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Capital

Após estupro e ameaças de morte, mulher busca socorro na Deam

Vítima relata ataque em quitinete no Parque dos Laranjais e diz estar sem ter onde morar depois de denúncia

Por Bruna Marques e Victória Costacurta | 09/10/2026 09:32
Após estupro e ameaças de morte, mulher busca socorro na Deam
Perna da vítima apresenta hematomas e marcas que, segundo relato, foram provocados durante as agressões (Foto: Victória Costacurta)

Sem ter para onde ir, uma mulher aguardava atendimento na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), em Campo Grande, com fome e sem saber onde passaria as próximas horas. Foi nesse cenário que a reportagem a encontrou na manhã desta sexta-feira (9). Enquanto esperava, ela contou que havia sido estuprada, agredida e ameaçada de morte por um homem que morava no mesmo conjunto de quitinetes que ela, no Parque dos Laranjais, na Capital.

RESUMO

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Uma mulher aguardava atendimento na Deam, em Campo Grande, na manhã desta sexta-feira (9), sem ter para onde ir. Ela relatou ter sido estuprada, agredida e ameaçada com um facão por um vizinho de quitinetes no Parque dos Laranjais. Também disse ter sido chutada pelo proprietário do imóvel, que não a apoiou. O suspeito fugiu, mas foi preso posteriormente. Sem apoio familiar, a vítima teme voltar ao local.

Segundo o relato, a violência começou depois que ela se separou do marido e passou a morar sozinha em um dos quartos alugados. O suspeito, que também vivia no local, seria usuário de drogas e, conforme a vítima, começou a entrar repetidamente no imóvel e a importuná-la quando percebeu que ela estava sem a companhia do ex-companheiro.

A mulher contou que, em uma das primeiras situações, acordou e encontrou o homem sobre ela, praticando um ato sexual sem consentimento. Na ocasião, ela afirmou que conseguiu reagir e o afastou. Depois, procurou o proprietário das quitinetes para denunciar o ocorrido, mas, segundo ela, não recebeu apoio. O homem teria minimizado a situação e atribuído a denúncia ao consumo de bebida alcoólica.

No dia seguinte, a situação teria se repetido. Ao encontrar novamente o suspeito dentro do quarto, a vítima o confrontou e disse que contaria à polícia e ao ex-marido o que havia acontecido. Foi então, conforme o relato, que ele pegou um facão e passou a ameaçá-la.

Com medo de ser morta, ela procurou ajuda de amigos e chegou a deixar o imóvel para se proteger. Mesmo assim, afirma que continuou sendo perseguida e intimidada. Durante a madrugada, voltou ao local e pediu ao proprietário que permitisse que ela descansasse em uma área comum da casa, pois estava com medo de permanecer sozinha no quarto.

A resposta, segundo a mulher, foi de que deveria voltar para o próprio cômodo. Ela também afirma que o proprietário a agrediu com chutes, deixando marcas pelo corpo, e ameaçou expulsá-la do imóvel. A vítima havia acabado de pagar o aluguel do mês seguinte.

Em meio às ameaças, a mulher decidiu acionar a polícia. Enquanto aguardava a chegada da equipe, acabou cochilando. Nesse momento, segundo ela, o suspeito voltou a atacá-la. Ao tentar escapar, recebeu outro chute na perna e caiu.

Uma amiga passou pelo local e, conforme a vítima, também conhecia o homem por episódios anteriores de violência. Quando os policiais chegaram, o suspeito havia fugido. A mulher contou aos agentes o que havia acontecido e indicou que ele poderia estar escondido na casa do proprietário das quitinetes.

Durante as buscas, os policiais entraram no imóvel, mas não encontraram o suspeito naquele momento. Posteriormente, ele foi preso, conforme apurado pela reportagem.

Além da violência física e sexual, a vítima relata que ficou sem condições de permanecer no lugar onde morava e sem apoio familiar. Separada do marido, ela diz não ter parentes com quem possa contar e teme voltar ao endereço onde ocorreram os ataques.

A reportagem tentou contato com representantes da delegacia para obter informações sobre o caso, mas, durante a troca de plantão, nenhum servidor estava disponível para atender. No local, havia apenas uma funcionária dos serviços gerais.

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