Aos 40 km/h, onda verde reduz paradas em 18 vias da Capital; veja os locais
Motoristas aprovam o sistema, mas sincronização ganhou somente 2 corredores em 3 anos
Quem mantém o ritmo próximo de 40 km/h pode atravessar uma sequência de cruzamentos de Campo Grande sem precisar parar no sinal vermelho. É a promessa da onda verde, sistema que sincroniza os semáforos para reduzir interrupções no trajeto. Apesar do alívio proporcionado aos motoristas, a tecnologia avançou pouco pela Capital nos últimos três anos.
RESUMO
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A onda verde avançou pouco em Campo Grande em três anos: o número de vias com semáforos sincronizados passou de 16, em 2023, para 18, segundo a Agetran. Entraram Avenida Bandeirantes, Rua Brilhante, Avenida Salgado Filho e Rua Joaquim Murtinho, e saíram Avenida Fernando Corrêa da Costa e Rua Ceará. Motoristas relatam fluxo melhor nos horários de pico. A agência indica velocidade média de 40 km/h. Segundo o Detran, a expansão depende de estudo técnico da prefeitura.
O número de corredores sincronizados passou de 16, em 2023, para 18 atualmente, segundo a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). A comparação mostra que 4 vias entraram na relação, enquanto 2 deixaram de constar. Na prática, o saldo foi de apenas 2 corredores a mais.
As novidades são Avenida Bandeirantes, Rua Brilhante, Avenida Salgado Filho e Rua Joaquim Murtinho. Já a Avenida Fernando Corrêa da Costa e a Rua Ceará, incluídas na lista de 2023, não aparecem na relação atual.
Taxista há 24 anos, Wilson Pereira Costa, de 62 anos, passa boa parte do dia pelas ruas de Campo Grande e percebe quando a sincronização funciona. Entre as vias onde considera que o sistema apresenta os melhores resultados, cita Antônio Maria Coelho, Afonso Pena, Rui Barbosa, Brilhante e Bandeirantes. “A Antônio Maria Coelho funciona bem. Na Brilhante, o fluxo é muito bom”, afirma.
O que é onda verde? - A chamada onda verde consiste na programação dos semáforos para que veículos, ao manterem determinada velocidade, encontrem uma sequência de sinais abertos. Segundo a Agetran, a medida busca dar mais fluidez ao trânsito e contribuir para a segurança viária. Atualmente, o sincronismo abrange toda a Avenida Bandeirantes e as ruas Brilhante, Bahia e Rui Barbosa. Na Antônio Maria Coelho, funciona no trecho entre as avenidas Calógeras e Ceará.
Para Wilson, a diferença aparece principalmente nos períodos de maior movimento. “Melhora bastante, fica mais rápido e não dá tanto engarrafamento. Para a gente que trabalha o dia inteiro no trânsito, favorece muito”. Ele relata perceber os benefícios principalmente pela manhã, no horário do almoço e por volta das 17h. “Quando tem muito carro, a onda verde ajuda o fluxo a andar melhor.”
Na Avenida Mato Grosso, a sincronização ocorre entre Ceará e Calógeras, no sentido Centro/Bairro. Já na Rua 13 de Maio, o trecho vai da Mato Grosso a Fernando Corrêa da Costa. A mesma delimitação vale para Pedro Celestino, José Antônio e 25 de Dezembro.
Motorista da Prefeitura de Nova Andradina, Rogério Bento da Silva, de 49 anos, costuma vir a Campo Grande a trabalho e diz já ter conseguido acompanhar uma sequência de sinais verdes mantendo a velocidade média da via. “Eu já peguei andando a 40 km/h e consegui passar em todos os sinais verdes”, conta.
Segundo Rogério, a sincronização também ajuda nos períodos de maior movimento. “Nos horários de pico funciona também. Sem dúvida, é até melhor para nós”. Por outro lado, ele cita a Rua 13 de Maio, no Centro, como um dos pontos onde costuma enfrentar trânsito mais pesado na volta dos deslocamentos da Santa Casa. “Às vezes, a gente pega ela bastante congestionada, com o tráfego pesado”, relata.
