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Capital

Análises de solo e asfalto garantem padrão técnico em recomposição de vias

Laboratório especializado acompanha qualidade dos materiais e execução das camadas do pavimento na Capital

Por José Cândido | 06/03/2026 14:14
Análises de solo e asfalto garantem padrão técnico em recomposição de vias
Processo de recomposição do pavimento envolve análises técnicas, compactação do solo e aplicação controlada da massa asfáltica.

Sempre que uma rua precisa ser aberta para implantação ou manutenção das redes de água e esgoto em Campo Grande, o trabalho não termina quando a tubulação é instalada. A etapa de recomposição do pavimento passa por um conjunto de procedimentos técnicos que buscam garantir que o asfalto volte à condição adequada de uso e resistência.

RESUMO

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O Laboratório Tecnológico de Análises de Solo e Asfalto da Águas Guariroba, em Campo Grande, realiza rigoroso controle de qualidade na recomposição do asfalto após obras de saneamento. O processo inclui análises de solo, testes de compactação e avaliação da mistura asfáltica, seguindo normas da ABNT e DNIT.O trabalho, coordenado pela engenheira Isabelle Bená, envolve diversos procedimentos técnicos, desde a caracterização granulométrica do solo até ensaios de densidade após a conclusão da obra. O objetivo é garantir a durabilidade do pavimento e evitar problemas estruturais nas vias públicas após intervenções nas redes de água e esgoto.

Esse processo envolve análises de solo, controle da mistura asfáltica e testes de compactação realizados pelo Laboratório Tecnológico de Análises de Solo e Asfalto da concessionária Águas Guariroba. Criado em 2018, o espaço atua como centro de controle técnico para acompanhar a qualidade dos materiais utilizados nas recomposições realizadas após intervenções de saneamento.

O laboratório é coordenado pela engenheira Isabelle Bená e conta com liderança técnica de Fábio de Souza Bogado, além de uma equipe especializada responsável por realizar ensaios baseados em normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e nas especificações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Segundo Isabelle, o objetivo do trabalho é garantir que o processo de recomposição siga parâmetros de engenharia reconhecidos. “O laboratório existe para validar materiais e apoiar as equipes de campo, assegurando que as intervenções resultem em pavimentos com segurança e durabilidade”, afirma.

Solo analisado antes de chegar à rua

Antes de ser utilizado no fechamento das valas abertas para instalação das tubulações, o material de reaterro passa por uma série de ensaios laboratoriais.

O primeiro passo é a caracterização granulométrica do solo, que identifica a proporção de areia, brita e partículas finas. Essa análise permite verificar se o material atende às faixas adequadas para garantir estabilidade estrutural.

Em seguida, é realizado o ensaio de compactação, previsto na norma NBR 7182 da ABNT. O teste determina a chamada “umidade ótima”, ou seja, a quantidade ideal de água para que o solo atinja sua maior densidade possível. Quanto mais compactado o material, menor o risco de afundamentos futuros na pavimentação.

Outro procedimento importante é o ensaio de CBR (Índice de Suporte Califórnia), regulamentado pela NBR 9895. Esse teste mede a capacidade de suporte do solo quando submetido a carga, simulando o peso do tráfego sobre a via.

Somente após a validação desses parâmetros o material é liberado para utilização nas obras.

Análises de solo e asfalto garantem padrão técnico em recomposição de vias
Corpos de prova da massa asfáltica são produzidos e analisados para verificar resistência e durabilidade do material aplicado nas vias.

Controle da massa asfáltica

O acompanhamento também se estende à mistura asfáltica que será aplicada na recomposição da via.

Um dos primeiros testes realizados é a verificação do teor de CAP (Cimento Asfáltico de Petróleo), componente responsável por ligar os agregados da mistura. A análise confirma se a quantidade utilizada está de acordo com o previsto em projeto.

Depois disso, são feitos ensaios granulométricos e o chamado ensaio Marshall, método amplamente utilizado nas especificações do DNIT para avaliar a estabilidade da massa asfáltica e sua capacidade de suportar deformações provocadas pelo tráfego.

Durante esse processo são produzidos corpos de prova — peças cilíndricas moldadas com a mesma mistura que será aplicada na rua. Esses elementos são submetidos a testes de resistência e servem como referência para o padrão técnico que deverá ser replicado na obra.

Para o engenheiro Fábio Bogado, o objetivo do laboratório é estabelecer parâmetros capazes de antecipar o comportamento do pavimento ao longo do tempo. “Quando definimos a umidade ideal do solo ou o teor correto de ligante no asfalto, estamos projetando como aquela rua vai se comportar daqui a meses ou anos”, explica.

Execução em campo segue parâmetros definidos

Após a etapa de laboratório, as equipes de campo executam a recomposição seguindo as orientações técnicas estabelecidas.

De acordo com o coordenador de serviços Hugo Faleiro, o reaterro das valas é feito em camadas sucessivas, que são compactadas gradualmente para garantir estabilidade.

A primeira camada pode chegar a 40 centímetros e serve como proteção para a tubulação instalada. As demais são aplicadas em espessuras menores, normalmente de até 20 centímetros, sempre acompanhadas de compactação.

Antes da aplicação da massa asfáltica, é feita a impermeabilização da base com o material conhecido como ICM-30. A recomposição do pavimento ocorre após a liberação técnica do laboratório.

Verificação também ocorre após a obra

O controle de qualidade não termina com a aplicação do asfalto. Em alguns pontos das obras, o laboratório realiza verificações em campo para medir o grau de compactação do solo.

Um dos métodos utilizados é o ensaio de densidade “in situ” pelo frasco de areia, previsto na NBR 7185. O procedimento permite calcular a densidade real da camada compactada.

Outro equipamento empregado é o LWD (Light Weight Deflectometer), que aplica um impacto controlado no solo e mede a deformação da superfície. O teste indica a rigidez da base e sua capacidade de suportar cargas.

Após o asfaltamento, também podem ser retirados testemunhos do pavimento — amostras cilíndricas perfuradas diretamente da pista — que são levadas ao laboratório para análise de espessura, densidade e conformidade com os padrões definidos previamente.

Infraestrutura e impacto urbano

O acompanhamento técnico em todas as etapas — desde o solo até a camada final do asfalto — busca reduzir falhas estruturais, evitar recalques no pavimento e prolongar a vida útil das recomposições.

Para moradores das áreas onde as intervenções ocorrem, a qualidade da recomposição é um fator importante após a execução das obras de saneamento.

“A gente sabe que a obra é necessária, mas o que importa é como a rua fica depois”, comenta a moradora Ilda Carvalho, do bairro Jardim Presidente.

A recomposição adequada do pavimento faz parte do conjunto de etapas que acompanham a expansão e manutenção das redes de água e esgoto na cidade, integrando as obras de saneamento à preservação da infraestrutura urbana.