade que tentavam manter influência e comando sobre as ruas.\n\nAs equipes ainda estiveram no Instituto Penal de Campo Grande, onde o alvo foi Josimar Siqueira Gonçalves. Nos presídios de Aquidauana e Corumbá, as ordens de prisão foram cumpridas contra Gleison Rodrigues da Silva e Alexsander Nunes Vargas, respectivamente.

Outros 2 alvos são Rafael Ari de Araújo, em Corumbá, e Liedson Georde Selpa de Lara, em Aquidauana. Ambos não estavam presos e tiveram ordens de prisão preventiva e de busca cumpridas durante a ação.

Operação - A investigação que deu origem à operação Kathárisma tramita em sigilo e não é possível saber qual a participação de cada um dos alvos no esquema. Conforme divulgado pela PF, foram 24 mandados de prisão preventiva e 12 de busca cumpridos em Campo Grande e mais sete municípios de Mato Grosso do Sul.

Segundo a investigação, o grupo mantinha uma estrutura organizada, dividida em diferentes níveis de atuação, com mecanismos próprios de comunicação e elementos utilizados para identificar integrantes e acompanhar a movimentação financeira.

A apuração também busca esclarecer a atuação dos investigados na integração de uma facção criminosa e o funcionamento da estrutura mantida pelo grupo em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul.

A operação recebeu o nome de Kathárisma, termo de origem grega relacionado a uma estrutura ou posição de poder, em referência à organização investigada.

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