ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, QUARTA  21    CAMPO GRANDE 25º

Capital

Fila de espera por vaga em creche tem mais de 4 mil crianças em Campo Grande

Falta de atendimento público é um dos fatores que empurra famílias para mercado clandestino

Por Marta Ferreira de Jesus | 21/10/2026 12:11
Fila de espera por vaga em creche tem mais de 4 mil crianças em Campo Grande
Criança aprende brincando em creche municipal de Campo Grande (Foto: Campo Grande News/Arquivo)

Campo Grande tem, oficialmente, 4.015 crianças esperando vaga nas Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil). O dado foi informado ao Campo Grande News pela Semed (Secretaria Municipal de Educação), em resposta à indagação surgida depois que o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), divulgou os resultados de uma força-tarefa para coibir a atuação de creches clandestinas, mercado aberto a partir da necessidade não atendida pelo poder público.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Campo Grande tem 4.015 crianças à espera de vaga nas Emeis, segundo a Semed, que atende 22.695 alunos em 108 unidades. O déficit já chegou perto de 13 mil. A carência abre espaço para creches clandestinas: o MPMS investiga 13 locais irregulares desde 2024, e metade foi fechada por riscos como superlotação e falta de alvará. Um bebê morreu afogado em 2025. As famílias podem recorrer ao Conselho Tutelar, ao Nupemec e à Defensoria Pública.

Na resposta à reportagem, o município argumenta que atende a maioria da demanda.
"Atualmente, 22.695 crianças estão matriculadas nas 108 Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) da Rede Municipal de Ensino", informa a Semed.

Na sequência, a secretaria registra que “outras 4.015 crianças aguardam vaga”. Esse déficit já foi maior, chegando a ficar perto de 13 mil.

Espaços privados - Em relação ao setor privado regular, há 169 instituições autorizadas pelo CME (Conselho Municipal de Educação) a operar na educação infantil. Não foi informado o número de alunos atendidos pelo mercado particular.

Para esses estabelecimentos, o monitoramento é feito pela Divisão de Normas Educacionais.

“O acompanhamento e a fiscalização são realizados pelo Serviço de Inspeção Escolar, por meio de inspetores e técnicos responsáveis por verificar o cumprimento da legislação", diz a Semed.

Segundo as informações prestadas, a atuação busca assegurar que as instituições autorizadas cumpram os requisitos legais e pedagógicos exigidos para a oferta da educação, “contribuindo para a regularidade dos serviços, a qualidade do atendimento e a proteção dos direitos das crianças".

Fila de espera por vaga em creche tem mais de 4 mil crianças em Campo Grande


Clandestinidade - Em consequência dos reflexos da carência de vagas públicas, e da incapacidade financeira de famílias para bancar o atendimento privado, desde 2024 um inquérito civil do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) investiga as condições de estabelecimentos denunciados, atuando como creches e hotéis infantis, sem atender às regras. Foram identificados pelo menos 13 locais irregulares operando em bairros como Jardim Zé Pereira, Jardim Noroeste, Los Angeles, Campo Nobre, Amambaí e Centro.

Metade desses espaços foi fechada após vistorias constatarem sérios riscos, incluindo superlotação, falta de alvará e de licença sanitária, além da ausência de profissionais qualificados.

Em uma das creches improvisadas, apenas uma pessoa cuidava de dez crianças e ainda preparava as refeições. Houve flagrantes de meninos e meninas no chão e escadas sem proteção para os pequenos. A gravidade desse cenário ficou evidente após a morte por afogamento de um bebê em uma creche clandestina no bairro Indubrasil, em 2025.

Como as famílias devem agir? - O direito à educação infantil pública e gratuita para crianças de 0 a 5 anos é uma obrigação constitucional do Estado, reafirmada pelo Artigo 208, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, e reforçada em 1990 pelo Estatuto da Criança e do Adolescente nos Artigos 53 e 54, que também garantem o acesso a uma vaga na escola pública mais próxima da residência da família.

No mesmo sentido, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, estabelece a gratuidade desse atendimento em creches e pré-escolas em seu Artigo 4º, entendimento que foi consolidado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) ao decidir que a oferta de vagas na educação infantil é um dever de “eficácia plena e aplicação imediata” dos municípios, não cabendo alegações de falta de orçamento ou de espaço físico para recusar a matrícula de uma criança.

Diante do problema do déficit ainda persistente, os órgãos de controle orientam as famílias a buscarem primeiro os caminhos administrativos e depois os meios legais para garantir a matrícula.

O MPMS, por meio do Nued (Núcleo de Educação), cobra providências da gestão municipal e recomenda às famílias manter seus dados atualizados no sistema da Semed, com o pedido de inscrição da criança. Outra recomendação é buscar o Conselho Tutelar para atuar em defesa dos direitos da infância assegurados por lei.

Outro caminho é buscar a mediação e para isso existe um setor específico no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul),  o Nupemec (Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos).

A Defensoria Pública também tem atuação direta no tema, com mais de 2 mil ações anuais para assegurar a matrícula de crianças em creches públicas, inclusive para famílias de imigrantes.

Conforme orientação da Defensoria em seu site, os responsáveis que não conseguirem vaga podem procurar o Nudeca (Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente) presencialmente na Avenida Afonso Pena, 3850, no Centro, ou entrar em contato pelos telefones (67) 3313-4919 e (67) 99247-3968, pelo e-mail nudeca@defensoria.ms.def.br ou, ainda, pela plataforma virtual da instituição.