Fotos e cartas antigas podem ajudar padre João Crippa a virar santo
Testemunhas serão ouvidas e fiéis também vão apresentar relatos de graças atribuídas ao sacerdote
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Fotografias antigas, cartas de família e jornais guardados há décadas poderão ajudar a Igreja Católica a reconstruir a história do padre João Crippa e avançar no processo para sua beatificação. O pedido de colaboração foi feito nesta terça-feira (20), durante a abertura oficial do inquérito diocesano na Paróquia São José, situada na região central de Campo Grande. A cerimônia também marcou a apresentação de uma lista de testemunhas e o compromisso dos responsáveis de investigar a vida e a fama de santidade do missionário salesiano.
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A Igreja Católica abriu, nesta terça-feira (20), o inquérito diocesano sobre o padre João Crippa, na Paróquia São José, em Campo Grande, e pediu à população fotografias, cartas e jornais antigos para reconstruir a trajetória do missionário salesiano. Os responsáveis prestaram juramento e receberam uma lista de testemunhas. A investigação não tem prazo para terminar. Crippa nasceu na Itália, em 1861, morreu em 1941 e tem o título de Servo de Deus, mas ainda não foi reconhecido como beato.
O pesquisador e vice-postulador da causa, Fábio do Vale, explicou que a participação da população será importante para reunir registros da época em que o religioso viveu. Muitas dessas informações podem estar em álbuns de fotografias, correspondências e documentos preservados por famílias que conheceram o sacerdote ou ouviram histórias sobre ele de parentes mais antigos.
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“A forma que a sociedade pode contribuir é abrindo arquivos fotográficos, jornais da época”, afirmou o pesquisador. Ele explicou que os relatos transmitidos de uma geração para outra também podem ajudar a recuperar acontecimentos da trajetória de João Crippa.
A preocupação é reunir documentos suficientes para que a investigação avance sem deixar lacunas. O trabalho envolve tanto a reconstrução histórica das atividades do padre quanto a análise dos relatos que sustentam sua fama de santidade.

Durante a sessão, realizada no salão ao lado da Igreja São José, os responsáveis pelo processo prestaram juramento diante de fiéis, religiosos e autoridades. Eles assumiram o compromisso de conduzir a investigação com seriedade, ouvir as testemunhas e preservar as informações recebidas. A solenidade também teve uma breve apresentação sobre a vida do missionário e um canto em sua homenagem.
Uma lista inicial de testemunhas foi entregue à Igreja. Segundo Fábio, essa etapa faz parte da investigação sobre o reconhecimento religioso de Crippa.
“Faz parte do trabalho inicial. Justamente para a comprovação da fama de santidade. Então, o clero, a arquidiocese precisa autorizar. Depois os bispos do regional também precisam autorizar. Então, gradativamente, com as autorizações e o consentimento da igreja, as etapas vão avançando”, explicou.
Relatos de graças - Além dos documentos históricos, a Arquidiocese pretende ouvir pessoas que conheceram João Crippa e fiéis que afirmam ter recebido bênçãos ou graças por sua intercessão. O padre Paulo Roberto de Oliveira, pároco da São José e vice-postulador da causa, explicou que a coleta desses depoimentos será uma das principais atividades a partir de agora.

“Agora começa o processo, vão ser ouvidas testemunhas, a história da pessoa. Vamos chamar pessoas que conheceram primeiro, depois as pessoas que têm algum histórico ou que têm alguma ação, se recebeu alguma bênção e graça através da intercessão do Padre João Crippa”, afirmou.
O sacerdote ressaltou que a investigação não tem prazo definido para terminar. Os responsáveis deverão analisar os depoimentos e os documentos antes de encaminhar as conclusões às próximas instâncias da Igreja.
“Então isso vai ser um tempo longo, um tempo que não existe pressa nisso, mas existe uma seriedade, como foi mostrado no início, a promessa de cuidar das coisas que vamos falar, ouvir e preservar. Não somente ele, mas as testemunhas também”, disse Paulo Roberto.
O pároco também convidou moradores de Campo Grande, de outras cidades de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso a procurar a Arquidiocese ou a Paróquia São José caso tenham informações sobre o religioso.
“Colaborar é que se você tem alguma graça que recebeu, tem notícia de alguma pessoa, conheceu a história, conheceu ele, reportem-se a nós aqui da Diocese de Campo Grande, da Paróquia São José, e aí será feito o trabalho de escuta, e todo um trabalho que vai se prolongar”, pediu.

A cerimônia contou com a presença do arcebispo Dom Dimas Lara Barbosa, de bispos e outros religiosos do interior do Estado. Entre as autoridades civis estavam o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha (Republicanos), a vice-prefeita Camilla Nascimento (sem partido) e o vereador Ronilson de Oliveira "Guerreiro" (Podemos), que representou a presidência da Câmara Municipal.
Quem foi João Crippa - Nascido na Itália, em 1861, o padre conviveu com Dom Bosco, fundador da congregação salesiana, antes de se tornar missionário na América do Sul. Em Campo Grande, participou de iniciativas ligadas à educação, à assistência social e à religião. Sua trajetória está associada à criação do Oratório São José, à formação de instituições de ensino salesianas e à história da Santa Casa.
João Crippa morreu em 1941, em Três Lagoas. Seus restos mortais foram transferidos para Campo Grande em 1951 e permanecem na Igreja São José, na esquina das ruas Pedro Celestino e Dom Aquino. O local recebe cartas e relatos de fiéis que atribuem graças à intercessão do sacerdote, material que também poderá contribuir para a investigação.
A abertura oficial ocorreu com autorização do Vaticano, obtida depois de aproximadamente três anos de trabalho preparatório da Arquidiocese. João Crippa é o primeiro religioso cuja causa de beatificação é conduzida pela instituição. Ele recebeu o título de Servo de Deus, mas ainda não foi reconhecido como beato ou santo.