Semáforos na cidade - A lista de corredores sincronizados inclui ainda a Rua Calógeras, entre Mato Grosso e Marco Polo; Rua 13 de Junho, entre 15 de Novembro e Mato Grosso; e Rua Padre João Crippa, entre Joaquim Murtinho e Mato Grosso.
Também há onda verde na Avenida Salgado Filho, entre Bandeirantes e Joaquim Dornelas; Rua Joaquim Murtinho, entre Ipezal e Castro Alves; Avenida Afonso Pena, entre Armando de Oliveira e Alagoas; Avenida Eduardo Elias Zahran, entre Calógeras e Professor Xandinho; e Avenida Júlio de Castilho, entre Armando de Oliveira e Alagoas.
Na experiência de Wilson, manter uma velocidade constante ajuda a acompanhar a abertura dos sinais. “Se a pessoa mantiver a velocidade da via, consegue pegar os semáforos abertos. Se adiantar ou atrasar, pode pegar um fechado e depois entrar numa sequência de sinais fechados”.
O taxista aponta Barão do Rio Branco e Cândido Mariano entre as vias onde enfrenta mais paradas. “Toda esquina você tem que parar. É raro pegar dois semáforos abertos, é muito difícil".
Velocidade – Como referência para acompanhar a sequência de sinais verdes, a Agetran indica atualmente velocidade média de aproximadamente 40 km/h. O valor pode variar conforme o trecho e a programação semafórica. O motorista deve sempre respeitar o limite regulamentado para a via e as condições do trânsito.
Segundo a Agetran, a agência organiza a sincronização em setores, considerando as características de cada corredor. Nas vias de mão dupla, a programação busca equilibrar o fluxo nos dois sentidos. Também existem setores específicos em complexos viários, como nas regiões do Shopping Campo Grande e da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)/Fábio Zahran.
A agência explica que interrupções no fornecimento de energia ou outras ocorrências podem fazer com que os equipamentos retornem fora da programação e provoquem descompasso na sequência dos sinais. Nessas situações, a população pode acionar a agência pelo telefone 156 para que a equipe técnica verifique o problema.
A onda verde começou a ser implantada em Campo Grande em maio de 2009. No mês seguinte, o primeiro ponto já funcionava na Rua José Antônio. Até setembro daquele ano, cerca de 100 cruzamentos das principais vias da Capital contavam com controle semafórico por GPS. Veja, abaixo, as ruas com onda verde.
Especialista - Maria Moura Borba de Oliveira, gerente de Engenharia do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito), explica que Campo Grande tem população próxima de 900 mil habitantes e frota superior a 600 mil veículos. Para uma cidade desse porte, a expansão da onda verde pode trazer benefícios diretos para o trânsito, principalmente em relação à fluidez e ao tempo de deslocamento.
"A sincronização dos semáforos permite diminuir paradas desnecessárias em cruzamentos sem fluxo de veículos no sentido contrário, tornando o deslocamento mais rápido e previsível", explica.
Conforme a especialista, também há ganhos econômicos e ambientais. A arrancada do veículo, especialmente em primeira marcha, é um dos momentos de maior consumo de combustível e emissão de CO₂. "Com menos paradas ao longo do trajeto, o motorista pode economizar combustível e, ao mesmo tempo, contribuir para a redução das emissões", destaca.
Outro ponto importante é a segurança viária. "Quando o trânsito flui melhor, diminui a ansiedade e a impaciência dos condutores, o que pode evitar comportamentos de risco, como tentar passar no sinal amarelo ou vermelho. A sincronização também ajuda a reduzir colisões traseiras provocadas por frenagens bruscas".
O transporte coletivo também pode ser beneficiado, pois os ônibus conseguem cumprir seus horários com maior regularidade. Isso torna o transporte público mais atrativo e pode contribuir para diminuir a dependência dos veículos individuais.
Ainda segundo a gerente, é importante destacar que a escolha das novas vias e a ampliação da onda verde precisam ser definidas a partir de um estudo técnico de engenharia de tráfego. "Esse trabalho deve ser elaborado e conduzido pela prefeitura, responsável pela gestão do trânsito urbano na Capital".
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